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Após mudança de camelôs, Prefeitura age para evitar que lojistas ocupem calçadas

Enquanto os quase 600 camelôs, retirados das avenidas 7 de Setembro, Eduardo Ribeiro e da Praça da Matriz, organizavam suas bancas nos camelódromos, lojistas ‘invadiram’ as calçadas do Centro com produtos e expositores

Loja que expôs produtos na calçada da avenida Eduardo Ribeiro foi autuada

Loja que expôs produtos na calçada da avenida Eduardo Ribeiro foi autuada (Divulgação/Pedro Braga Jr.)

A retirada dos camelôs que ocupavam as calçadas das avenidas Eduardo Ribeiro, 7 de Setembro e também a Praça da Matriz foi concluída pela Prefeitura de Manaus no domingo, mas logo na manhã desta segunda-feira (24), enquanto os camelôs ainda organizavam as bancas nos camelódromos provisórios, as calçadas dessas ruas já haviam sido invadidas, desta vez, por lojistas.

Alguns estabelecimentos comerciais aproveitaram o espaço deixado pelos camelôs para expor produtos do lado de fora da loja, fazendo com que, novamente, o pedestre tivesse que disputar espaço nas calçadas com mochilas, camisas, fogões e até camas.

Durante a tarde, fiscais do Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) multaram uma loja de departamentos instalada na avenida Eduardo Ribeiro, por obstrução de passeio público pela exposição de camas do tipo boxe e sofás.

Fiscais da Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab) também orientaram lojistas a recolherem os produtos expostos nas calçadas. A Guarda Municipal também deve ficar nas ruas do Centro, para evitar novas invasões das calçadas.

Cenário novo

Apesar do novo problema, o primeiro dia útil depois da retirada dos camelôs foi marcado pela surpresa de quem, pela primeira vez, caminhou pelo Centro sem esbarrar em bancas e carrinhos de lanche.

Segundo a estudante Thais Araújo, 20, essa foi primeira vez que ela andou pelo Centro e pôde perceber o quanto as calçadas são espaçosas. “Na Eduardo Ribeiro eu só andava na rua, porque era impossível andar na calçada, com tantos camelôs”, disse a estudante.

E teve também quem acordasse cedo e enfrentasse a chuva forte somente para constatar as mudanças no Centro. A dona de casa Rosa Maria Avelino, 52, foi com o marido para o Centro, só para ver como ficou o local depois da saída dos 588 ambulantes. Ela lembra que só viu as ruas do Centro desocupadas quando tinha 12 anos e nem lembrava mais as belezas dos prédios antigos. “Era tanta aglomeração que as pessoas não conseguiam ver como o Centro é bonito”, disse.

Na avenida 7 de Setembro, um banco chamava atenção de quem passava pela área. De acordo com a aposentada Maria Mercedez Rodrigues, 70, que mora em Manaus há 16 anos, o banco na calçada é novidade e nunca pôde ser visto porque os ambulantes tomavam conta de toda a área.

Mesmo com a alegria de ver as ruas desocupadas, pedestres cobraram a reforma das calçadas. Uma delas é a aposentada Maria Mercedez Rodrigues. Para ela, o Centro só vai ficar completo quando deficientes físicos e idosos puderem caminhar sem esbarrar em buracos e ondulações, que apareceram depois de tantos anos de descaso.

Debaixo de chuva, mas esperançoso

Das três galerias provisórias, apenas a Floriano Peixoto não tem cobertura total para proteger camelôs e mercadorias da ação do sol e da chuva.

O camelô José Gabriel da Silva, 58, trabalhou 20 anos em uma banca, na frente de uma agência bancária, na avenida Eduardo Ribeiro. Ele foi um dos camelôs transferidos para a galeria Floriano Peixoto e que continuam sujeitos às intempéries da natureza.

