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Cemitério do Tarumã sofre com o abandono da prefeitura

No maior cemitério público de Manaus, funcionários denunciam descaso da administração municipal; há quatro meses, eles não têm sequer água para beber

Diariamente, trabalhadores precisam improvisar conexão entre o caminhão pipa e a tubulação que leva água para o reservatório, já que a bomba está queimada

Diariamente, trabalhadores precisam improvisar conexão entre o caminhão pipa e a tubulação que leva água para o reservatório, já que a bomba está queimada (Érica Melo)

“O cemitério Nossa Senhora de Aparecida, no Tarumã, na Zona Oeste, está abandonado, no purgatório”. A frase, compartilhada por funcionários e pessoas que visitam túmulos no maior cemitério público de Manaus, descreve com fidelidade o descaso em que o local e servidores estão convivendo, atualmente.

Coveiros e agentes administrativos dizem que, há quatro meses, não têm, sequer, água potável para beber, cozinhar ou tomar banho. Os funcionários do arquivo de sepulturas, que funciona em uma antiga capela, improvisam para continuar trabalhando porque não há luz elétrica e ventilação no local, além do telhado estar repleto de goteiras.

Segundo eles, a única fonte de água é um caminhão pipa, que abastece o cemitério duas vezes ao dia. Porém, a água que chega é barrenta e imprópria para o consumo. Os servidores são obrigados a levar água de casa ou comprar no caminho para o trabalho.

A bomba d’água que abastecia o reservatório está queimada há quatro meses, dizem eles, sem que o Departamento de Cemitérios (Decem), subordinado à Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), providencie o conserto, apesar de ter o conhecimento do problema. O mais grave é que o reservatório, construído na administração do então prefeito de Manaus, Jorge Teixeira, (1974 a 1979), não recebe limpeza e manutenção há cinco anos.

A situação é mais crítica porque a caixa d’água não tem tampa. Exposto às intempéries, o interior do reservatório, onde é depositada a água do caminhão pipa, está completamente tomado por sujeira e lodo. Pássaros defecam no local em função da falta de proteção e até mato cresceu no alto da caixa d’água. Basta abrir a torneira do reservatório, após ser abastecido pelo caminhão pipa, para ver a água suja saindo.

Canos entupidos
A caixa d’água deveria distribuir água para todos os prédios que existem no cemitério, mas não chega a eles ou a torneiras próximas às quadras, onde os mortos são sepultados, porque o encanamento está entupido devido à sujeira. O problema faz com que os seis banheiros que existem no cemitério, incluindo o único que a população pode usar, fiquem sem água e tomados por sujeira. Mesmo longe dos banheiros é possível sentir o forte odor.

Funcionários tentam amenizar o problema colocando água em camburões, para serem usadas na descarga. Porém, eles precisam carregar em baldes menores, da caixa d’água até os banheiros, percorrendo grandes distâncias, o que torna inviável a manutenção constante.

O reservatório fica entre o prédio da administração e o setor dos coveiros. Ao lado das estruturas, há o abrigo do quadro de energia elétrica da bomba d’água. Ele está com a porta quebrada e o quadro de energia está completamente danificado e com a fiação exposta.

Os coveiros trabalham com barro e lama e precisam da água para quase tudo no cemitério, principalmente, para amolecer o solo e cavar sepulturas, além de lavar o corpo depois do contato com a lama e caixões enterrados. Eles também não recebem alimentação do município e, por isso, fazem a própria comida no local, há 20 anos. Sem água para cozinhar, eles fazem cota e compram quentinhas de um restaurante.