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Avenida Grande Circular 2: descaso e abandono de uma ponta à outra

Quem passa pela avenida Arquiteto José Henrique Bento Rodrigues, também conhecida como Grande Circular 2, que liga as zonas Norte e Leste, encontra diferentes problemas em cada trecho, que vão da buraqueira e matagal à falta de segurança

A avenida Arquiteto José Henrique Bento Rodrigues, também conhecida como Grande Circular 2, começa na Zona Leste e acaba na Zona Norte, atravessando pelo menos dez bairros e comunidades

A avenida Arquiteto José Henrique Bento Rodrigues, também conhecida como Grande Circular 2, começa na Zona Leste e acaba na Zona Norte, atravessando pelo menos dez bairros e comunidades (Márcio Silva)

Uma das avenidas mais extensas da cidade, a Arquiteto José Henrique Bento Rodrigues - também conhecida como Grande Circular 2 -, que começa na Zona Leste e acaba na Zona Norte, atravessando vários bairros e comunidades, enfrenta os efeitos do abandono das ações do poder público nas esferas estadual e municipal.

Em alguns trechos da via, que está em processo de grande expansão comercial, a buraqueira irrita as pessoas que vão em busca de serviços como oficinas mecânicas, lojas de autopeças, comércios, restaurantes, bares, escolas e até um shopping em construção, anunciado como o maior da capital amazonense. O canteiro central da via é tomado por mato. Outro problema, este unânime em todo o percurso da via, é a insegurança. “A gente assiste assaltos a ônibus quase que diariamente”, disse uma comerciante, que preferiu não se identificar.

Entre os bairros que têm acesso à avenida estão Cidade de Deus, Monte das Oliveiras, Santa Etelvina, Alfredo Nascimento, Nova Cidade e comunidades como Aliança com Deus, Rio Piorini, Igarapé do Passarinho, Campos Sales, Monte Pascoal, Colônia Terra Nova, Luís Otávio e Monte Alegre.

Quem percorre a avenida, saindo das proximidades do Jardim Botânico Adolpho Duke, percebe logo o abandono da via. Logo de início, o canteiro central que tem uma rotatória está ocupado por um “restaurante” cercado por lonas e equipado com uma churrasqueira. A proprietária de uma loja de material de construção, Cleonice Magalhães Soares, 49, é testemunha ocular de assaltos que se repetem nas paradas de ônibus. “A gente sempre fecha mais cedo para evitar prejuízos”, disse ela, lamentando a falta de uma presença mais efetiva do policiamento do Ronda no Bairro, que tem uma base na avenida.

Diversidade

O comércio da avenida Arquiteto José Henrique é bastante diversificado, com destaque para serviços de alimentação, diversão, com bares e motéis, assim como várias igrejas de diversas denominações religiosas. Nas proximidades do bairro Nova Cidade, a existência de grandes supermercados, açougues e da feira livre deixa os moradores satisfeitos. O vendedor de frutas e verduras Francisco Aldo Xavier, 54, cujo ponto de trabalho é situado no Monte das Oliveiras, destaca a movimentação grande da avenida e a boa clientela pela vizinhança. “Tem clientes de vários bairros e comunidades que passam por aqui e param para comprar”, revelou.

A moradora da comunidades Vista Alegre Maria Cristina da Encarnação Pinheiro, 37, lamenta ver o abandono da via e também das comunidades próximas. Na Luiz Otávio, muitos temem pela frequente ação de traficantes e usuários de droga. “Eu já vendi uma casa lá porque não quis mais arriscar a vida da minha família”, disse Marciano Gomes, 56, vendedor de frutas num ponto da avenida. Ele conseguiu comprar outra casa no bairro Santa Etelvina e sentiu-se aliviado.

Além da falta de segurança, que a obriga a atender atrás de grades, comerciante Sirleide da Silva, 36, reclama a falta de cuidado com o canteiro central, que poderia ser usado pelos moradores dos bairros e comunidades. Uma limpeza e obras nas calçadas poderia atrair pessoas e com isso, melhorar as vendas, sugere.

Via não é prioridade do poder público

O professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e doutor em geografia humana, Geraldo Alves, afirma que, por não compor o anel viário para o qual inicialmente foi sido pensada, a avenida Arquiteto José Henrique não é prioridade do poder público.

A falta de cuidado com as ruas dos bairros da periferia é um problema comum na cidade. A Prefeitura se preocupa em asfaltar e reasfaltar as vias do Centro ou de áreas de interesse, explicou o professor, apontando a avenida, mesmo pela importância de atender a vários bairros e comunidades fora do eixo prioritário, entra nesse contexto de abandono.

“Se fosse possível fazê-la ter conectividade com outras grandes vias para desviar o trânsito de carga pesada do Distrito Industrial para a Torquato Tapajós e Aeroporto Eduardo Gomes, certamente a Prefeitura não deixaria a via naquelas condições”, disse.

Homenagem

O nome da avenida homenageia o arquiteto José Henrique, autor de algumas obras públicas como o Complexo Viário de Flores (viadutos próximos da Rodoviária e da Unip), Complexo Viário da Darcy Vargas (passagens subterrâneas da Djalma Batista e Constantino Nery), entre outras.

Prefeitura

De acordo com informações da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Seminf), a avenida é um corredor importante por cortar pelo menos 10 bairros da cidade, entre quais o Nova Cidade, com o maior crescimento populacional de Manaus, dos últimos anos. No ano passado, o Governo do Estado anunciou a criação do anel sul, com intervenção na avenida, inclusive com um complexo de viadutos até a Torquato Tapajós. Por conta disso, a prefeitura programou ações apenas nos bairros próximos como o Monte das Oliveiras, que receberá recapeamento das ruas e manutenção das calçadas.