Moradores de um prédio com quitinetes na rua Jorge Berg, localizada na Vila Amazonas, receberam na manhã desta segunda-feira (11) a visita de uma equipe da Defesa Civil Municipal, que interditou parcialmente o prédio de três andares do qual uma das lajes cedeu na noite de domingo (10). A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), também esteve no local, orientando as famílias sobre o procedimento de saída da área.
No local, aproximadamente 30 famílias residiam e pagavam um aluguel de R$ 350. Os moradores vivem expostos ao risco, no meio do esgoto aberto, paredes com infiltração e rachaduras nas paredes e passagens, parapeitos apoiados em madeiras de perna-manca e fios de energia desencapados à mostra. Os inquilinos têm um prazo de 48 horas para alugar ou arrumar uma nova moradia.
De acordo com a dona de casa Renata Barbosa, 23, ela vive há 3 anos com o marido e três filhas no local e sempre reclamou para o proprietário das inúmeras infiltrações nas paredes e tetos da pequena quitinete.
“Eu não tenho para onde ir com a minha família, o meu marido saiu para vender DVDs para tentarmos conseguir o dinheiro e alugar uma casa em outro lugar”, disse.
Em todos os quartos, o esgoto passa por dentro da cozinha e exala um forte odor constantemente. Nas quitinetes localizadas no segundo e no terceiro andar do prédio, os canos ficam expostos e os dejetos acabam caindo em um córrego formado ao lado do prédio. Durante as chuvas, todas as casas do primeiro piso ficam alagadas. Veja fotos aqui.
“Eu não posso nem abrir a minha janela por causa do esgoto jogado das casas de cima. Aqui fede demais e os moradores já pediram para o dono reformar o local, mas ele só quer o pagamento do aluguel”, relatou a auxiliar de cozinha Iza Oliveira, 32, que mora no prédio com o marido e dois filhos. Iza disse ainda que a família já ficou doente com doenças respiratórias por conta do mofo dentro dos quitinetes e micose ocasionada pelo esgoto exposto.
Segundo o proprietário Carlos Gomes, 60 anos, uma reforma completa estava prevista neste ano e, agora, o próximo passo é ressarcir o pagamento dos aluguéis realizados este mês e ajudar no transporte dos móveis. Questionado sobre os problemas apontados pelos moradores, o proprietário preferiu não se pronunciar.
Um laudo realizado pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil deve sair até a próxima quinta-feira (14) e deve apontar se a interdição da propriedade será parcial ou total. A Semasdh e a Defesa Civil se prontificaram em ajudar os moradores com o transporte na mudança dos móveis das famílias, que devem procurar um novo local para viverem.