Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Lixo jogado por moradores ameaça nascente de rio localizado no residencial Viver Melhor

A exemplo do que aconteceu com igarapé na 1ª etapa do Viver Melhor, curso d’água na 2ª parte está ameaçado pela poluição deixada pelos moradores

Assim como na 1ª etapa do residencial, moradores da 2ª etapa do conjunto transformaram o igarapé que passa perto das casas em um balneário

Assim como na 1ª etapa do residencial, moradores da 2ª etapa do conjunto transformaram o igarapé que passa perto das casas em um balneário (Márcio Silva)

Uma nascente de água doce localizada numa área verde, na segunda etapa do residencial Viver Melhor, na Zona Norte, foi transformada em balneário e corre o risco de desaparecer com a degradação de moradores. O local, que recebeu o nome de “Geladinho” em alusão à temperatura da água, tornou-se a “sensação” do residencial, atraindo dezenas de pessoas aos finais de semana. No entanto, é uma história que os moradores da primeira etapa do residencial, entregue em dezembro de 2012, conhecem bem.

“A história vai se repetir porque o povo não tem consciência. Aqui mora gente de todas as zonas da cidade e muitas vieram com a mentalidade de porco, de jogar lixo pela janela, poluir igarapés e todo tipo de falta de educação”, disse a confeiteira Telma Vieira, 36.

A declaração de Telma reflete o que houve na primeira etapa do residencial, onde há uma nascente que foi degradada. O local também passou a ser usado pelos moradores como balneário. Eles faziam churrasco à beira do igarapé, lavaram roupas, entre outras atividades. Entretanto, em poucos meses, o local, antes bonito e limpo, ficou sujo e poluído com latas e garrafas de refrigerante, plástico, entre outros materiais que foram deixados no local. “O povo não sabe usar, não sabe o que é preservar. O que custa a pessoa que vai em busca de lazer colocar o lixo numa sacola, levar para casa e depois jogar na lixeira?”, questiona a estudante Patrícia Vieira, 17.

Cena comum aos sábados e domingos é encontrar moradores se divertindo no “Geladinho”. O churrasco é comunitário e com direito a música. Até uma banca onde são comercializados de bronzeadores a salgadinhos foi construída na frente do balneário para atender os frequentadores.

O “Geladinho”, como os moradores preferem chamá-lo, abriga espécies de pequenos peixes que também passaram a ser alvos de brincadeiras de crianças. “A molecada fica brincando de jogar pedra nos peixinhos. Alguns que são acertados morrem e ficam lá mesmo”, contou o ambulante Henrique Silva, 42, morador da segunda etapa.

O local é cercado por buritizeiros que estão cheios do fruto. Os moradores passaram a colher buritis e comercializá-los no próprio residencial. No alto de um dos buritizeiros foi amarrada uma corda de onde crianças se balançam até se jogarem na água.

Semmas desconhecia o problema

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que não tinha conhecimento da existência da nascente, no residencial Viver Melhor. A secretaria se comprometeu a enviar uma equipe de Educação Ambiental ao local.

Por se tratar de uma área pública e verde, segundo a secretaria, deve ser preservada, tendo em vista o fato das nascentes serem protegidas por lei. De acordo com a Semmas, não existe impedimento de acesso ao local, mas é preciso que haja um cuidado em não degradar, sendo importante para isso um trabalho de sensibilização ambiental para evitar a degradação. “As áreas verdes têm fundamentalmente a função de manter o microclima e oferecer também lazer aos moradores, sem que haja degradação”, destacou a secretaria.

A CRÍTICA tentou falar com a bióloga Domitila Pascoaloto, da Coordenação de Pesquisas em Clima e Recursos Hídricos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), por meio dos telefones 3643-31XX e 8145-19XX, mas não obteve contato. A bióloga desenvolve uma pesquisa e coleta de amostras para identificar a alteração hidrológica de igarapés localizados na bacia do Tarumã e próximos ao residencial Viver Melhor.

Área em terras públicas e privadas

O igarapé faz parte de uma área pública no limite de uma propriedade particular. Apesar da fronteira com o terreno privado, a maior parte do igarapé fica dentro da área pública. Constantemente, crianças e adolescentes que vão ao igarapé do “Geladinho” ultrapassam a cerca de arame farpado e invadem o terreno particular.

Balneabilidade

Embora a água pareça limpa, não há estudos que comprovem que esteja livre de impurezas que causem doenças. Nas duas últimas semanas, por exemplo, mães cujos filhos tiveram contato com água reclamaram que eles apresentaram febre, vômito e diarréia. “Não sei se foi coincidência, mas a maioria das crianças que tomaram banho no Geladinho ficaram com diarréia e febre. Meu filho ficou assim, o filho da minha vizinha e do pessoal dos apartamentos debaixo também”, disse a doméstica Maria José Oliveira, 35.