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ONG acusa centro de zoonoses de Manaus por maus-tratos

Animais recolhidos pela ‘carrocinha’ estariam sendo mortos indiscriminadamente e maltratados, conforme a ONG ComPaixão

Centro de Zoonoses

Segundo o DVEAM, a estrutura do centro passou por uma reforma no semestre passado. A quantidade de baias, por exemplo, teria passado de 15 para 25 (NEY MENDES )

O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Manaus, localizado na avenida Brasil, Compensa I, Zona Oeste, é acusado de praticar mortes indiscriminadas de cães e maus-tratos aos animais recolhidos pela “carrocinha”. A situação foi constatada, no final do mês passado, pela organização não governamental (ONG) ComPaixão, que acolhe esses animais abandonados e busca adoção responsável.

A ONG afirma que o CCZ precisa de mais estrutura e ajuda da prefeitura. “O que a gente constatou foi que a estrutura do CCZ não é suficiente para que animais, como cães e gatos, possam ser tratados adequadamente. Para nós há poucos profissionais da área de veterinária e funcionários para cuidar dos cães que chegam ao centro”, disse a tesoureira da ComPaixão, Carla Manarte, que realizou uma visita ao CCZ. Um aspecto que não ficou claro à ONG foram os critérios para matar um animal. “Entendemos que se um animal fica muito tempo no centro, de forma isolada, porque representa um perigo à sociedade ou ao dono, ele é sacrificado. Eu penso que o animal deve passar por um tratamento e não ficar isolado”, disse Carla.

 O Departamento de Vigilância Epidemiológica (DVEAM) de Manaus informou, em nota, que CCZ “adota uma política de controle populacional dos animais, através da esterilização” e que a estrutura do centro passou por uma reforma no semestre passado. “A estrutura do CCZ passou por reforma de janeiro a março deste ano. A quantidade de baias (locais onde ficam os cães e os gatos), por exemplo, aumentou de 15 para 25, o que permite manter maior quantidade de animais em observação e por um período mais extenso.” A nota também informa que o CCZ também mantém uma política de estímulo à adoção dos animais e aguarda a realização de concurso público para este ano.

Sobre o número de animais recolhidos ao dia, das ruas de Manaus, o DVEAM não informou. O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-AM), Paulo Alex, afirma que deve haver uma solução para os cães e gatos que estão nas ruas de Manaus. “Temos que encontrar uma solução para os cães e gatos não domiciliados, porque eles podem representar um perigo à população em relação à saúde. Há lugares no Brasil, nos quais os cachorros e gatos, que podem ficar nos domicílios, devem ser castrados. E só cria não castrado quem é dono de canil.

Então, precisamos fazer um controle desses animais por meio da castração ou esterilização, se não vamos ter problemas de doenças”. Ainda conforme o presidente do CRMV-AM, existem muitos animais que vivem nas ruas, mas possuem dono e “os seus donos devem ser responsáveis por seus animais”, concluiu.