O assunto já virou até piada de rede social. A farinha – alimento básico no cardápio do amazonense – está custando peso de ouro e virando artigo de luxo na mesa do consumidor. O quilo que há pouco tempo custava R$ 4, agora é encontrado até por R$ 9 em feiras e supermercados de Manaus.
A dependência da importação e o prejuízo à safra de mandioca em função do período chuvoso são justificativas para o aumento da farinha, dizem os órgãos responsáveis pela gestão agrícola no Estado.
Para se ter uma ideia, o Amazonas produz apenas 25% da farinha que consome. Os 75% são importados principalmente do Acre, Pará e Paraná - um dos maiores produtores do Brasil. As informações são da Agência de Desenvolvimento do Estado (ADS).
No boxe de José Carlos Santos, feirante há três anos na Manaus Moderna, Centro, o quilo da farinha varia de R$ 6,50 a R$ 8,50, dependendo do tipo e da qualidade do produto. A mais cara e mais nobre delas, é a ovinha, de cor amarela e caracterizada por seus grãos torrados e arredondados. A farinha do tipo ova é vendida a R$ 7,50, enquanto o quilo da farinha d’água e da farinha branca está saindo por R$ 6.
“O preço estava muito baixo e pouco atraente para o produtor, que também não mecaniza a área. É uma série de fatores que faz refletir no preço”, explicou o chefe do departamento de Agronegócios da ADS, Marco Petillo.
Agricultura
O plantio rudimentar baseado na agricultura familiar, que subutiliza as terras, além da questão ambiental, limitam a produção regional, informou Marco Petillo. Um exemplo de sucesso foi o município de Uarini, que dá nome ao tipo de farinha mais apreciada pelos amazonenses. Com técnicas de mecanização, os agricultores aumentaram a produção de 2 toneladas para 7,5 toneladas anuais. A mandioca é plantada em áreas de terra firme e de várzea.