Guerra eleitoral no interior do Amazonas é deflagrada

A proximidade das eleições municipais faz aumentar o número de conflitos envolvendo prefeituras do interior e torna mais evidente a guerra pelo controle das prefeituras

A cinco meses das convenções partidárias para as Eleições 2012, a guerra pelo controle do espaço político no interior do Estado se intensifica e revela que o grupo do senador Eduardo Braga (PMDB) e do governador Omar Aziz (PSD) terá trabalho para ajustar aliados na mesma chapa. O prazo para definições de coligações e nomes que estarão nas urnas no pleito municipal deste ano, segundo o Calendário Eleitoral, é 30 de junho.

O presidente do diretório estadual do PMDB, Miguel Capobiango, garante que está longe dos planos do partido perder espaço no interior. Hoje, o PMDB é a sigla mais forte e está no comando de 24 prefeituras.

O secretário-geral do PSD, o advogado Paulo Radin, não traça planos menos ousados: a sigla irá lançar candidatos em pelo menos 56 dos 62 municípios do Amazonas e na maioria será cabeça de chapa.

“Só em 3 ou 4 cidades deixaremos de ter candidato para apoiar outra sigla. Mas na maioria teremos candidato a prefeito na chapa”, assegurou Radin.

A mostra de que PSD e PMDB duelam em alguns municípios é o terceiro maior colégio eleitoral do interior, o município de Itacoatiara.

Enquanto Paulo Radin garante que Mamoud Amed  (PSD) será candidato a prefeito, o deputado estadual cassado Nelson Azedo (PMDB) faz ensaios de candidatura como cabeça de chapa.

A cidade também é foco de conflito com outra sigla “aliada”, o PT, ao qual é filiado o atual prefeito, Antônio Peixoto, que pode concorrer à reeleição.

No maior colégio eleitoral do Estado, Manacapuru, a briga é velada no “alto clero”. Numa ponta está Edson Bessa que, cassado, voltou ao comando da prefeitura no ano eleitoral e no apagar das luzes de 2011.

Tudo graças a uma decisão liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, nos bastidores, é atribuída ao forte lobby feito por Braga em Brasília.

Já no outro polo da disputa em torno do comando da chamada “Princesinha do Solimões” está Ângelus Figueira (PV), que, no dia em que foi afastado do cargo, passou a manhã na casa do governador Omar Aziz em busca de apoio político. Paulo Radin disse que em Manacapuru o PSD só vai subir no palanque em setembro.

Em Nhamundá, soma-se aos conflitos entre as siglas divergências familiares. O prefeito Mauro Paulain (PSD) se mostra mais propenso a apoiar o sobrinho da primeira-dama que o sobrinho dele Israel Paulain (PMDB).

Cenário distorcido
As distorções no cenário político do interior do Estado ficaram latentes, em setembro, no prazo final para filiações partidárias aos interessados em disputar o pleito de 2012. Ávidos pelo apoio do grupo de situação, adversários políticos debandaram para o recém-criado PSD, do governador Omar Aziz. Outros inimigos se posicionaram no PMDB.

Corte na própria carne
Conscientes que o tempo para viabilizarem as candidaturas locais em 2012 se esgota, os políticos no interior intensificam conflitos e denúncias.

O corte, em algumas cidades, terá que ser feito na própria carne. É o que ocorre no município de Tapauá.

O prefeito em exercício há mais de um ano e presidente da Câmara Municipal de Tapauá, Carlos Gonçalves (PMDB), declarou-se pré-candidato antes de ser preso na última semana. Só que o colega de partido, José Guedes, o Zezito, que também é do PMDB pleiteia a candidatura.

O presidente regional do PMDB, Miguel Capobiango, minimiza a queda de braços dizendo que é sadia a disputa interna. Já o secretário-geral do PSD, Paulo Radin, afirma que classifica a candidatura de Carlos Gonçalves como inviável e aponta Zezito como provável candidato em Tapauá.

Disputa de espaço
Aparentemente distantes desta guerra, os caciques da política disputam nos bastidores cada centímetro das prefeituras do interior do Estado.

Prova disso é que até o prefeito cassado de Coari e preso pela operação Vorax, apontado como líder de uma quadrilha que desviava dinheiro público, mereceu apoio dos “grandes”.  Até bem pouco tempo atrás, o nome Adail Pinheiro era quase um tabu, em público, entre os políticos. Braga declarou que Pinheiro era querido em Coari e que devia a ele gratidão por apoio recebido em outras eleições.

Outra mostra que, em Coari, os políticos se alinham para o grupo de Pinheiro é o fato do prefeito, Arnaldo Mitoso, ser o único político com mandato do PMN a não se filiar ao PSD.

Apesar disso, o secretário-geral do PSD, Paulo Radin, diz que a sigla vai apostar em novos nomes.

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