Ontem, mesmo debaixo de chuva, José continuava arrumando os produtos que comercializa para receber os consumidores. “A cobertura é só um detalhe, mas o prefeito prometeu pra nós numa reunião que ainda esta semana vai providenciar a cobertura. São apenas ajustes, mas isso não ofusca o momento histórico que estamos vivendo. Na rua estávamos por conta própria, agora temos o apoio da prefeitura. Na rua comprei minha casa e criei meus filhos. Camelô que reclama hoje é porque não soube aproveitar o tempo que teve”, disse.

Miranda Leão tem melhor proteção

A galeria Miranda Leão, localizada na rua de mesmo nome, é a que fornece o melhor abrigo contra o sol e a chuva para os ambulantes. As outras duas galerias foram instaladas em estacionamentos adaptados para receber os camelôs. A galeria Miranda Leão foi instalada em um galpão onde funcionava o antigo posto 7.

Enquanto a chuva ainda incomoda os camelôs nas galerias Epaminondas e Floriano Peixoto, quem foi para a Miranda Leão não tem o mesmo problema.

Porém, a maioria dos camelôs reclamou da falta de ventilação na galeria Miranda Leão. Alguns levaram o próprio ventilador, mas outros pedem que a prefeitura instale um sistema de ventilação no galpão. “Hoje (ontem) está chovendo e está quente aqui dentro. Imagine num dia de sol, porque não tem nenhum ventilador em todo o galpão”, disse Cleunice Ventura, 46, que foi transferida para o local depois de 14 anos de trabalho na avenida Eduardo Ribeiro.

Nesta segunda-feira (24) foi dia de ‘arrumar a casa’

Com parte das bancas ainda fechadas para o público, movimento de clientes foi baixo, mas não desanimou os trabalhadores

O primeiro dia dos camelôs nas galerias provisórias foi o momento de organizar mercadorias e se adaptar ao novo espaço. Os 588 camelôs foram transferidos para três galerias no Centro, nas ruas Epaminondas, Floriano Peixoto e Miranda Leão, no domingo, mas a maioria retirou mercadorias das bancas para evitar danos ao material durante a mudança. Eles reservaram a manhã de segunda-feira para reorganizar os produtos.

Na galeria Epaminondas, por exemplo, que tem como principal acesso a rua Lobo D’Almada, alguns carros de lanches ainda estavam sendo transferidos para o local pela Prefeitura de Manaus, durante a manhã.

Muitas bancas estavam fechadas nas três galerias, enquanto outras foram abertas logo cedo. No entanto, a demanda de clientes em todas foi praticamente nula durante a manhã. A baixa procura de consumidores foi intensificada pela forte chuva. O clima era de “mudança de casa”, segundo afirmou Paula Alves, 50, que atuou 19 anos como camelô na praça da Matriz. Ela foi transferida para a galeria Epaminondas e afirmou que foi a melhor mudança que fez nos últimos anos. “Não importa a chuva nesse primeiro dia, o que importa é que estou feliz porque agora estou num lugar que tem abrigo. Passei 19 anos no sol e na chuva e sempre que o tempo fechava tinha que fechar também a banca, correndo o risco de perder mercadoria. Agora estou num lugar com cobertura, banheiro e infraestrutura que não tinha antes, e olha que é provisório. Minha expectativa é grande que vai dar certo. Não tem quem diga que não é melhor sair da chuva. Depois vamos para o definitivo”, disse.

Antônia Arévalo dos Santos, 58, preferiu não perder tempo e foi uma das primeiras a abrir a banca, pronta para receber clientes na manhã de ontem. Ela trabalhou nove anos como camelô em uma banca localizada ao lado do Relógio Municipal e, apesar de não ter realizado vendas na primeira manhã, no novo local, acredita que o projeto vai dar certo. “Minha banca ficava na frente do Relógio Municipal e enfeiava o monumento, com sombreiros de outras bancas. Tinha muito problema com ladrões, que muitas vezes roubavam quem estava passando e se escondiam perto das bancas. Ou você fechava os olhos ou era ameaçada por ladrão. Tenho sombreiro e pela primeira vez não estou usando. Se fosse na rua, estaria ensopada e batendo o queixo de frio, mas hoje estou sequinha”, ressaltou.

Confira galeria de imagens do momento histórico, aqui!!!