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Comunidades abastecidas por adutora recuperada do Proama ainda sofrem com falta de água

O acidente causou a interrupção no fornecimento de água em mais de 30 bairros localizados nas Zonas Leste e Norte, além de uma série de transtornos

As amigas Ana Paula e Naiane Brito, com crianças de idades variando entre dois e seis anos, cumprem o percurso diário até o poço artesiano mais próximo para encher baldes e garrafas pets

As amigas Ana Paula e Naiane Brito, com crianças de idades variando entre dois e seis anos, cumprem o percurso diário até o poço artesiano mais próximo para encher baldes e garrafas pets (Winnetou Almeida )

A Polícia Civil aguarda a emissão do laudo da perícia técnica que deverá apontar as prováveis causas do acidente ocorrido, no final de junho, quando o rebocador e uma balsa, transportando areia, bateu em uma das pilastras da ponte de sustentação da adutora do Programa Águas de Manaus (Proama).

O acidente causou a interrupção no fornecimento de água em mais de 30 bairros localizados nas Zonas Leste e Norte, além de uma série de transtornos. Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, ainda não há uma data definida para a liberação do laudo técnico.

O delegado titular do 28º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Marcos Paulo Graciano, responsável pelas investigações, disse que, assim que receber o documento, irá analisá-lo e, depois, o inquérito será remetido à Justiça.

Por conta do acidente, o governador do Amazonas, José Melo (Pros), e representantes da Cosama e da Manaus Ambiental anunciaram, em junho, medidas para minimizar os problemas provocados por conta da interrupção no abastecimento de água em vários bairros. Dentre elas, a ampliação do atendimento das zonas cobertas pelo Proama, com aumento da vazão do complexo de produção da Ponta do Ismael, na Compensa, em mais de 500 litros de água por segundo, em cada estação de tratamento, permitindo o abastecimento de 300 mil pessoas dos bairros de São José, Mutirão e Cidade de Deus.

Também foram reativados poços artesianos e disponibilizados caminhões-pipa para atender a população.  Apesar disso, independente de o fornecimento ser responsabilidade ou não do Proama, muitas famílias ainda padecem com a falta de água em suas residências na Zona Leste.

Peleja diária

Sem água nas torneiras, as donas de casa Ana Paula Lemos Barbosa e Naiane Brito fazem uma peregrinação diária ao poço artesiano mais próximo das casas delas, no bairro Armando Mendes, Zona Leste, e assim garantir a água para fazer as refeições da família, beber e lavar. Essa ida tem a ajuda dos filhos, que tem idades entre dois e seis anos.

Nesta semana, A CRÍTICA encontrou as famílias  levando água para casa debaixo de sol forte, perto de 12h e sob temperatura de 34 graus. As crianças, mesmo pequenas, carregavam garrafas PET, de 2 litros cada, por todo o caminho, sem reclamar,  habituadas a ajudar. Inclusive a de dois anos levava uma garrafa cheia e pesada, apesar da sua idade. As mulheres moram na rua D, do bairro Armando Mendes, e lá, a água só chega no final da tarde ou à noite, por pouco tempo, e às vezes não vem. “A gente passa o dia sem água, por isso temos que vir aqui (no poço artesiano) duas vezes por dia”, explicou Ana Paula. Naiane lembrou que a água, quando chega, “não demora muito”.

Luz no fim do túnel na Sharp

Na comunidade da Sharp, na rua Panasonic, também na Zona Leste, os moradores registram falta de água constantemente. “Mas acho que é porque falta muita luz e por aqui tem poço da Manaus Ambiental acionado por energia elétrica. E se não tem luz, o poço não funciona e aí ficamos sem água”, reclamou a cozinheira Francisca Gomes, 33, moradora há 12 anos da rua Panasonic. “A gente chega à noite do trabalho e não tem água para tomar um banho! Isso é muito ruim”, acrescentou.

A Manaus Ambiental informou ontem que o bairro Armando Mendes é abastecido pelo Macro Setor Hidráulico São José, por meio  da Estação de Tratamento Ponta das Lajes (Proama). A concessionária já programou uma vistoria técnica, nesta semana, para identificar o motivo do desabastecimento na área, fundada a partir de uma invasão de terrenos particulares ainda nos anos 90 do século passado.

Em relação à comunidade da Sharp, a Manaus Ambiental informou que até o final deste ano o bairro será integrado ao sistema do Proama.

Personagem: Aposentada e moradora Francisca M. Barreto

“Mudam de nome, mas água que é bom...”

Moradora da avenida do Contorno, bairro Armando Mendes, Zona Leste,  Francisca Moreira Barreto, 72, tem uma situação ainda mais complicada. Sem água na  casa dela, Francisca  e a família são obrigadas a recorrer à vizinha, que recebe água regularmente. Tanto a aposentada, quanto as duas donas de casa, não sabem se recebem água da rede do  Proama ou da Manaus Ambiental. “Eles mudam tanto de nome, que a gente não consegue nem gravar. Mas o principal, que é a água, não chega na minha casa. Eu tenho que pagar para encher meus baldes na vizinha”, contou Francisca. São quatro baldes por dia e ela paga uma taxa de R$ 20 por mês. Junto com a aposentada, moram mais quatro pessoas e todas utilizam essa mesma água para o consumo diário. “É uma luta para economizar água quando está muito quente”, acrescentou.