A dona de casa atendida pelo programa municipal “Leite do Meu Filho” – responsável por trocar latas de leite doadas pela Prefeitura Municipal de Manaus (PMM) e que estavam sendo comercializadas em um Mercadinho da Zona Leste de Manaus – prestou esclarecimentos no 25º Distrito Integrado de Polícia (DIP).
Em depoimento, a dona de casa justificou que a filha de 1 ano e 11 meses havia ficado doente após não se adaptar ao tipo de leite doado pela. O nome da mãe não foi revelado pelo delegado.
De acordo com o delegado Adriano Félix, a dona de casa de 25 anos confirmou a versão sobre a troca de latas de leite do programa de nutrição infantil apresentada pelo proprietário do Mercadinho Super Ceará, André Ribeiro, de 28 anos.
Na última quarta-feira (13), a equipe de reportagem do acritica.com flagrou a comercialização no estabelecimento das latas de leite Nestogeno 2, pelo valor de R$14,50 cada.
“A mãe declarou que desde os dezenove dias de vida, a criança era acostumada a tomar o leite da marca Ninho, justificando que apenas o leite materno não a sustentava. Ela passou a ser beneficiária do programa no mês de dezembro do ano passado, quando recebeu quatro latas do leite Nestogeno, mas a criança passou mal após a ingestão do produto", disse o delegado.
A menina teve diarréia e dores fortes na barriga, fato que fez com a mãe a levasse até o Pronto Socorro da Criança ‘Joãozinho’, também na Zona Leste.
Ainda segundo ela, o proprietário apenas trocou as latas para ajudá-la, após insistir com o mesmo que não queria trocar, pois sabia que seria ilegal vender para tirar o lucro sobre as latas dadas a mãe. Questionada sobre a possibilidade de trocar o leite no próprio programa de nutrição, a mulher disse que não sabia que poderia realizar a trocar as latas doadas pela prefeitura.
A beneficiária recebeu nos meses de dezembro e janeiro as latas de leite, mas as repassou a uma vizinha. Em fevereiro, o marido da dona de casa incentivou que ela fosse ao mercadinho tentar trocar os produtos, pois se desse novamente a vizinha, não teria dinheiro para comprar o leite.
“Ouvimos a primeira mãe e na segunda-feira vamos ouvir a irmã da dona de casa que também trocou quatro latas de leite no comércio. Vamos verificar o porquê dela também ter trocado os produtos”, justificou Félix.
Serviço
O secretário municipal de saúde Evandro Melo informou que o programa ‘Leite do Meu Filho’ fornece gratuitamente quatro tipos de leite, entre eles o Nestogeno 1 e 2 e o Ninho 1 e 2 para criança pertencentes às famílias de baixa renda da capital. Segundo ele, as mães deveriam ter procurado a Unidade Básica de Saúde (UBS) onde foram inscritas para informar a não adaptação das crianças ao leite.
“A Semsa realiza a troca do tipo de leite de acordo com o posicionamento do pediatra, por isso todas as crianças realizam o acompanhamento médico para se detectar problemas e necessidades que possam prejudicar o seu desenvolvimento e nutrição”, relatou Melo.
O responsável pelo beneficiário do programa deve marcar uma consulta com o pediatra na unidade de saúde onde foi cadastrada ou onde já realiza o acompanhamento médico para informar a situação da criança. O pediatra vai verificar as circunstâncias de cada caso e solicitar a troca do leite.
Especialista
O médico pediatra Carlos Eduardo Nazareth questionou o argumento dado pela mãe da criança na delegacia e condenou o fato da dona de casa ter dado o leite Ninho à criança aos 19 dias de nascida. Segundo ele, o leite doado pela prefeitura tem a formulação mais aproximada do leite materno e a criança teria que passar por uma fase de adaptação.
“O leite Ninho tem a composição nutricional mais forte e não há problemas em trocar o leite pela outra marca que inclusive é mais parecido com o leite humano. Algumas alterações podem ser verificadas no sistema imunológico da criança, mas a mãe pode continuar dando o leite até que a criança se acostume com o novo leite”, finalizou o pediatra.