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Centro: Patrimônio perdido, história desprezada

Imóveis de importância histórica para Manaus são descaraterizados por obras

 No Centro de Manaus, muitos imóveis antigos, parte deles com importância histórica, estão completamente abandonados

No Centro de Manaus, muitos imóveis antigos, parte deles com importância histórica, estão completamente abandonados (Erica Melo)

Palacetes, casarões e teatros cuja arquitetura contou com o talento de profissionais que trafegavam no campo das artes, marcaram e ainda marcam o paisagismo do Centro da capital amazonense. Símbolos de um período econômico da cidade que estancou e esvaziou os investimentos em todas as áreas, esses imóveis saíram dos postais vendidos aos turistas para receber o desprezo e abandono dos seus proprietários, que quando não tentam descaracterizá-los, partem para a demolição pura e simples, ignorando várias leis criadas com o objetivo de protegê-los.

Nem mesmo o exemplo dado por cidades como Ouro Preto, Salvador, Olinda e a vizinha Belém são suficientes para inspirar alguns proprietários e empresários locais, lamenta o secretário Rafael Assayag, da recém-criada Secretaria Extraordinária de Requalificação do Centro (Semex). No último domingo, ele foi acionado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para embargar a obra em uma casa de interesse do patrimônio histórico.

Situada na esquina das ruas Joaquim Nabuco e Andradas, no Centro, Zona Sul, a casa não pode sofrer modificações que alterem sua arquitetura, mas foi vendida e o novo proprietário parecia ignorar as restrições até ter seu propósito embargado pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb). Nela morou Silvério Nery, senador pelo Amazonas no início do século passado e pai do ex-governador Paulo Nery.

A poucos quilômetros dali, na rua Japurá, aconteceu a destruição da casa de interesse histórico que pertenceu ao médico Alfredo da Matta, que dá nome a um importante instituto de medicina tropical. Exemplos de abandono estão em vários pontos da mesma Joaquim Nabuco e não ficam por ali, apenas.

A resposta do que fazer com eles é uma das missões da Semex, explica Rafael. “É uma questão antiga de falta de amor à cidade, que envolve conscientização, falta de visão estratégica da importância desse patrimônio histórico do ponto de vista econômico, turístico e da própria autoestima da cidade”, argumenta o secretário, lamentando que a rica história de Manaus, contada pelos casarios antigos não desperte nas pessoas que se instalam na região central da cidade nenhuma compreensão e reverência pelo que aquele espaço representou no passado.

Levantamento
Nesses primeiros meses na administração, a Semex decidiu fazer um levantamento minucioso de todos os imóveis nessa condição para discutir o que fazer com eles. “Vamos identificar os prédios de maior destaque e para darmos uma atenção especial”, disse ele, que na semana passada foi a Brasília, onde se reuniu com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que vai fazer um projeto nacional para financiar a recuperação dos imóveis históricos pela iniciativa privada.

Segundo o secretário, o Iphan nacional trata Manaus como local de patrimônio muito rico que está em estado de risco iminente. “Eles estão preocupados e queremos trabalhar juntos, de maneira proativa”, finalizou Assayag.

Contemplada por programa

Na lista do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, Manaus está entre as cidades históricas que vão receber recursos federais, a serem assinados pela presidente Dilma Rousseff nos próximos dias.

Entre os imóveis contemplados no programa estão a Biblioteca Municipal, o Relógio Municipal, a revitalização do Museu do Homem do Norte, adaptação do prédio da antiga sede da Câmara Municipal em escola de arte, o entorno da Praça 15 de Novembro, restauração e revitalização do Hotel Cassina, praça Dom Pedro 2, Praça Tenreiro Aranha, restauração do Pavilhão Universal, Praça Adalberto Vale e Praça dos Remédios.

Para a realização da Copa do Mundo em Manaus, Rafael Assayag diz não ver como realizar ações suficientes para dar conta do enorme abandono em que se encontra essa área da cidade, mas algumas ações serão feitas para minimizar os problemas. Entre elas está o contato com a empresa concessionária de energia elétrica para reduzir a fiação aérea e um acordo com empresas de tinta para pintar patrimônios.

Ao lembrar que, por conta do tombamento pelo patrimônio histórico, qualquer obra no Centro exige uma série de processos que se tornam lentos e complexos, o titular da Semex garante não poder recuperar, em quatro anos, um centro degradado por décadas. Mas prometeu medidas para minimizar estragos que vêm sendo feitos, alguns com o aval do poder público, como a ocupação de áreas públicas.

Parcerias
Uma das ações da Semex para o Centro de Manaus é a instalação de um Distrito de Obras, que vai se dedicar a recuperar calçadas, retirar postes e placas instalados em locais inapropriados, contatar a empresa concessionária de água, Manaus Ambiental, para conserto dos buracos abertos nas vias e pressionar a empresa de energia elétrica a minimizar a quantidade de fios elétricos no espaço urbano.