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Diretor do DPTC rebate críticas: 'há deficiências mas também muitos projetos'

As reformas dos institutos que compõem o departamento contemplarão várias melhorias, segundo o diretor Mahatma Porto

O perito Mahatma Porto, que responde pelo DPTC

O perito Mahatma Porto, que responde pelo DPTC (Divulgação)

Diante das recentes declarações do diretor da Associação Brasileira de Criminalística, Bruno Telles, acerca da situação da perícia no Estado do Amazonas, o diretor do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), o perito criminal Mahatma Porto, admitiu as deficiências da instituição, mas ressaltou o trabalho que vem sendo feito no sentido de contorná-las.

Segundo Mahatma, muitos dos problemas advêm do longo tempo em que o DPTC não viu grandes investimentos. “O prédio do Instituto de Crimalística [IC], por exemplo, é de antes de 1984. Antes disso, ele funcionava como delegacia. Desde que passou a sediar o IC, já se vão 30 anos sem qualquer tipo de reforma no edifício. Houve até uma pintura em 2008, mas nada substancial além disso”, ressaltou.

O diretor explicou que em 2012, começou-se a se falar em reforma e ampliação das dependências do DPTC e investimento nos profissionais que nele trabalham. “Para você ver, de lá para cá, dois anos se passaram, que foi o tempo para fazermos levantamentos e aprovarmos os projetos básicos. Há toda a legislação e todo um processo burocrático que temos que respeitar”, explicou.

IC

“O IC passou por uma minirreforma em abril, no entanto, ela era de caráter emergencial e foi feita de maneira superficial mesmo, para manter o maior número possível de atividades em funcionamento. A reforma definitiva, que envolverá a ampliação do prédio, já está com o projeto básico na Comissão Geral de Licitação para análise e o Governador José Melo já assinou a disposição de orçamento para ela na semana passada”, disse o perito.

Segundo ele, esse processo burocrático torna as coisas mais morosas mas não desanima a instituição. “O IC já dispõe de dez computadores novos de configuração básica e o DPTC prevê a compra de mais 16. Além desses, prevemos ainda a compra de 20 computadores de configuração avançada, para possibilitar uma maior gama de operações aos peritos”, enumerou Mahatma.

Cromatógrafo

Sobre os comentários de Bruno Telles, e dos peritos de maneira geral, sobre os equipamentos parados no IC, ele disse que a questão tem a ver com a estrutura do prédio. “Como falei e o próprio diretor [Bruno] comentou, há problemas estruturais no prédio do IC. A rede elétrica, por exemplo, é basicamente a mesma de 1984. O aparelho que, como foi ressaltado, é caro, não pode funcionar em condições assim”, explicou.

“Não é uma questão de reagente, falando especificamente do cromatógrafo. Eu não posso pedir que se compre reagente sem a devida instalação do aparelho, sem a adaptação do local para que ele opere, sem a familiarização dos peritos com o seu funcionamento. Porque se você perguntar dos peritos quais os reagentes que devem ser comprados para essa máquina, eles não vão saber. Nós mesmos ficamos sabendo semana passada e já pedimos que a licitação seja aberta”,  rebateu o diretor do DPTC.

Força Nacional

Além disso, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) tem disponibilizado cursos de aprimoramento para os peritos, segundo Mahatma. “Em parceria com a Senasp, disponibilizamos profissionais para que passassem um período com a Força Nacional, para capacitação”.

Mahatma explicou que ele, juntamente com os peritos Ladislau Brito, Lin Cha, Marilena Menezes e Susana Ilan, ficaram 15 dias com a Força Nacional em Brasília em setembro de 2012 e que depois foi, sozinho, para Alagoas, num programa que durou um ano. Atualmente, segundo ele, Ladislau se encontra em Alagoas pelo programa e Susana se encontra no Rio Grande do Norte.

Futuro

O futuro mais imediato prevê a finalização da obra de reforma do Instituto de Identificação (II), começada em maio e prevista para término em setembro. “A reforma vai incluir a instalação de um laboratório de papiloscopia, imprescindível para revelações de impressão digitais mais detalhadas”.

Nesse sentido, o perito acredita que o planejamento para o laboratório está bem avançado. “O Departamento de Orçamento e Finanças já deu o OK e já estamos fazendo estudos para determinar exatamente a dimensão da estrutura que necessitaremos”, revelou o diretor.

Perguntado sobre o futuro do cargo, vez que o perito Jefferson Mendes foi nomeado por decreto para ocupá-lo no início deste mês, o diretor da DPTC afirmou que não sabe como a situação vai ficar e está esperando o desenrolar dos fatos.

“Conversei com o Jefferson e perguntei a ele se ele sabia quando assumiria plenamente. Ele disse que não sabia e disse que continuasse o trabalho enquanto a situação não ficasse resolvida. De minha parte, eu só estou fazendo meu trabalho”, concluiu Mahatma.