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Fragilidade portuária em foco na Campanha da Fraternidade 2014

Porto da Manaus Moderna é um símbolo das vulnerabilidades que facilitam o tráfico de pessoas no Estado do Amazonas

Campanha da Fraternidade alerta para um crime ‘invisível’, afirma dom Sérgio

Campanha da Fraternidade alerta para um crime ‘invisível’, afirma dom Sérgio (Antonio Menezes)

O porto de Manaus Moderna, no Centro, é a área mais vulnerável para o tráfico de pessoas na cidade, segundo a Arquidiocese de Manaus. O porto é um dos 76 pontos vulneráveis identificados só no Amazonas. Os dados foram divulgados pela Arquidiocese de Manaus durante o lançamento da Campanha da Fraternidade, na última quarta-feira, que tem como tema “Fraternidade e tráfico humano”.

O lançamento da campanha foi realizado estrategicamente na frente da Manaus Moderna e nos fundo do mercado municipal Adolpho Lisboa para chamar atenção da sociedade. “Na frente do porto porque é de onde partem as pessoas e nos fundos do mercado porque as pessoas estão sendo tratadas como mercadoria”, explicou o padre Geraldo Ferreira Bendaham, coordenador da campanha.

Segundo o arcebispo metropolitano de Manaus, dom Sérgio Castriani, ao contrário do aeroporto e rodoviária que só permitem viagem mediante identificação e acompanhamento de responsáveis, no caso de jovens, não há um sistema de controle efetivo para o transporte de passageiros na Manaus Moderna, seja para menores ou maiores de 18 anos. Qualquer pessoa com má intenção que quiser traficar outra pode levá-la em uma embarcação sem ser incomodada. Essa brecha, ressalta Castriani, é aproveitada por aliciadores. “Essas situações de opressão estão debaixo dos olhos e não são denunciadas. O problema está muito perto de nós. Acontece em comunidades ribeirinhas, nos portos e barcos de recreio. A sociedade precisa abrir os olhos. É um crime invisível praticado por pessoas violentas”, disse.

Para dom Castriani, a rede de tráfico humano existe em todo o mundo. Ela é formada por vários grupos criminosos para exploração sexual e trabalho escravo usando sempre aliciadores. São pessoas de boa aparência que usam argumentos convincentes e promessas de realização de sonhos que acabam encantando as vítimas. Algumas pessoas abandonam seus lares enganadas e quando chegam ao destino descobrem um cenário de desespero.

A mesma vulnerabilidade é encontrada em comunidade ribeirinhas onde há pouco ou nenhuma presença do Estado. O arcebispo chama atenção para a facilidade dos traficantes de pessoas para sair do Amazonas com vítimas. “Temos quilômetros de fronteira com países vizinhos sem fiscalização. Todas essas rotas podem se são usadas pelo tráfico humano que levam as vítimas para outros países e ninguém tem mais nenhuma informação delas”, disse.

Campanha contra exploração

A preocupação com a exploração sexual, em Manaus, aumenta com a proximidade da Copa do Mundo, que será realizada em junho. A rede “Um Grito pela Vida”, grupo da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), está preparando uma campanha chamada “Pro Copa” para antes e durante o campeonato mundial de futebol.

Segundo a coordenadora da rede em Manaus, Nilda Nair Reinehr, o intuito é combater a exploração e evitar que mulheres e crianças sejam oferecidas para estrangeiros por aliciadores. O trabalho será realizado em parceria com órgãos que terá, entre outras abordagens, distribuição de material informativo em portos, aeroportos e na rodoviária. “Em qualquer comunidade que vamos, há pessoas que ouviram falar, passaram ou sofrem o problema ou têm alguém na família nessa situação”, relatou .

Segundo ela, no dia 7 de maio, a rede vai fazer um seminário, em Manaus, sobre o tráfico humano, com destaque para a Região Norte e para o Amazonas. O Seminário marcará o lançamento da campanha Pro Copa 2014.

Frente a Frente

Arcebispo de Manaus - Dom Sérgio Castriani

“A pior coisa é a impunidade”

“A verdade dói e é por isso que o tráfico humano, mas principalmente a denúncia que pode ajudar a acabar com esse tipo de crime, é difícil de ser encarada de frente. A denúncia de tráfico humano pode ter consequência. No caso do tráfico humano e do trabalho escravo, qualquer denúncia fere interesses de gente poderosa e as pessoas que sofrem ou sabem desses crimes têm medo de denunciar, de se expor e se comprometer. E por esse medo, os criminosos permanecem em punes. Só quando os criminosos tiverem certeza que pagarão pelos crimes eles vão parar. A pior coisa que pode acontecer com as vítimas é a impunidade de seus agressores. Sabemos que isso acontece em todos os crimes, mas no tráfico humano é pior porque acontece com pessoas que têm o estado psicológico fragilizado com tamanha agressão. O Estado possui fronteiras pouco vigiadas. É fácil passar”.

Coord. da Campanha da Fraternidade - Geraldo Bendaham

“Realidade invisível”

“O tema de tráfico humano está sendo tratado pela Campanha da Fraternidade porque é uma realidade invisível no Brasil. Todo mundo sabe que acontece, viveu ou ouviu falar, mas não enfrenta porque tem medo de se expor e sofrer o risco da violência das redes criminosas que estão por trás desse crime. A sociedade não pode aceitar que pessoas sejam tratadas como mercadorias, simples produtos vendidos ou trocados por quem comete esse crime. É uma visão completamente errada. De fato existem pessoas que têm a liberdade e dignidade roubadas. O porto da Manaus Moderna tem uma grande vulnerabilidade. Meninas são levadas nos barcos de recreio por pessoas que os responsáveis pelas embarcações não pedem a identificação. Quem garante que algumas delas não estão sendo traficadas? É uma grande brecha que precisa ser resolvida”.