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Arena da Amazônia: mistério sobre perícia continua

Peritos do MPT concluíram nesta terça (17) o segundo dia de vistorias no estádio, mas mantiveram silêncio sobre irregularidades

Arena da Amazônia #1

Durante a manhã de terça, o perito Paulo Antonio Barros Oliveira foi até a cobertura do estádio, acompanhado de funcionários, para recolher equipamentos (J. Renato Queiroz)

O Ministério Público do Trabalho (MPT) concluiu ontem o segundo dia de inspeção na Arena da Amazônia Vivaldo Lima, na Zona Centro-Oeste, mas não há prazo para a conclusão do relatório sobre a obra. O que foi apurado pelo MPT continua um mistério. Nenhuma informação sobre o que foi constatado na arena foi divulgada e, novamente, a inspeção foi feita sem que a imprensa fosse autorizada a acompanhar. A única informação passada pelos órgãos oficiais é que o relatório da inspeção será encaminhado à Justiça do Trabalho logo após ser finalizado.

Na entrada da arena, funcionários disseram que não estavam autorizados pela Construtora Andrade Gutierrez S/A a falar nada sobre a vistoria e não poderiam chamar nenhum representante da empresa para autorizar a entrada da imprensa.

Os trabalhadores, que cruzaram os braços em protesto contra a falta de segurança, excesso de horas e salários atrasados na segunda-feira, retornaram ao trabalho, ontem. Porém, o serviço em altura na cobertura do estádio continuava paralisado.

Apesar do acesso à cobertura estar proibido, os únicos que estiveram no local depois da morte do operário Marcleudo de Melo Ferreira, 22, que caiu de uma altura de 35 metros, por volta das 4h de sábado, foram funcionários da construtora e o perito judicial Paulo Antonio Barros Oliveira. Eles subiram à cobertura na manhã de ontem, com autorização do MPT, para recolher materiais de trabalho deixados por operários depois da morte de Marcleudo.

O perito Paulo Oliveira acredita que o procedimento e coleta do material ajudará na elaboração do relatório final da inspeção. O que foi verificado pelo perito também será usado para indicar quais são os itens que devem ser revisados para que a obra de finalização do estádio seja liberada. “Neste caso são coisas bem simples que precisam ser feitas, basicamente é o recolhimento de materiais de trabalho que ficaram soltos na cobertura”, disse o perito à Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP-Copa).

Da avenida Constantino Nery foi possível ver a inspeção na cobertura, bem como o retorno ao trabalho dos operários no entorno do estádio.

O coordenador da UGP-Copa, Miguel Capobiango, disse, em nota, que ainda não sabe qual o impacto que a interdição parcial da obra vai ter no prazo de entrega do estádio. O próprio governador do Estado, Omar Aziz, admitiu que a obra pode sofrer um novo atraso, mas Capobiango afirmou que só terá esa informação quando a frente de trabalho na obra for retomada.

Laudo sem data para conclusão
O laudo que indicará as condições da morte do operário Marcleudo de Melo Ferreira, 22, que caiu de uma altura de 35 metros, no sábado, enquanto trabalhava na montagem da cobertura da Arena da Amazônia Vivaldo Lima, ainda não tem prazo para ser concluído. No entanto, com base em relatos de trabalhadores que estavam na arena no momento da morte e, principalmente, de uma fotografia feita logo após a queda, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Civil do Amazonas (Sintracomec-AM) afirma que Marcleudo estava sem o cabo de segurança, equipamento obrigatório para o trabalho em altura, também chamado de “fio da vida”.

Para o Sintracomec-AM, a imagem, bem como os relatos, reforçam as denúncias de que os operários estão trabalhando em diversas funções de risco sem equipamentos de segurança básicos ou sofisticados. Até mesmo o Equipamento de Proteção Individual (EPI) não está sendo substituído em caso de perda ou danos, segundo o sindicato.

O presidente da entidade, Cícero Custódio, disse que se Marcleudo estivesse com o fio da vida, ele teria caído, mas ficaria pendurado até ser resgatado com segurança. A imagem a que ele se refere mostra o operário com o tronco voltado para baixo, em meio a cadeiras, na arquibancada. Ele caiu em cima de uma cadeira de plástico instalada próxima ao escanteio, no lado direito da arena. O assento quebrou com o impacto. Marcleudo ainda chegou a ser levado ao Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, na Zona Centro-Sul, mas não resistiu.

Apesar das declarações de Custódio, apenas o laudo poderá esclarecer o que de fato ocorreu. Sobre a nota na qual a Construtora Andrade Gutierrez S/A alega que o sindicato que ele preside não representa os trabalhadores que atuam na arena, Custódio esclareceu na manhã de ontem que os operários do setor de montagem fazem parte da área trabalhista contemplada pelo Sintracomec.

A Andrade Gutierrez S/A destacou que cumpre as decisões judiciais e colabora com a Justiça, além de órgãos de fiscalização, disponibilizando registros e documentos dos serviços executados nas obras.