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Quadrilha lucrava até R$ 1 mil por dia, diz diretor do Detran-AM

Leonel Feitoza revelou que desde uma ação interna realizada em outubro de 2013, o órgão trabalha em parceria com a polícia para identificar os integrantes de grupo que "vendia" CNHs. Nesta segunda (21), 13 pessoas foram presas

Prisões temporárias vêm na esteira de quatro meses de investigação

Prisões temporárias vêm na esteira de quatro meses de investigação (Divulgação)

Na manhã desta segunda-feira (21), uma operação do Grupo Fera prendeu 13 pessoas, sendo 12 apenas no Centro de Treinamento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM), localizado na Zona Norte de Manaus.

A operação veio na esteira de quatro meses de investigação, que buscava desmantelar um esquema de corrupção que permitia que candidatos inaptos a obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) obtivessem o documento. Dos 15 mandados de prisão temporários exarados pela Justiça, apenas 13 foram cumpridos. 

Os presos até o momento são Ana Célia dos Santos, examinadora; Armando Lima do Canto, examinador; Calhieri Neto, examinador; Carlos Rodrigues de Andrade, servidor do Detran; Cristiano Barroso Albuquerque, instrutor; Francisco Vieira, instrutor; Guilherme Hugo Neto, examinador; Jair de Matos Sampaio, examinador; Juarez de Esteves Silvestre, examinador; Marcos Aurélio Paulo dos Santos, instrutor; Margareth de Souza, examinadora; Patrício de Medeiros Pereira, ex-estagiário do Detran e suspeito de liderar o esquema; e Soliane Cardoso de Carvalho, examinadora.

Desses, os oitos examinadores já foram afastados de suas funções no Detran-AM. O mandado de busca e apreensão foi expedido pela juíza Andréa Medeiros, da 5ª vara criminal. Ao todo, foram expedidos 15 mandados pela juíza, porém três suspeitos estão foragidos.

Até o fechamento desta matéria, eles estavam sendo ouvidos da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM). Se for necessário à investigação, as prisões temporárias poderão ser convertidas em prisões preventivas.

Segundo o diretor do Detran, Leonel Feitoza, o bando operava de forma sistematizada. “Eles formavam uma verdadeira quadrilha, que já operava desde antes da minha gestão. Depois de uma ação interna realizada em outubro do ano passado, passamos a revisar todos os exames de direção aplicados nos últimos cinco anos e descobrimos vários resultados que saíram de forma fraudulenta. Já cancelamos todos eles”, acrescenta.

O diretor afirma que, desde então, o órgão passou a trabalhar junto com a Polícia Civil, a Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai) e a SSP-AM. "Nesse ínterim, creio que até quebra de sigilo telefônico foi autorizada de maneira a comprovarmos os crimes. Semana passada, a juíza da 5ª Vara Criminal Andrea Medeiros, expediu os mandados e a PC pôde efetuar as prisões”, explicou Leonel.

Ele comentou, ainda, que o bando costumava cobrar algo na faixa dos R$ 400 por aluno e obtinham lucros de R$ 800 a R$ 1.000 por dia com o esquema. “As investigações da polícia deram conta que Patrício muitas vezes era um intermediário, que trazia candidatos para o esquema. A partir daí, várias pessoas cuidavam do caso deles. Para você ter noção, até a pessoa que cuida do lanche instalado no CT tinha participação nos delitos”, completou o diretor.

“As investigações vão continuar mesmo porque tão criminoso quanto aceitar dinheiro para aprovar alguém ilegalmente é quem paga para poder dirigir um veículo mesmo sendo inapto. Essas pessoas serão encontradas, tenho certeza, e responderão criminalmente. O que espero, com operações como essa, é que as pessoas criem juízo, que elas percebam que os tempos são outros e que esse tipo de prática errada será descoberta e punida”, concluiu Leonel.

Os exames que seriam realizados pela parte da tarde desta segunda-feira serão realizados normalmente e que os marcados para a manhã, mas não realizados por conta da operação, serão remarcados para datas até sábado (26).

Casos passados

Em fevereiro deste ano, foram descobertas 19 carteiras de habilitação que tiveram sua validação feita de forma fraudulenta, quando os exames de direção foram alterados de inaptos para aptos.

Aos auditores do Detran-AM, os 15 depoentes disseram na época que pagaram até R$ 1.800 para serem considerados aptos a dirigir. Foram citados vários nomes de pessoas como intermediários para conseguir a adulteração dos dados.