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Construção de creches em Manaus continua nos planos da administração pública

Falta de creches é um problema histórico na cidade, enfrentado por pais e mães que não têm onde deixar os filhos quando saem para trabalhar

Claudiane e o marido Avelino moram a poucos metros da creche no bairro Riacho Doce 3, mas não encontram vaga para os filhos

Claudiane e o marido Avelino moram a poucos metros da creche no bairro Riacho Doce 3, mas não encontram vaga para os filhos (Bruno Kelly)

O drama das cinco crianças com idades de quatro a 14 anos, abandonadas pelos pais sem alimentos, durante oito dias na própria casa, no bairro da Compensa, Zona Oeste, divulgado há duas semanas, comoveu a cidade de Manaus e suscitou a cobrança por vagas na rede pública de ensino de equipamentos como creches, que poderiam ajudar a mãe das crianças.

Uma das justificativas dela para a longa ausência de casa foi a busca por trabalho após ter sido abandonada pelo pai das crianças, de quem afirma não receber qualquer ajuda. Ela é mais uma mãe que não tem com quem deixar os filhos.

Uma alternativa para ajudar aquelas que sofrem com esse drama seriam as creches. Mas o problema nunca esteve na pauta das administrações municipais. Tanto que se a atual inaugurar duas creches no início deste ano, cada uma com 200 vagas, será a que mais construiu desses equipamentos educacionais, pois a única existente foi inaugurada na administração anterior.

Vagas
A falta desse equipamento educacional é um problema até para quem mora próximo da creche erguida pelo poder público municipal, a Creche Eliana de Freitas Rocha. O casal Claudiane Serrão, 27, e Avelino Soares da Silva, 35, mora a poucos metros da creche, situada na rua 16 de Agosto, no bairro Riacho Doce 3, Zona Norte, mas não encontra vaga para os filhos de 1 e 3 anos de idade.

“Vejo muita gente de carro de luxo deixar os filhos aí, mas nunca há vaga para nós”, lamenta ela, que chegou a inscrever os dois, mas não teve confirmada as vagas. Grávida de seis meses, Ângela Maria de Castro Estral, 25, é mãe de três filhos, com idades entre 8, 5 e um de 2 anos que poderia estar numa creche se houvesse alguma no bairro onde mora, Petrópolis, Zona Centro-Sul.

“Não temos dinheiro para pagar uma particular, por isso só os dois maiores estudam em escola pública”, explica ela, lamentando não ter a oferta de vagas no bairro pelo poder público. Também em Petrópolis, o pedreiro desempregado Antônio Fábio Rodrigues conseguiu vaga para dois filhos de 3 e 5 anos no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Maria da Fé Xerez de Souza Anzoategui, que funciona no Complexo Educacional.

“Eles já estiveram na creche e agora eu consegui as vagas. É bom porque não precisa de transporte”, explica. As duas creches prometidas, uma no Mauazinho, Zona Leste, e outra no bairro de Santa Luzia, Zona Sul, são financiadas pelo município, que tem processo de convênio com o Governo Federal para a construção de mais 30 creches.

A administração atual inseriu a creche Eliana de Freitas no terreno onde construiu o Centro Municipal de Educação Infantil Maria da Fé Xerex de Souza Anzoateguie e a Escola Municipal Raimundo Theodoro Botinelli, oferecendo 3,4 mil vagas nos três centros de ensino, explica o subsecretário de Gestão Educacional da Secretaria Municipal de Educação (Semed), Suames Maciel Gomes. Parece pouco, diz o secretário, mas diante do quase nada existente há o que mostrar.

Educadora
Um levantamento solicitado pelo MEC à Faculdade de Educação do Amazonas (Faced) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) mostrou ser grave a problemática da falta de creches em Manaus, afirma a diretora da faculdade, professora doutora Arminda Botelho Mourão.

Há uma defasagem histórica não só de número de creches, mas também no atendimento pedagógico desses equipamentos, afirma a professora, apontando a omissão coletiva de todos os ex-prefeitos. Por isso, a diretora da Faced considera a construção das duas novas creches, destinadas a atender crianças até três anos de idade, um fato importante e, segundo ela, se houver mais projetos devem ser implementados imediatamente para reduzir essa defasagem.

A creche é importante também, segundo Arminda, por oferecer um atendimento especializado às crianças que, nessa idade, devem desenvolver a socialização, a psicomotricidade e o domínio do corpo.

“A criança entra no universo das letras brincando”, explica Arminda, lembrando que esse momento não pode ser canalizado para a formalidade da alfabetização, por exemplo, mas para desenvolver as capacidades e habilidades dos pequenos. Segundo a professora, crianças que frequentam creches ingressam no ensino fundamental dominando uma série de habilidades no processo de informação.

Avó de uma menina de três anos que está numa creche, Arminda destaca a atenção dada pela criança às regras do trânsito, uma das questões trabalhadas no estabelecimento educacional. O tempo da criança na creche, diz ela, não pode ser visto como de preparação para o ensino fundamental, mas como um momento essencial para o desenvolvimento da criança em seus aspectos físicos, emocionais, cognitivos e sociais.

Terrenos
O subsecretário da Semed, Suames Gomes, anuncia projetos para a construção de um total de 115 desses equipamentos em convênio com o Ministério da Educação (MEC), que tem programas específicos para financiar a construção de creches em todo o País.

Com recursos garantidos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o desafio é encontrar o terreno no qual a escola será construída e ter o documento de propriedade, explica o subsecretário Suames Gomes.

Essa é uma garantia que a prefeitura deve apresentar ao MEC para receber recursos, mas o problema é que como Manaus foi construída por invasões nas últimas décadas, falta documentação para os terrenos serem adquiridos pelo poder público.

Ao afirmar que a família citada ao lado é reflexo mais de um problema social do que educacional, o subsecretário contabiliza com as duas novas creches a serem inauguradas o atendimento de 740 crianças das mil vagas prometidas. Cada uma das novas creches padrão vai atender 200 crianças em horário integral. Parece pouco, mas para quem não tinha nada, será um legado importante para a cidade, finaliza.