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Militar que teria tentado suicídio dentro de quartel morre; família acredita que ele foi assassinado

O cabo do exército morreu na noite desta terça-feira (20), após passar cinco dias internado em estado de coma. A polícia trabalha com a hipótese de tentativa de suicídio, mas familiares questionam facadas no peito


Cabo do Exército morreu após cinco dias internado no Hospital Santa Julia

Emerson Alencar servia no 1º BIS (Reprodução/internet)

O cabo do Exército Emerson Xisto de Alencar, de 25 anos, morreu na noite desta terça-feira (20) no Hospital Santa Júlia, no Centro de Manaus, onde estava internado desde a última quinta-feira (15), quando foi encontrado com duas facadas no tórax dentro do 1º Batalhão de Infantaria de Selva (1º BIS), na avenida São Jorge, bairro São Jorge, Zona Oeste, onde ele estava lotado.

No dia do ocorrido, o Comando do Exército ligou para a mãe do cabo afirmando que o mesmo havia sido encontrado no chão do banheiro do alojamento com duas facadas na altura do peito. Na ligação, o Exército ainda informou que o cabo havia cometido uma tentativa de suicídio, fato que deixou os familiares indignados, por nunca terem notado nenhum sinal de depressão ou distúrbios suicidas na vítima.

Emerson foi encontrado ferido e em estado de choque, com perfurações que atingiram seu coração, o pulmão e o tórax. O militar foi socorrido por companheiros da unidade militar e levado ao Hospital Militar de Área Manaus, localizado no bairro Cachoeirinha, na Zona Sul da capital, e logo em seguida foi encaminhado ao Hospital Santa Júlia, já em coma. Lá, Emerson ficou cinco dias internado antes de falecer.

Na época, a mãe de Emerson não aceitou a versão informada pelos militares, que apenas se dispuseram na ajuda do funeral. “Essa explicação deles é muito conveniente, primeiro porque o Emerson nunca apresentou sinal algum de depressão, segundo que foram duas facadas no peito. Aconteceu algo e não querem dizer”, afirmou Celina Alencar, mãe da vítima.

O principal fator que leva a família a desconfiar da versão de suicídio é que o cabo era canhoto e as perfurações estão do lado esquerdo do peito. "Se ele tivesse feito isso teria que ter usado a mão esquerda e atingiria o lado direito", disse a empresária Elizângela Melgueiro, prima da vítima.

Familiares também questiona a falta de assistência por parte do CMA. “Fomos comunicados que ele seria enterrado com honras militares, mas não vimos nenhum apoio, ele foi sepultado às 15h, e durante o velório até às 14h, Emerson não recebeu ao menos uma coroa de flores do Comando e nem a presença de nenhum oficial ao velório”, contou a empresária.


Ainda segundo Celina, um dos peritos do Instituto Médico Legal (IML), que ela não soube identificar, chamou o padrasto do cabo em particular e disse que não concordava com versão de suicídio. "O perito disse que havia sido encontrado três perfurações no corpo da vítima, e não duas, como tinha sido informado anteriormente pelo Comando Militar", revelou a mãe.

Manifestação no 1º BIS

Logo após o enterro de Emerson, os familiares avisaram que farão protesto na manhã do próximo domingo (25), durante a Corrida da Infantaria, evento promovido pelo Exército, que terá a largada de dentro do 1º BIS.

“Estaremos lá desde 7h. Iremos todos vestidos de preto, levaremos faixas e cartazes pra protestar e pedir justiça. Não concordamos de forma alguma com a versão de que ele se matou. Queremos saber a verdade” afirmou Débora Alencar, outra prima do militar.

Comando do Exército abrirá investigação

A seção de comunicação do Comando Militar da Amazônia (CMA) informou por meio de nota que já determinou a abertura de um Inquérito Policial Militar para apurar os fatos.

O inquérito tem o prazo de 40 dias, podendo, caso necessário, ser prorrogado por mais 20 dias para ser finalizado. Após a conclusão do inquérito, o mesmo será enviado ao Ministério Público Militar para as providências cabíveis.

A Polícia Civil aguarda a família registrar o caso junto à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), na Zona Leste, para que possam dar início à investigação.

Nota do CMA

Em nota enviada à imprensa quase dez dias após a publicação desta matéria, o CMA contestou a versão que os familiares contaram aos meios de comunicação e informou, entre outros pontos, que o laudo do IML não pode apontar se o caso trata-se de um homicídio ou não.

“Foi noticiado que um possível laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) apontaria que o caso não foi suicídio, acreditando tratar-se de um homicídio. A função do laudo preliminar do IML não é esclarecer se o caso se trata de homicídio ou suicídio, mas sim, determinar qual foi a causa da morte. A apuração em relação à autoria do ato e às circunstâncias do mesmo são atribuições da autoridade policial encarregada da investigação”, explica o CMA.

O comunicado também esclarece que o Comando tem prestado todo o apoio à família. “Todas as despesas hospitalares e as providências para o funeral ficaram a cargo do Exército. Após concordância da família, o 1º BIS providenciou um ônibus para o transporte dos familiares, grande número de militares compareceu ao velório e ao enterro, em trajes civis, para evitar qualquer tipo de constrangimento, e foram realizadas as honras fúnebres regulamentares. Cabe destacar que o seu comandante de pelotão e o comandante do 1º BIS estiveram presentes no velório e no enterro, oportunidade em que manifestaram a solidariedade aos familiares”, diz a nota, acompanhada de imagens do enterro.


"Apesar de familiares terem prestado diversas declarações à imprensa, citando as hipóteses de homicídio ou de suicídio, estas situações serão devidamente apuradas no Inquérito já instaurado. Com o objetivo de preservar pessoas da família, a memória do cabo Alencar e a devida necessidade de sigilo para a condução das investigações, estes aspectos somente serão divulgados após a conclusão do Inquérito", encerra o comunicado, assinado pela Comunicação Social do Comando Militar da Amazônia.

*Com informações da repórter Jaíze Alencar