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Frutos regionais são raros no cardápio do amazonense

Consumo de algumas frutas nativas da região  Amazônica está ficando cada vez mais reduzido, seja pela falta de incentivos ou  mesmo pela mudança de hábito dos amazonenses, que preferem os ‘importados’

Quiosques localizados na avenida Torquato Tapajós, após a confluência com a avenida Santos Dumont, no sentido Centro, apresentam variedade de frutas regionais

Quiosques localizados na avenida Torquato Tapajós, após a confluência com a avenida Santos Dumont, no sentido Centro, apresentam variedade de frutas regionais (Michael Dantas)

Cubiu, jatobá, sorva, jaca, mangustão, mapati, goiaba araçá, bacuri, sapota e o abiu são alguns dos sabores regionais que, a cada ano, ficam mais raros no cardápio do manauara, que em muitos casos sequer os provou.

Por falta de cultura de consumo das frutas nativas, de produção ou até mesmo por desconhecimento ou pelo alto custo, essas frutas típicas da Amazônia vêm sendo trocadas por outras, produzidas nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste e, até mesmo, em outros países como Argentina.

Boa parte das frutas típicas da nossa região perdeu espaço no mercado consumidor para culturas introduzidas na região - como abacaxi e laranja - ou para as frutas “importadas”, como as bananas de Roraima, as uvas de São Paulo, as maçãs de Santa Catarina, e as pêras argentinas.

Dependendo da época do ano, mesmo com o alto custo da logística, essas frutas ainda chegam a custar mais barato do que as nativas, inclusive as populares pupunhas e o próprio tucumã, analisou a pesquisadora da Embrapa e doutora em melhoramento genético, Aparecida Claret. Uma dúzia de tucumã hoje chega a custar R$ 6 - mais caro do que o quilo da maçã -, enquanto um saco com 50 laranjas varia entre R$ 10 e R$ 20.

De acordo com a pesquisadora, que é especialista em cupuaçu, muitas frutas nativas da região ainda não são conhecidas pelos manauaras, principalmente os mais jovens, que têm os hábitos alimentares voltados para frutas mais baratas e fáceis de serem encontradas o ano inteiro, como a banana, a laranja e o abacaxi.

Na maioria dos casos, as frutas mais procuradas pelo consumidor de Manaus são produzidas fora do Estado ou são culturas típicas de outras regiões introduzidas no Amazonas, que tiveram a cadeia produtiva estruturada para permitir uma produção em escala comercial, o que não aconteceu com as frutas locais. 

“É um ciclo. Sem demanda e lucro, o produtor rural não investe na cultura dessas frutas, que estão sumindo do mercado. Sem oferta, o consumidor não encontra essas frutas, perde o hábito de consumí-las e acaba as substituindo por outras, que têm uma oferta ampla e regular, muitas vezes a preços mais acessíveis”, explicou Claret.

Produção não compensa

O fato de serem culturas sazonais, que demoram muito tempo para produzir e altamente perecíveis por conta das altas temperaturas, além de suscetíveis a pragas, as frutas regionais não têm um atrativo econômico para o produtor rural, explica o também pesquisador da Embrapa e doutor em Fitopatologia - que estuda as doenças das plantas -, Luadir Gasparotto.

“O tucumã leva de oito a dez anos para produzir e colher. O Jatobá mais de 50, então o produtor prefere plantar laranja, abacaxi. E não tem mercado para essa produção toda”, analisou.