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Alunos fazem faxina para abonar faltas em escola da Zona Oeste

Faxina proposta pela direção foi aprovada por alguns pais e alunos, mas outra parte reclama e diz que houve excesso

Equipe de A Crítica flagrou alunos durante faxina na escola

Equipe de A Crítica flagrou alunos durante faxina na escola (Euzivaldo Queiroz)

Os alunos que estão em recuperação da escola estadual Adelaide Tavares de Macedo, na avenida Desembargador João Machado, bairro Alvorada, Zona Oeste,  estão limpando a escola desde a segunda-feira  em troca do abono de faltas .

Segundo alunos, a maioria dos pais e responsáveis não foram informados sobre a iniciativa da diretora em abonar faltas após a limpeza das salas.

De acordo o aluno do 3º ano André Felipe Figueiredo, 18, na última terça-feira, eles  foram obrigados a limpar com gasolina  as cadeiras pichadas,  o que levou  pelo menos duas alunas a passarem mal com cheiro do combustível.

André diz que durante o ano acumulou 218 faltas, pois cada dia de aula  perdido significa cinco faltas, porém ele explica que os atestados médicos apresentados e os dias que ele representou a escola nos jogos escolares não foram abonados pela direção. Para a mãe de Andre, Elzinete Figueiredo, 38, a atitude da gestora ultrapassou o limite do bom senso, pois segundo ela essa não é a primeira vez que acontecem conflitos entre a direção da escola, os pais e alunos.

Segundo a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) o aluno para não ser reprovado por falta precisa ter 75% de presença em cada disciplina.

A vendedora Keully Cristina Farias, 35, mãe da aluna, Eliza Gabriele Farias, 17, do 2º ano conta que precisou intervir pela filha várias vezes na escola por que a diretora é intransigente e não considera a opinião dos alunos e pais. Ela  explica que no ano passado precisou transferir a filha para o turno da manhã por que a menina conseguiu um estágio, mas diretora não queria trocá-la de horário. “Precisei brigar para conseguir mudar minha filha de turno”, acrescentou Keully.

Professores, que não quiseram se identificar, contaram que constantemente há conflitos entre os pais e a direção. Segundo o professor Artur Silva (nome fictício), durante a reunião de entrega de notas na última semana foi colocado em votação a alternativa levantada pela diretora para abonar faltas. “Os pais decidiram pelo abono, mas se eles acham que esse tipo de educação é a correta não  cabe a nós dizer”, disse o professor.

Para alguns alunos que fazem parte do grupo em recuperação a atitude da diretora, Elizabeth Lacerda é correta, pois os próprios alunos sujam a escola e, portanto, devem limpar.

Limpeza faz parte da socialização

Em nota a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informou que a realização do mutirão de limpeza realizado ao final do ano letivo na escola  Adelaide Tavares de Macedo faz parte de um projeto de sensibilização para a conservação do espaço público e mobiliza os estudantes que aderem de forma voluntária ao ato.

Apesar de a diretora Elizabeth Lacerda dizer que apenas ela conseguiria abonar falta,  a nota da Seduc diz  que a participação na ação de sensibilização pela conservação do espaço escolar não está associada à obtenção de médias, abono de faltas ou benefícios similares aos alunos. 

A Seduc acrescentou o lançamento de nota e faltas dos alunos da rede estadual de ensino é feita pelo próprio professor no Sistema de Gestão Escolas do Amazonas (Sigeam) e, portanto,  é inviolável, além disso uma equipe será enviada até a escola para verificar a situação e caso seja constatado qualquer irregularidade os responsáveis serão penalizados.

Acordo com pais

A diretora da escola Elizabeth Lacerda informou que a limpeza da escola foi feita em comum acordo com pais durante reunião para entrega de notas. A diretora acrescentou ainda, que somente ela pode abonar as faltas e essa foi a forma encontrada para ajudar os alunos. Ao ser questionada se a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) estava ciente da compensação a diretora a mesma informou que sim e que estava agindo de acordo com os pais.

 Chamada

Depois da chegada de A CRÍTICA os alunos foram levados para as salas de aula para responder a presença e em seguida liberados. Na opinião de um professor, os alunos que não possuem a presença exigida deveriam ser reprovados.