Os médicos pertencentes à rede municipal de Saúde do município de Coari (a 363 quilômetros de Manaus) estão em estado de greve. Segundo eles, a prefeitura do município não disponibiliza aos profissionais da cidade suprimentos mínimos para a execução de atendimentos ao pacientes.
A falta de investimentos no setor de saúde em Coari, já teria até resultado no óbito de uma paciente na semana passada. De acordo com o médico de pronto atendimento de Coari, Ecir Ferreira Mendes, a falta de suprimentos – que vão de soro fisiológico a dipirona – é a ‘ponta do iceberg’ de uma situação caótica vivida pela população local.
Servindo para pronto-atendimento o Hospital Regional de Coari, que atende uma demanda de 250 a 300 pacientes ao dia, apresenta problemas estruturais e falta de equipamentos, como o desfibriladores.
“Semana passada perdemos uma moça porque simplesmente o ventilador mecânico entrou em pane e não pode controlar o seu estado térmico. Em três conversas com os representantes da prefeitura, mostramos a eles que a situação é extrema, chegamos a ficar sem material até para pontear os ferimentos dos atendidos”, ressaltou o médico, que também alerta para a precariedade no atendimento médico das comunidades ribeirinhas.
Segundo Ecir Mendes, ao menos 204 comunidades rurais de Coari são praticamente excluídas do sistema de saúde. “Estamos pedindo a criação de uma equipe multidisciplinar, além da disponibilização de um barco/ lancha que possa nos levar até esses locais que por questões geográficas ficam impossibilitadas de receber um maior alcance dos atendimentos”, frisou.
Atraso salarial
Os problemas com atraso no pagamento dos médicos de Coari também fazem parte da lista de reivindicações. Segundo denuncia feita a reportagem do Portal acritica.com, ao invés de receberem as correções salariais anuais, a classe foi contemplada com redução salarial de até 20%.
“Em uma decisão absurda, arbitraria e ilegal eles reduziram nossos salários. Se não bastasse isso, eles ainda não cumprem com as datas de depósito”, protestou, lembrando que quatro dos 40 profissionais que se colocaram contra as medidas da prefeitura foram recentemente desligados de seus cargos.
Pronunciamento da prefeitura
O prefeito de Coari, Arnaldo Mitouso afirmou que já esperava essa reação por parte de alguns médicos que antes faziam parte do quadro de contratados da área de saúde e não terão seus contratos renovados. Veja a resposta na integra.
Negociações
O Sindicato dos Médicos do Amazonas (Sieam) está à frente das negociações e alerta para a importância das reivindicações da categoria em Coari.
De acordo com o presidente do sindicato, Mario Vianna, até a próxima semana o impasse deve ter um desfecho. “Vamos esperar o posicionamento oficial do prefeito, também conversaremos com o secretário estadual de Saúde. Mais o fato é que as necessidades existem, e devem ser solucionadas”, analisou.