MPE inicia em janeiro inspeção de 17 municípios do AM

Centro de combate ao crime organizado do MPE concluiu  lista inicial de municípios com denúncias de corrupção

Promotor Fábio Monteiro, titular da CaoCrimo, mostra à imprensa material recolhido para o ‘Dossiê Parintins’

Promotor Fábio Monteiro, titular da CaoCrimo, mostra à imprensa material recolhido para o ‘Dossiê Parintins’ (Antonio Menezes)

A partir de segunda quinzena de janeiro,  17 dos 62 municípios do interior deverão receber a visita do Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (CAOCrimo), sob coordenação do promotor do Ministério Público (MPE), Fábio Monteiro. Ele  prevê o primeiro da lista será Coari (distante 363 quilômetros de Manaus).

Segundo o coordenador do CAOCrimo, as maiores irregularidades denunciadas ao MPE, e que motivaram a visita aos municípios, são: fraudes em licitações ou a não realização delas, desvio de verbas da merenda escolar, carência de medicamentos, estrutura hospitalar e suspeita de enriquecimento ilícito de agentes públicos. “Além de questões federais como o Bolsa Família e obras com recursos federais. Nesses casos, nós repassamos ao Ministério Público Federal (MPF). Não se trata de uma ‘caça às bruxas’, mas tão somente colocar a estrutura do MPE à disposição dos promotores das comarcas”, explicou Fábio Monteiro.

A proposta do CAO Crimo é ficar até quatro dias em cada uma das cidades, mas isso ainda dependerá do andamento das investigações. “As visitas começaram em outubro de 2011 pelo município de Parintins. O fato de continuarmos a agir em 2012, no ano eleitoral, de forma alguma é problema. Somos pagos para fiscalizar e fazer vale as leis. Pretendemos visitar todos os municípios do Estado que tiverem demanda para nossa atuação. A permanência na comarca vai depender da demanda local. A média é de 3 a 4 dias por visita”, disse.

Para realizar as investigações o CAO Crime é composto por um  coordenador e mais três promotores, que contam ainda com o apoio de agentes técnicos do MPE. “Em termo de estrutura ainda não temos o ideal. Mas o procurador (Francisco Cruz) ‘comprou’ a ideia do CAOCrimo e permite a utilização de toda a estrutura do MPE”, explicou o promotor de Justiça.

Fábio Monteiro disse que o trabalho de investigação das denúncias conta com a ajuda de promotores e coordenadores do MPE que atuam nas áreas de Patrimônio Público, Fazenda Pública, Urbanismo, Direito do Consumidor, Meio Ambiente, Direitos Constitucionais do Cidadão, Promotorias Criminais e do Tribunal do Juri.

Apuração de irregularidades em Boa Vista do Ramos

Por conta do recesso do Ministério Público Estadual (MPE), as novas denúncias contra o prefeito de Boa Vista do Ramos, Elmir Mota (PSD), e o vice-prefeito Glauciomar Correa Pimentel (PSC) só deverão ser apreciadas pelo coordenador do Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (CAOCrimo), promotor Fábio Monteiro, no próximo dia 2 de janeiro. “O material foi entregue ao CAOCrimo no recesso. Essas informações novas só serão analisadas no início da semana que vem”, disse Monteiro.

Elmir e Glauciomar foram afastados da Prefeitura por decisão da Câmara de Vereadores do município e também foram denunciados na última segunda (26) ao MPE e à Polícia Federal (PF) pelo prefeito em exercício, vereador Marlon Trindade (PT), por realizarem seguidos saques da conta da Prefeitura após terem sidos afastados dos cargos.  O vereador estima que mais de R$ 1 milhão de reais teriam sido sacados sem a autorização da Câmara e sem o conhecimento dos moradores da cidade.

Os gestores afastados são  investigados pelo MPE por irregularidades no Bolsa Família. Até a filha de Gluaciomar aparecia como  beneficiária do programa junto com parentes  de outros políticos e empresários do Município. Além disso o CAOCrimo apurou a existência  de funcionários fantasmas na folha da pegamento da Prefeitura. “Aquele município estava um caos”, disse Monteiro ao retornar de Boa Vista do Ramos no início de dezembro.

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