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Construção da Ponte Rio Negro não alterou a vida de quem mora próximo ao entorno da obra

O que para alguns é uma paisagem desordenada que contrasta bastante com a ponte, para quem vive ali nada mais é do que o mesmo cenário de sempre

´Para os moradores que vivem no ‘caminho’ até a ponte, a maior mudança foi mesmo na vista que eles têm do rio Negro

Para os moradores que vivem no ‘caminho’ até a ponte, a maior mudança foi mesmo na vista que eles têm do rio Negro (Luiz Vasconcelos)

Casas de madeira, pequenas mercearias, borracharias, bancas de fruta na calçada. Essa é a paisagem de quem segue para a ponte Rio Negro, que, apesar de ser uma obra grandiosa, pouco modificou a aparência do entorno. O que para alguns é uma paisagem desordenada que contrasta bastante com a ponte, para quem vive ali nada mais é do que o mesmo cenário de sempre.

Segundo a comerciante Maria Madalena Rocha, 54, que mora na avenida Coronel Cirilo Neves, que dá acesso à ponte Rio Negro, os vizinhos são os mesmos de 20 anos atrás, as casas pouco cresceram e o sentimento é de que o progresso não chegou, como previam. A comerciante conta que muitas coisas melhoraram depois da construção da ponte, como a segurança, que se tornou mais eficiente, e o movimento de pessoas, que ajudou o comércio a evoluir. Mas a união dos moradores continua sendo a mesma, garante. “Não vemos muitas pessoas novas morando aqui e isso é bom, pois quando os vizinhos se conhecem, a comunicação se torna fácil”, disse a comerciante.

Para o borracheiro Ernesto Almeida, 55, a ponte levou o movimento para a área e já é possível ver coisas que antes não existiam, como posto de gasolina, supermercado e condomínios residenciais. Porém, ele acredita que as casas vão continuar as mesmas, assim como os costumes de quem vive ali. “Se não tiraram os moradores antes, acredito que isso não vai acontecer mais”, acrescentou o borracheiro.

Sobre sair do bairro para dar espaço a grandes impreendimentos, Maria Madalena diz que isso não está nos planos da família, que se acostumou com o lugar e não vê essas mudanças grandiosas no local. “Acho que tudo vai continuar como está”, disse Maria.

Valorização

De acordo com o presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis, Almir de Mendonça Taveira, houve uma valorização grande dos imóveis próximos à ponte e há investidores interessados em construir empreendimentos na área, porém há uma dificuldade com o tamanho dos terrenos e falta dos documentos.

O presidente diz que o tamanho dos terrenos influencia bastante, uma vez que algumas construções exigem tamanhos padrões, o que nem sempre é fácil de encontrar. “Não encontrar o terreno em determinado momento não faz com que o investidor desista, o tempo vai acabar mudando a paisagem da área”, disse Almir.

Blog: Jaime Kuck - arquiteto e urbanista

 “Toda rede viária que possibilita o ir e vir tem vetores de ocupação e isso tudo estimula uma valorização, motivada pela visibilidade, e acredito que daqui algum tempo vamos ver isso acontecer próximo à ponte Rio Negro. Esse crescimento vai levar a um fluxo forte de pessoas, como a instalação da Universidade do Estado do Amazonas em Iranduba. Quando isso acontecer, o interesse de investidores vai ser ainda maior e a população que hoje vive no local não vai resistir a esse bombardeio de ofertas, porque isso é bom para eles também. A aparência do bairro não é desordenada, ela só reflete como era a malha viária antes da ponte, mas isso vai acabar se modificando com o tempo. A ponte existe há pouco tempo e ainda vamos acompanhar muitas mudanças naquela área”.

Em números

R$ 1,099 bi é o valor final da construção da ponte Rio Negro, que foi inaugurada em 2011. A obra foi contratada em novembro de 2007 por R$ 574,8 milhões, e acumulou, ao final da construção, 90% de aumento. Cento e oitenta empresas foram atuaram na obra.