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Drama: o desespero de um pai que espera por Justiça

O caminhoneiro Joaquim Queiroz espera, de presente do Dia dos Pais, a punição do assassino do filho, morto com três tiros por um PM no ano passado; o soldado continua trabalhando

Debaixo de um forte calor, na manhã de sexta-feira, o caminhoneiro Joaquim Queiroz (ao centro) cobrava Justiça

Debaixo de um forte calor, na manhã de sexta-feira, o caminhoneiro Joaquim Queiroz (ao centro) cobrava Justiça (Luiz Vasconcelos)

Manhã de sexta-feira, sol escaldante em frente ao fórum Henoch Reis. Um homem com os braços erguidos segura um cartaz com a fotografia de um jovem e um pedido de justiça. O homem é o caminhoneiro Joaquim Queiroz, 49, que há um ano tenta chamar a atenção das autoridades da Justiça para a morte do filho, o mototaxista Jefferson Simião de Queiroz, assassinado com três tiros pelo soldado da Polícia Militar Deivisson Lima Rocha.

No rosto moreno queimado pelo sol, o suor se mistura às lágrimas e ele grita pedindo por justiça. De repente, Joaquim baixa o cartaz e diz que perdeu a alegria de viver e que não tem motivos para comemorar o Dia dos Pais, desde que o caçula de seus três filhos foi assassinado. Esse é o primeiro Dia dos Pais que ele passa sem o filho.

“Esse monstro tirou a vida do meu menino e ainda saiu dizendo que tinha matado um criminoso”, lembrou.

Para o caminhoneiro, o maior presente que ele poderia receber no Dia dos Pais era ter o filho de volta, mas como isso não é possível, ele espera que a Justiça decrete a prisão do assassino, que continua em liberdade e trabalhando normalmente, segundo ele.

Joaquim revela que não tem motivos para ficar alegre e que este domingo será mais um dia que ele vai chorar, sentindo a falta de Jefferson. “Eu preferia ter morrido no lugar dele”, desabafa.

Audiência

Ele acompanha passo a passo do andamento do processo na Justiça. Na sexta-feira, deveria acontecer a audiência de instrução processual.

Ele, familiares e amigos de Jefferson, foram cedo para a frente do fórum, levando cartazes e vestindo camisetas com a foto dele e frases pedindo justiça. Eles prometem não se calar até que a justiça seja feita.

“Eu acredito que Deus é Fiel. Queremos que ele seja preso e condenado pelo crime que cometeu. O que me consola é saber que o meu filho está no céu”, diz o pai.

O crime

O caminhoneiro conta que o filho estava trabalhando quando foi assassinado. Jefferson era mototaxista e, no dia 19 de junho de 2013, por volta das 14h30, ele estava trabalhando e pegou uma corrida. Ele não conhecia o passageiro e, quando passava pela rua 22 da Cidade Nova 3, Zona Norte, foi surpreendido por tiros que o derrubaram da motocicleta, e foram disparados pelo PM.

Mototaxista confundido com ladrão

Na denúncia, oferecida pelo promotor Rogério Marques, consta que, no dia do crime o soldado PM Deivisson estava à paisana, trocando o pneu do carro da mulher dele, quando suspeitou que Jefferson e Rodrigo fugiam em uma motocicleta depois de terem participado de um roubo.

O policial sacou a arma e fez os disparos, que mataram Jefferson e o passageiro na hora. Para o promotor, o soldado “agiu como justiceiro e aplicou às vítimas a pena de morte por causa de um suposto crime patrimonial”.

Segundo o pai de Jefferson, o caminhoneiro Joaquim Queiroz, o passageiro do filho era um assaltante que tinha fugido do sistema semi-aberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

O soldado alegou que a dupla estava praticando assaltos, mas Joquim nega. “Meu filho era limpo, pode procurar na Justiça se ele tinha algum crime”, disse.

Segundo Joaquim, o filho trabalhava em uma fábrica do Polo Industrial de Manaus, tinha pedido a conta e, com o dinheiro que recebeu, comprou uma motocicleta e estava trabalhando como mototaxista.

Ainda segundo o pai, o rapaz frequentava a Igreja Universal do Reino de Deus, onde trabalhava com jovens, e nunca se envolveu com nenhum crime.

Soldado continua trabalhando na PM

Até sexta-feira (8), a informação do Comando da Polícia Militar é que o soldado Davisson está aguardando o julgamento em liberdade e trabalhando normalmente, enquanto aguarda decisão da Justiça.