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Funcionários do HPS João Lúcio esquecem paciente cega após exames em hospital de Manaus

A jovem de 16 anos, cega e sem movimento nas pernas, estava há cinco dias no João Lúcio e foi levada para exames no Hospital Beneficente. Ao invés retornar para a internação na ambulância, foi esquecida e teve que voltar de táxi para casa

O Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio ficou três horas sem energia, apenas os setores de urgência

A paciente ficou cerca de seis horas esperando ambulância, que não chegou (Luiz Vasconcelos)

Uma paciente de 16 anos, cega e sem os movimentos nas pernas, foi esquecida por enfermeiros do Hospital e Pronto Socorro Doutor João Lúcio, em Manaus, durante a tarde e noite de segunda-feira (12), dentro do Hospital Beneficente Portuguesa, para onde havia sido levada para realização de exame de ressonância no abdômen e tórax. A doença da moça ainda não foi diagnosticada.

A jovem estava internada desde a última quinta-feira (8), há cinco dias, no João Lúcio, e deveria retornar do Beneficente ao HPS para continuar o atendimento médico. Porém, durante seis horas ficou impossibilitada de voltar para a internação. A garota, que usava sonda hospitalar, teve que pegar um táxi, junto com a acompanhante amiga da família, para sair do Beneficente e ir para casa, na Zona Leste da cidade.

"O cara da ambulância foi lá, não a viu e foi embora. Foi uma sacanagem com minha filha, que não enxerga e não anda. Ela chegou com dor de fome aqui em casa”, disse o pai da paciente, Carlos Eduardo Feitosa Ferreira, 32. Segundo ele, o percurso de táxi do bairro Centro, onde fica o Hospital Beneficente, até a casa da paciente, na comunidade Santa Inês, Jorge Teixeira, custou R$ 60.

O exame de ressonância no Beneficente Portuguesa iniciou por volta das 14h e terminou aproximadamente após 30 minutos. Segundo Carlos Eduardo, a acompanhante procurou pela ambulância e pelos funcionários do João Lúcio no pátio da Beneficente, mas não encontrou ninguém. “Minha filha passou de duas e meia da tarde até quase nove da noite esperando, sem comer”, disse.

Sem leito

Outro problema denunciado pela família da paciente é a falta de acolhimento adequado dentro HPS João Lúcio. Carlos Eduardo afirma que não foi disponibilizado leito próprio para a filha, e a mesma é obrigada a ficar nos corredores do hospital. “Como ela usa fralda, que é onde faz necessidades, eles têm que trocá-la no corredor. E isso para uma menina jovem é um constrangimento”, disse.

Sintomas

De acordo com o pai, a moça perdeu a visão há dois anos, e depois perdeu o movimento das pernas, há cerca de um ano. “Ela ficou com visão embaçada no sábado, e na segunda foi fechando o primeiro olho. O médico (clínica particular) pediu exames, mas não deu em nada. Na semana seguinte pegou o outro olho”, disse o pai. A perda dos movimentos também aconteceu paulatinamente e sem causa aparente.

Há um ano, a paciente passava por consultas médicas no Ambulatório Araújo Lima, do Hospital Universitário Getúlio Vargas, e teve uma melhora, mas hoje não sente mais a parte inferior do corpo. “Disseram que ela tem uma bactéria na coluna (vertebral), mas não deram diagnóstico. O problema dela deve ser neurológico e estamos aguardando vaga no Araújo. A médica de lá disse que não tem”, disse o pai.

Na saga para descobrir a própria doença, a paciente já passou por exames e atendimento na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT) e na Fundação de Oncologia do Amazonas (FCecon), onde foi descartada a suspeita de câncer no colo do útero da moça. Há 13 dias, quando passou mal, ela foi para o HPS Platão Araújo e, em seguida, para o HPS João Lúcio, onde estava internada desde então.

Desculpas

Segundo o pai da moça, assistentes sociais do João Lúcio ligaram quatro vezes para a família pedindo desculpas pelo erro dos funcionários em esquecer a jovem no Beneficente, e solicitando autorização para que uma ambulância possa trazê-la de volta para o hospital. “Estou com medo de voltar com ela pra lá e ficarem maltratando dela. Mas vou voltar”, disse o pai. No início da noite desta terça (13), a moça voltou para o HPS João Lúcio.

Assessoria

A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) negou que a paciente foi esquecida e informou que só às 18h, quando o HPS João Lúcio foi informado por funcionários do Beneficente que o exame de ressonância havia terminado, voltou ao local para buscá-la. Segundo a assessoria, a direção do João Lúcio foi informada que “a equipe não havia encontrado mais a paciente”, e por isso “adotou todas as medidas para localizá-la, verificando que havia sido levada para casa”.

A assessoria disse que a paciente tem problemas de saúde de perfil neurológico, e que o diagnóstico ainda está sob investigação. A Susam informou que será instalada uma Comissão de Sindicância para apurar os fatos, mas não respondeu os questionamentos sobre a falta de acolhimento adequado com leito próprio para a paciente, e não locação em corredores.