Adolescente percorre hospitais em busca de atendimento em Manaus

EGM, de 14 anos, teve uma série de convulsões na noite da última terça-feira (19), 24h depois não conseguiu atendimento adequado, o jovem sofre de autismo

Mãe e filho indo procurar atendimento em mais um hospital

Mãe e filho indo procurar atendimento em mais um hospital (Clóvis Miranda/Acrítica)

Nessa quarta-feira (20) um jovem de 14 anos, que é portador de uma doença chamada autismo, sofreu na pele o verdadeiro descaso da saúde no Estado do Amazonas. Após inúmeras convulsões na noite anterior ,o garoto foi levado pelo Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para o SPA Galiléia, Zona Norte da cidade. Na manhã seguinte, foi transferido para o Hospital Pronto-Socorro Dr. Platão Araújo, na zona Leste.

Das 9h da manhã até às 20h, quando o pai retirou o garoto da unidade, EGM ficou em um corredor, numa maca sem lençóis, sem alimentação e medicação.

“Meu filho ficou jogado em uma maca o dia todo, sem nenhum cuidado, não comeu o dia todo, não foi medicado e nem atendido por um neurologista, me disseram que não tinha nenhum lá”, relata o pai da criança, Anildo Gomes Mereles.

De acordo com informações de Mereles, uma médica do turno da tarde iniciou um processo de internação para o paciente, mas EGM continuou no corredor até o final da tarde, quando arrumaram um leito sem lençóis e todo molhado para o jovem.

 “Eles disseram que iam internar o meu filho, mas deixaram ele o dia todo em uma maca no corredor do hospital. No final da noite vagou uma cama e os médicos queriam  colocar ele lá, em um colchão sem forro e todo molhado por outro paciente, eu não deixei”, relatou.

Quando decidiu retirar o filho da unidade, a resposta que Mereles ouviu, foi de que o medicamento não ia ser ministrado porque o pai não estava permitindo o atendimento.

“Ele (EGM), ficou o dia todo lá e quando disse que ia levar ele embora vieram com essa desculpa. Quero justiça, meu filho tem direito a atendimento médico, é lei. Vou levar ele para o Pronto-Socorro Dr. Platão Araújo, para tentar conseguir atendimento”, finalizou Mereles.

A mãe do jovem, Queli dos Santos, empregada doméstica, disse que chegou a faltar ao trabalho para poder  cuidar do filho.

“Meu filho está com uma infecção pulmonar, porque as convulsões comprimiram as veias do pulmão dele, ele precisa tomar soro, foi a médica que me disse isso, e nada foi feito. Saímos com ele com a agulha enfiada no braço”.

A acrítica.com entrou em contato, por celular, com a assessora de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde (SUSAM), por volta das 21h10, e a resposta que obteve foi que devido ao horário só poderia verificar as informações no dia seguinte.

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