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Clima de tensão em nova invasão de Iranduba

Invasores do Nova Vitória, na comunidade São Sebastião, prometem resistir a cumprimento de mandato judicial

Barricada foi montada na rua que dá acesso a comunidade surgida de uma invasão de terra

Barricada foi montada na rua que dá acesso a comunidade surgida de uma invasão de terra (J. Renato Queiroz)

É tenso o clima na invasão Nova Vitória, comunidade São Sebastião, no km 6 da rodovia Carlos Braga, a “estrada de Iranduba” (a 25 quilômetros de Manaus).  Mais de 60 famílias bloquearam, com uma barricada, o único acesso ao loteamento, na tentativa de impedir o cumprimento do mandado de reintegração de posse, decretado pela juíza de Iranduba, Luciana Eira Nasser. Eles tomaram posse de uma área de 16 mil metros quadrados pertencente ao agricultor Eliézer Nunes Linhares, 68, que apresentou o recibo de compra, autenticado em cartório, e o Título Definitivo da área. O prazo de 15 dias, dado pela juíza, para que as famílias deixem a área, venceu na última quinta-feira. A juíza só estaria esperando por reforço policial para decretar a execução da reintegração.

Os moradores, oriundos das redondezas e até da área alagadiça do bairro da Glória, Zona Oeste de Manaus, contestam a validade da documentação apresentada por Eliézer e dizem que, há um ano de três meses, quando houve a ocupação, a área não apresentava nenhuma demarcação. Na concepção da doméstica Irene Uchôa Linhares, 59, a terra era devoluta (desocupada) e que as famílias estavam dispostas a impedir a reintegração. “O limite do terreno dele é mais adiante. Soubemos que iam entrar com tratores para derrubar nossas casas. Isso nós não vamos permitir. Nossos filhos estão estudando na escola daqui”, declarou Irene.

Eliézer Nunes, que cultiva hortaliças em grande escala, disse que adquiriu o lote em questão para cultivar outro tipo de cultura e quando o terreno começou a ser preparado, houve a invasão. “Assim que houve a invasão eu fiz Boletim de Ocorrência e notifiquei a agência de fomento do Estado porque fiz um financiamento de R$ 18 mil para investir no lote”, esclarece.

Ele acusa uma mulher, conhecida apenas por Gorete, de ter sido a grande mentora da invasão e que a mesma também estava na liderança da invasão que ocorreu na área dos índios, no Km 6 da estrada Manoel Urbano (Manaus-Manacapuru). “Dizem que ela vive de invasões. Ela manipula as famílias e já vendeu mais de 40 lotes. A juíza de Iranduba a intimou para depor, mas ela fugiu. A maioria dos invasores tem casa em outro lugar. Denunciei ao procurador geral do município que na invasão tem esposa e até sogra de policiais militares. Já ganhei na Justiça e quero meu lote de volta”, declara Eliézer.


Agredida por confirmar a titularidade

A dona de casa Maria Janete Nascimento, 50, procurou nossa reportagem para denunciar que foi espancada e expulsa do loteamento invadido, além de ter sua casa demolida. Tudo porque teria comprovado a titularidade do terreno em nome de Eliézer Nunes de Sales. Ela revela que viajou durante mais de três horas em motor tipo rabeta até uma comunidade de Presidente Figueiredo somente para se encontrar com Francisco Geraldo Costa Maciel, de quem Eliézer comprou o terreno invadido. “Depois que ele comprovou a venda, eu fiquei ciente de que havia invadido uma propriedade particular. Pedi perdão ao dono e resolvi sair. Quando fui falar isso para os demais, fui agredida, esmurrada, derrubaram minha casa e essa Gorete vendeu o lote que eu ocupava por R$ 4 mil. Hoje, eu moro de aluguel”, contou.

Em números

16 mil metros quadrados é quanto mede o lote que hoje está ocupado por 62 famílias, na invasão Nova Vitória, comunidade São Sebastião, Município de Iranduba. O terreno mede 80 metros de frente por 200 metros de fundos. Conforme o proprietário Eliézer  Nunes Linhares, o lote seria destinado a plantação de hortaliças de um projeto financiado pela Afeam.