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Moradores da Zona Leste inauguram primeira linha de transporte coletivo fluvial de Manaus

Iniciativa pioneira de moradores e empresário tira do papel promessa antiga e inaugura transporte fluvial urbano na Colônia Antônio Aleixo


Além de economizar tempo e fugir dos transtornos do trânsito e dos ônibus, os passageiros desse novo modal ainda podem apreciar a vista do Encontro das Águas

Além de economizar tempo e fugir dos transtornos do trânsito e dos ônibus, os passageiros desse novo modal ainda podem apreciar a vista do Encontro das Águas (MARCIO SILVA)

Os moradores do bairro Colônia Antonio Aleixo, na Zona Leste, passaram a contar com a primeira linha de transporte coletivo fluvial de Manaus, no sábado, por iniciativa da própria comunidade. O “grito de liberdade” para acabar com a dependência dos ônibus do transporte coletivo foi dado pelos moradores que elaboraram um projeto e procuraram a iniciativa privada para torná-lo realidade.

O maior desafio foi convencer todos que a ideia daria certo. Porém comunidade e o empresário dono da embarcação abraçaram a proposta.

Os moradores dependiam exclusivamente da linha 604 do transporte coletivo para chegar ao Centro, numa viagem que dura entre 1h30 e 2 horas, em meio a congestionamentos, principalmente em horário de pico. A outra linha que atende o bairro é a 085 que vai para o Terminal 5, no São José. Além da lotação, os moradores enfrentam desconforto e panes mecânicas nos coletivos que aumentavam ainda mais a duração da viagem. Desde sábado, eles passaram a contar com a opção de uma embarcação modelo “a jato” que faz o percurso em 30 minutos e tem capacidade para 43 passageiros.

Ao invés de ir ao Centro em pé e espremidos nos coletivos, os moradores vão sentados em poltronas reclináveis, admirando a orla de Manaus, num ambiente climatizado que conta com quatro TVs, banheiro e até café da manhã na embarcação.

O preço da passagem é R$ 10, ou seja, R$ 7,25 maior que a tarifa de ônibus atual de R$ 2,75, mas os moradores afirmam que o valor compensa pelo conforto e menor tempo de viagem. Uma corrida de táxi da Colônia Antônio Aleixo até o centro custa cerca de R$ 80 na bandeira 1. Alguns mototaxistas que atuam no bairro chegam a fazer o trajeto por R$ 50.

No papel

O transporte fluvial como alternativa viável para a mobilidade urbana da capital esteve nas propostas de candidatos a prefeito, pelos menos, nos últimos 12 anos. No entanto, sequer chegou a se tornar realidade, em função de interesses de agentes públicos em manter a exclusividade de transporte para empresas de ônibus. A população do bairro Colônia Antonio Aleixo provou que a alternativa fluvial é viável.

A Colônia Antonio Aleixo é composta por nove comunidades. A lancha a jato vai partir de domingo a domingo do terminal da comunidade 11 de Maio, fará uma parada para pegar passageiros no porto da comunidade Nova Esperança e outra na comunidade Bela Vista até seguir para o Centro, onde atracará no “terminal do a jato”, na Manaus Moderna. No primeiro momento, apenas uma embarcação que fará o trajeto de hora em hora. Caso a demanda aumente, outra lancha a jato com capacidade para 60 pessoas será inserida no transporte fluvial.

Lancha foi a ‘sensação’ no bairro

No sábado, a lancha foi alvo de curiosidade de muitos moradores da Colônia Antônio Aleixo desde que chegou ao terminal da comunidade 11 de maio. A maioria aproveitou para conhecer a embarcação e prometeu utilizar o serviço. Poucos, porém, embarcaram na linha inaugural, que saiu às 9h rumo ao Centro. O industriário Leonildes dos Santos, 34, precisava resolver algumas pendências na área central de Manaus. Ele aprovou o meio de transporte e o preço cobrado. “O ônibus coletivo aqui é muito ruim. E quem mora no começo do bairro sofre mais. Geralmente as pessoas vem pegar o 604 aqui no terminal do 11 de maio. Quando o ônibus chega lá no começo da Colônia, ele passa direto, pois já está lotado. Pagar R$ 10 pra ir em um conforto desses é ótimo”, disse. Já para a estudante Sabrina Vaz, 18, o percurso virou um verdadeiro passeio turístico. “Ficar parado no trânsito é um estresse muito grande e você perde muito tempo. Na lancha, além da rapidez, eu ainda posso admirar a paisagem e o encontro das águas. É outro clima”, enumerou.

Blog

Paulo Assis de Souza - motorista de ônibus

Sou motorista da linha 604 há sete anos e vejo diariamente a dificuldade da população para chegar ao Centro em quase 1h30 no trânsito congestionado. Moro há 24 anos no bairro e tinha o desejo de ajudar as pessoas com uma opção de transporte melhor. Muitas vezes chamamos os empresários transporte para reunir com a comunidade e discutir melhorias, mas não tivemos retorno. Chegar ao Centro é um sofrimento para dona de casa, idoso, criança e as pessoas que têm hanseníase na Colônia. Cansamos de políticos que só vêm aqui em época de eleição e depois desaparecem. Quando o político quer, ele faz. O povo merece sair do sofrimento. Depois que divulgamos, a aprovação foi geral. Distribuímos 3 mil panfletos e anunciamos num carro de som para todos que soubessem no bairro. Até os médicos do SPA que moram no Centro disseram que vão deixar o carro em casa e vir na lancha.

Em números

1h30 é a redução de tempo que embarcação a jato dará aos moradores do bairro Colônia Antonio Aleixo até o Centro.

Quem optar pelo transporte fluvial pagará R$ 10, irá usufruir de conforto, segurança e serviço de bordo na lancha.