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Segundo no comando da FDN, ‘João Branco’ é sangue e droga

Atualmente foragido do semi-aberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), por mais de dez anos ele domina o tráfico de drogas em diversos bairros de Manaus

Branco é temido pelos adversários por ter uma característica sanguinária

Branco é temido pelos adversários por ter uma característica sanguinária (Winnetou Almeida)

Considerado um dos maiores narcotraficantes do Estado, João Pinto Carioca, 39, o “João Branco”, também é suspeito de ter cometido pelo menos 20 homicídios, de acordo com as contas da Polícia Civil. Atualmente foragido do semi-aberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), por mais de dez anos ele domina o tráfico de drogas em diversos bairros de Manaus, principalmente no Mauazinho, Zona Leste, e, mesmo de dentro da penitenciária, comandava o tráfico e movimentava milhões de reais mensais com o “negócio”. Mas o que o credenciou para ser o segundo no comando da facção criminosa “Família do Norte” (FDN), que tem como líder o traficante José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”, foi a fidelidade ao grupo e a forma violenta na qual ele mata seus desafetos.

Todas as prisões de Branco foram por tráfico de drogas, sendo a primeira no dia 27 de julho de 2000 pela Delegacia Especializada de Prevenção e Repressão a Entorpecentes (Depre). Ele foi condenado a três anos e três meses de reclusão em regime fechado. Em 19 de junho de 2002 progrediu para o regime semi-aberto e, após dois meses, já estava nas ruas beneficiado com a saída temporária.

O começo do império

De acordo com o delegado titular do 8º Distrito Integrado de Polícia (DIP), George Gomes, João Branco montou seu império da droga no bairro Mauazinho, em 2004. Na época, Gomes era secretário adjunto de Secretaria de Estado da Segurança Pública. “Várias denúncias indicavam que um grupo criminoso se fortalecia no Mauzinho, inclusive ostentando armas à população e decidindo quem entrava e quem saia do bairro. Na época isso não era comum em Manaus”, lembrou o delegado.

Ainda segundo Gomes, não existia facção criminosa, mas grupos, como o do “Zé Roberto da Compensa”, “Bebeto da 14”, e o de João Branco no Mauazinho. Por diversas vezes as policias Civil e Militar tentaram prendê-lo em operações, mas a posição geográfica do bairro dificultava as ações dos policiais. “Durante as investigações a polícia identificou a proteção da população. Já se ouvia falar em assistencialismo, como pagamento de água, energia”, ressaltou.

Em outubro de 2005, a Polícia Federal prendeu João Branco em um porto na área do Tarumã, portando 46 kg de pasta base de cocaína e em maio de 2006 ele foi condenado a 10 anos de reclusão em regime fechado. Em outubro do mesmo ano ele foi transferido para o Presídio Federal de Campo Grande (MS) onde permaneceu até outubro de 2011, quando retorna para o regime fechado do Compaj.

Regalias

 Mesmo preso, João Branco recebia regalias no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). Sua cela tinha o conforto que outras não possuiam, como cerâmica no piso, paredes era pintada em duas cores distintas, ventilador e prateleiras para objetos pessoais. As regalias só vieram à tona após a fuga do traficante, no último dia 18 de março, o que resultou na exoneração, no dia seguinte, do diretor do regime semiaberto do presídio, Marco Antônio Assunção Lima. Informações de fontes dão conta de que não é de hoje que João Branco gozava desse conforto na cadeia.

Saídas

Entre idas e vindas, de setembro de 2012 a janeiro de 2013, João Branco foi beneficiado 10 vezes com saídas temporária do Compaj. No final de janeiro de 2013, ele retornou para o regime fechado por ter cometido falta grave.

Muita violência e tiros na trajetória

No período de 2007 a 2009 traficantes de bairros como Compensa, Santa Etelvina, Mauazinho, fizeram alianças com grandes traficantes, todos vinculados a “Zé Roberto da Compensa”, nascendo, então, a Família do Norte, que surgiu para bater de frente com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

A guerra entre as facções aconteceu porque toda a droga comprada teria que passar pelas mãos dos dirigentes do PCC e depois repassada aos demais membros, o que encarecia o produto, enquanto a FDN comprava a droga direto da Colômbia com preço mais barato. Uma das características da FDN era a utilização de armamento de grosso calibre e até metralhadoras. As poucos, os rivais foram executados e muitos corpos jogados em áreas do Tarumã.

Segundo informações da policia, João Branco é temido pelos seus adversários pela característica sanguinária. Ele ia pessoalmente aos locais dos crimes e executava os seus rivais e tomava a boca de fumo, sempre com muitos tiros para mostrar sua autoridade.

Dentre os crimes de maior repercussão dele está a morte do delegado Oscar Cardoso, com 20 tiros pelo corpo, ocorrida no dia 9 de março deste mês.

Blog: George Gomes - Delegado do 8º DIP

“Na primeira década do século 20 começou a se falar nas facções criminosas que queriam dominar o tráfico no Amazonas. O PCC (Primeiro Comando da Capital) inseriu no Estado todas as suas técnicas de tráfico e de execuções. Os traficantes de Manaus, com medo de perder espaço e ficar subordinados a esse controle, criaram a FDN (Família do Norte), para que eles pudessem manter seu domínio do tráfico de drogas na região. Em Manaus, de 2011 a 2012, houve uma matança “generalizada”, na qual muitas pessoas foram executadas. Era o pessoal da FDN matando quem quisesse se filiar ao PCC. Tudo para não perder o mercado, que é o comércio da droga. O PCC está na ativa, mas não é tão forte quanto a FDN. E o João Branco é um membro forte da Família do Norte”.