Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Motoristas mulheres conquistam espaço e ‘assumem volantes’ de ônibus pelas avenidas de Manaus

Crescente presença feminina ainda surpreende usuários de transporte coletivo na capital. “Ainda tem muito preconceito quando uma mulher ocupa uma função que é vista como só de homem”, diz motorista da linha 624

Motorista conta que verifica níveis de óleo, água e combustível para garantir uma boa viagem aos passageiros

Motorista conta que verifica níveis de óleo, água e combustível para garantir uma boa viagem aos passageiros (Euzivaldo Queiroz)

Muitos usuários do transporte público ainda se surpreendem com a crescente presença feminina na condução dos ônibus do transporte coletivo de Manaus. Mas as mulheres têm provado que são igualmente competentes ou até mais que os homens na condução dos coletivos, conquistando mais espaço e confiança.

Um exemplo é a amazonense Elizabeth Castro Oliveira, 29, que há oito anos é motorista de ônibus nas ruas da cidade. Ela é considerada a sensação da linha 624 (Nova República/Centro) e tem como marca o sorriso, o respeito e a simpatia dedicados aos usuários do transporte.

Com Elizabeth não existe a história de sexo frágil. Apesar da beleza e sensibilidade, ela mostra na prática, com dinamismo e confiança, porque é capaz de transportar pessoas com segurança e tornar agradável a viagem que, rotineiramente, é estressante para os passageiros diante do trânsito da capital.

Elizabeth, além de motorista, é mãe de três filhos e dançarina. Há pouco tempo ela dividia o trabalho, atenção aos filhos e atividades domésticas com a dança de salão. O passatempo da dança sofreu uma pausa, mas por trás do talento e das atividades realizadas por Elizabeth, está um exemplo de mulher brasileira que luta pelos seus objetivos.

Há dez anos, em um momento da vida na qual ela estava passando por uma dificuldade amorosa, viu, pela primeira vez, uma motorista de ônibus na função exercida tradicionalmente por homens e desejou ocupar o mesmo cargo. Ela projetou ali a mudança que precisava.

Elizabeth é mãe de três filhos e motorista há 8 anos (Foto: Euzivaldo Queiroz)

Elizabeth era dona de casa, tirou a carteira de habilitação categoria B e entrou em uma empresa de transporte na função de cobradora. Logo no primeiro dia de trabalho, procurou o encarregado da empresa e disse que entrou com o objetivo de ser motorista. Ela foi aconselhada a permanecer como cobradora, mas não desistiu e juntou os salários dos primeiros meses para tirar a CHN categoria D. Ela passou, fez vários colegas de trabalho admitirem que estavam errados e insistiu que era capaz de dirigir os ônibus da empresa.

Treinamento

Elizabeth ainda tinha que passar por um longo processo de treinamento e aprovação. Consegui entrar na “escolinha da empresa”, onde foi monitorada por outros motoristas e, pouco depois, estava no segundo estágio, manobrando sozinha os veículos que estavam na garagem da empresa. Foi um passo para ir à rua como motorista de ofício.

“Lutei muito para chegar a ser motorista, porque ainda tem muito preconceito quando uma mulher ocupa uma função que é vista como só de homem. O incentivo foi do meu coração porque acreditei naquele dia que vi uma mulher dirigindo ônibus que era capaz e que iria mudar de vida, deixar de ser só dona de casa e sustentar meus filhos”, disse.

O primeiro itinerário de Elizabeth foi na linha 120 (Ponta Negra/ Centro) e teve sabor de vitória e objetivo alcançado. “Deu um friozinho na barriga, mas estava muito segura do trabalho e passei essa segurança para os passageiros. Foi emocionante porque fui eu que procurei estar ali e fiz por merecer”, destacou.

‘Toque feminino’

Elizabeth está no terceiro emprego como motorista e não se arrepende da escolha que fez. Atualmente, na linha 624, ela percorre uma distância de 26,01 quilômetros em 90 minutos, segundo dados do guia “Ônibus Manaus”. Começa a primeira de seis viagens antes do Sol nascer.

Antes, porém, verifica os níveis de óleo, água e combustível do ônibus e depois prepara a cabine do motorista no estilo Elizabeth de ser: com as cores rosa no volante, câmbio de marchas e na cortina.

Os passageiros sabem quando é Elizabeth e expressam carinho e respeito por ela, desejando um “bom dia”, “bom trabalho” e também um “até amanhã”.

Contudo, por ser bonita, Elizabeth não escapa das cantadas dos homens, mas aprendeu com o tempo a lidar com a situação, mesmo as mais insinuantes e não tem problemas com isso. Fiel ao novo relacionamento com um parceiro de profissão, Elizabeth diz que se sente realizada, mas está sempre em busca de melhorias de vida e não tem medo de começar um novo projeto.