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Ruas de Manaus não refletem a realidade de seus nomes

A cidade tem sido pródiga em batizar logradouros com nomes pomposos que em nada ou quase nada refletem o que existe de real neles. População sequer se dá conta deste fenômeno linguístico

Lixo, mau cheiro e excluídos dormindo no meio da rua são o retrato de uma região que traz Moderna no nome

Lixo, mau cheiro e excluídos dormindo no meio da rua são o retrato de uma região que traz Moderna no nome (Lucas Silva)

Estrada do Futuro, Feira e Porto da Manaus Moderna, Bairro da Paz e Centro Histórico são exemplos de logradouros bem conhecidos dos manauenses, mas que nem de longe combinam o nome de batismo com a realidade vivenciada no cotidiano das pessoas que por eles passam.

Na estrada do Futuro, bairro Planalto, Zona Centro-Oeste, os buracos, a falta de calçadas e o abandono do canteiro central não sinalizam a existência de uma avenida futurista que em tese deveria representar o avanço e desenvolvimento. Essa via, na realidade, tem deixado os moradores revoltados, pois parece hoje mais um ramal do tempo da colonização.

Segundo a dona de casa, Maria Cristina Souza, 33, as crateras causaram diversos acidentes, além dos prejuízos para os proprietários de veículos que precisam fazer a manutenção com mais frequência.

No Centro, a Feira Manaus Moderna também não combina a modernidade sugerida pelo nome com a realidade dos fatos. No local, o lixo, o mau cheiro e moradores de rua fazem parte do dia-a-dia dos feirantes e consumidores que não estranham mas esses detalhes.

De acordo com empresária, Tereza Silva, 56, assim como as pessoas tem se acostumado com a violência o convívio com um morador de rua ou com o lixo passa despercebido aos olhos da multidão. “Infelizmente as pessoas estão acostumados a pensar somente em si mesmo”, declarou a empresária.

No bairro Compensa, a rua Paraíso em nada define o significado da palavra descrito na bíblia. Os moradores reclamam dos assaltos e do tráfico de droga, que têm feito muitos jovens vitimas desses problemas.

Também no bairro Compensa, a feira Modelo da Compensa em nada pode ser considerada um modelo a ser seguido. No local goteiras e a falta de organização dos ambulantes de fora não servem de padrão para outras feiras.

O Centro Histórico de Manaus que deveria ter sido preservado para que o povo não esquecesse suas origens hoje encontra-se praticamente todo deteriorado.

Prédios que fizeram parte do passado e que deveriam ter sido preservados para contar a nossa história, estão fazendo parte do esquecimento, como é o caso do prédio do hospital Santa Casa de Misericórdia que por anos foi uma das principais maternidades da cidade e está completamente deteriorado e comprometido. E há ainda o prédio do Cabaret Chineló, na rua Bernardo Ramos.

No Centro Histórico, a história da cidade e de seus habitantes se perde em imóveis, como os do complexo Booth Line, abandonados pelos proprietários

Batismo é para atender finalidades

 O historiador Antonio Loureiro acredita que as denominações são dadas em uma determinada época e acabam perdendo a finalidade com o passar dos anos. Isso acontece por vários fatores, porém o que não deve ser esquecido é a história e o que esse locais representam.

Loureiro lembra da ladeira na rua Saldanha Marinho, que durante muitos anos foi conhecida como “ladeira quebra bunda”, mas que com o passar dos anos o nome se perdeu.

No bairro de Flores, Zona Centro-Sul, onde o nome sugere a existência de um “jardim”, o que mais podemos ver são construções e a falta de jardins floridos e árvores.

Segundo Antonio Loureiro, o bairro recebeu o nome de Flores por que era o sobrenome de um homem influente na época, porém no local quase nenhuma flor pode ser vista. E a arborização pública é bastante pobre.

Mais

Outro lugar batizado com um nome que não orna com a realidade é o bairro da Paz, que durante muitos anos foi um dos que mais deram trabalho para as forças de segurança. Ruas também sugerem realidades diversas das encontradas pelos moradores, como é o caso da rua Natal, na Compensa.