A Associação dos Vendedores Ambulantes do Comércio Informal do Estado do Amazonas, recém fundada, registrou denúncia, na última terça-feira (31), no Ministério Público Estadual do Amazonas (MPE/AM), contra a forma como a saída da categoria das ruas do Centro de Manaus vem sendo conduzida pelo Poder Executivo.
Membros da entidade dizem que não aceitam mais ser transferidos para o Shopping Popular que está sendo construído por uma empresa privada, a pedido da Prefeitura de Manaus. A obra foi embargada pela Justiça Federal, que apontou irregularidades no trâmite burocrático da construção.
O presidente da associação, Givanildo Marques Maia, disse que uma parcela dos camelôs não aceita mais ir para o Shopping Popular por causa do imbróglio judicial. “E se conseguirmos ir para lá e tiver uma nova decisão judicial pedindo a nossa saída?”, questionou.
Com 44 anos de profissão, a camelô Odacir Maia da Silva, 60, teme perder o ponto onde vende bóia inflável no Centro de Manaus. “Se sair do Centro, vou pra onde?”, indaga. A categoria diz que o embargo à obra do Camelódromo gerou insegurança no setor.
A deputada estadual Vera Lúcia Castelo Branco (PTB), que acompanhou a ida da classe ao MP, sustentou que o assunto está sendo tratado de forma “desumana” pela Prefeitura de Manaus.
"Vamos solicitar a intervenção do MPE na discussão para que haja garantia do direito dos camelôs como cidadãos, como pessoas de bem, que contribuem com e economia desse Estado, e que merecem respeito", comentou a parlamentar.
"Eles não discordam da saída, mas querem sair para um local definitivo, de onde não venham a ser retirados depois e onde possam suportar o ônus financeiro", enfatizou Vera Lúcia.