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Moradores cobram melhorias em porto e geração de empregos no bairro São Raimundo em Manaus

Apesar da bela paisagem do Rio Negro, os moradores lamentam a escassez de movimento e no comércio pelos arredores do porto do São Raimundo, Zona Oeste

Moradores do bairro São Raimundo lamentam a escassez de movimento e no comércio

Moradores do bairro São Raimundo esperam uma nova história no local (Bruno Kelly)

Diante de uma das vistas mais belas do Rio Negro, os moradores do bairro São Raimundo, na Zona Oeste, tem esperança que o local receba melhorias e se torne atrativo para o comércio. Se durante muito tempo a travessia para o município de Iranduba foi realizada pelas balsas do porto do São Raimundo, hoje, a desativação da travessia deixou a saudade do movimento de pessoas no local.

Segundo a comerciante Luziana Moreira de Souza, 76, que mantém um restaurante no porto, o movimento diário de pessoas e embarcações deixou de existir desde que a Ponte Rio Negro foi inaugurada e, agora, apenas pequenos barcos atracam no local. Luziana lembra que antes da desativação, muitas pessoas tinham lanches e restaurantes e o lucro era melhor do que é hoje. “Só restou o meu restaurante e o de outro senhor que ainda insistimos em ficar aqui”, disse a comerciante.

O ideal de acordo com Luziana era que o porto voltasse a receber balsas, barcos e que a população tivesse a opção de fazer a travessia pelo porto e pela ponte Rio Negro. Outra sugestão era que, além da travessia para o município de Iranduba, as pessoas pudessem usar o porto para ir à outras cidades mais distantes. “Mesmo sem espaço, todos os dias, há um intenso tráfego de pessoas no porto da Manaus Moderna e da Ceasa. Uma das alternativas era que parte daquelas embaracações pudessem atracar no São Raimundo, pois aqui tem público, muitos turistas que chegam procurando passeios e artesanatos”, acrescentou Luziana.

Enquanto não encontram uma solução para movimentar o porto, os poucos comerciantes que restam ali fazem o que podem para se manter no local.

Na avaliação do comerciante Aderbal Junior Silva, 67, o comércio no local vai de mal a pior. Segundo ele, se antes era possível vender dez refeições por dia, hoje não se vende metade por que as pessoas deixaram de freqüentar o local.

Aderbal diz que entende as mudanças e os benefícios para os motoristas. “É mais rápido ir pela ponte, entretanto, somente a paisagem do rio e o vento no rosto somente a travessia por balsa pode proporcionar”, comentou.

No ano passado foi cogitou-se a utilização do porto do São Raimundo, como base para a instalação da Rodoviária de Manaus, que voltou a ser administrada pela prefeitura. Duas reuniões foram realizadas entre Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra) a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos no Estado (Arsam) e as empresas de transporte rodoviário, mas até agora a notícia se confirmou.

O superintendente municipal de transportes urbanos, Pedro Carvalho, disse, à época, que uma equipe técnica chegou a fazer um levantamento técnico do local, para iniciar as supostas intalações da rodoviária.

Títulos e glórias são passado

Motivo de orgulho dos moradores do bairro, o time de futebol São Raimundo, há alguns anos não leva títulos para a comunidade. Um dos principais clubes do Amazonas, tendo conquistado sete campeonatos Amazonense e três copas Norte - sendo recordista de títulos neste antigo torneio regional - possui também um vice-campeão da Campeonato Brasileiro da Série C. Entre outros feitos, o “Tufão da Colina”, como é chamada pelos seus torcedores, foi o único do clube amazonense a ter participado de um torneio internacional oficial, a Copa Conmebol de 1999, do qual acabou sendo semifinalista. O clube ainda participou por oito vezes da Copa do Brasil.

De todos os títulos conquistados restou para os moradores a saudade. Segundo Marco Antônio Alencar, 43, que viu o time ser campeão amazonense em 1994 naquela época o time do São Raimundo era respeitado e era o único representante do futebol amazonense com vários títulos. “A diversão das crianças era jogar futebol e daqui saiam muitos talentos”, disse Marco.

Ainda segundo Marco Antônio hoje, o clube não forma campeões e até a escolhinha de futebol foi extinta. “O ideal era que o clube reativasse as escolhinhas porque isso poderia contribuir com a juventude do bairro”, acrescentou.