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Mulheres dão novo significado à palavra “mãe” por meio de ações que mudaram vidas

Seja doando um rim, adotando uma criança com paralisia ou deixando de lado a carreira, as histórias abaixo são testemunhos de iniciativas que fizeram a diferença na vida de outras pessoas

Psicóloga Rosângela Fernandes conta que se apaixonou à primeira vista por Izaquiel

Psicóloga Rosângela Fernandes conta que se apaixonou à primeira vista por Izaquiel (Divulgação)

O significado da palavra mãe, no dicionário, aponta para uma mulher ou qualquer fêmea que dá à luz. Mas essa não é a mais completa tradução para esse ser que, valendo-se da força de poder gerar vida, amplia os significados dos verbos e da própria vida. Para se saber disso, basta conhecer a história de Natália Mêne, 43, especialista em turismo. Ela tornou-se mãe de novo, no último dia 23 de março, só que desta vez de Aluney Elferr Júnior, 17, a quem doou um rim. “Agora sou tia-mãe”, afirmou.

Outras que transformam o significado de mãe são a psicóloga Rosângela Fernandes, 41. Ela adotou um menino, Izaquiel, 8, com paralisia cerebral quando ele ainda tinha dois anos e três meses de idade. E ainda a advogada Josélia Lopes, 38, que escolheu ficar em casa para cuidar mais de perto da educação dos três filhos, Laís, 16, Rodrigo Antônio, 15, e Julio Antônio, 11.

Adoção

Izaquiel tinha pouco mais de dois anos quando foi visto pela psicóloga Rosângela Fernandes, 41, numa entidade que atende crianças com necessidades especiais. Paciente com paralisia cerebral, havia sido abandonado pelos pais, mas desde que o seu olhar cruzou com o de Rosângela, a vida dele nunca mais foi a mesma. Nem a dela.

“Depois que me apaixonei por ele, decidi que ia ser mãe e o adotei para dar a ele uma vida melhor”, conta a psicóloga, que mudou toda a sua vida e rotina para receber a criança. E o efeito foi tão impactante que Rosângela acabou fundando uma associação, o Instituto Acontecer, onde reúne outras mães de crianças com a mesma patologia para lutar por melhoria na assistência na rede pública, seja realizando campanhas pelas redes sociais, seja na imprensa.

“Meu filho foi o primeiro amazonense a vivenciar o tratamento chamado Therasuit, que utiliza tecnologia desenvolvida pela Nasa, a empresa espacial norte-americana”, revelou Rosângela, que busca garantir o mesmo direito aos demais.

No Dia das Mães, a psicóloga, que é mãe natural de Havyne Vitória, afirma que crianças como Izaquiel ensinam todo o conceito de grandiosidade de um amor sem limites para com os filhos. “Minha vida não seria completa sem eles”, diz.

Doação de amor

Desde os 10 anos de idade, Aluney apresenta uma deficiência renal identificada como glomérulo esclerose, que provoca a falência dos órgãos. Em 2012, já sem poder contar com a medicação, que não fazia mais efeito, pois os rins não funcionavam, ele passou a fazer hemodiálise.

A doação de um rim de Natália Mêne (à esquerda) ao sobrinho dela, Aluney, de 17 anos, foi comemorada por toda a família

Mãe de João Miguel, de sete anos, Natália foi a única entre os quatro irmãos que poderia fazer a doação do rim para o menino, filho de uma irmã. Ao saber disso, não teve dúvidas em fazer o transplante. Para ela, mais importante do que as dores sentidas pela recuperação da cirurgia que nela foi mais complexa, é saber que o sobrinho não precisará mais passar horas na máquina de hemodiálise pela falência dos seus rins.

Pré-natal

Ainda em São Paulo, na última quinta-feira, quando falou à reportagem ao telefone, Natália tinha chegado do hospital, onde Aluney vai duas vezes por semana para fazer exames e acompanhamento. Sentindo-se bem, ela elogiou a equipe de médicos do hospital, que realizou todos os procedimentos necessários, principalmente para evitar a rejeição. Passadas as primeiras semanas, o relato é de alegria.

“Senti-me, como já disse, como se estivesse no pré-natal. Minha cirurgia aconteceu primeiro para a retirada do órgão e depois iniciou-se a dele para o implante. Por decisão médica, ele ficou com três rins, já que dois órgãos dele estavam com deficiência grave”, contou ela. O foco agora é pela recuperação dele, que chegou a ficar abatido por não poder formar-se junto com os colegas do terceiro ano do ensino médio.

Para ela, todo o período de diagnóstico da gravidade da doença de Aluney até o transplante pode ser comparado ao tempo da gravidez. Ao contar que em nenhum momento se preocupou com o fato de saber que a cirurgia nela seria maior, mais dolorida e de maior risco, Natália afirmou que o transplante, na verdade, aconteceu em todos da família, “pois todos fomos transformados pelo emocionante o carinho dos amigos, pelas correntes de orações, amparados pela força de Deus e da Virgem Maria”, explicou, assegurando que sem isso seria impossível enfrentar essa situação. Agora, diz, convicta: “tenho dois filhos, um dos quais nasceu de outro órgão que não foi útero, mas isso não diminui a alegria do parto”.

Cuidado

Josélia Lopes, 38, formou-se em Direito, mas quando tornou-se mãe de três filhos, Laís, 16, Rodrigo Antônio, 15 e Júlio Antônio, 11, tomou uma decisão que pode parecer radical nos dias atuais, por ser uma volta aos tempos antigos. Deixou de seguir carreira para ser mãe durante 24 horas. A preocupação dela era acompanhar o processo de educação dos filhos e cuidar para que tivessem sempre um bom desempenho na escola e na vida.

Josélia Lopes abriu mão da carreira para se dedicar integralmente à educação do trio (Foto: Divulgação)

“A educação é a única herança que vamos deixar para eles”, afirmou a mãe, que às vezes chega até a ser um pouco severa quando cobra os resultados. Não, ela não exige que tirem nota 10 sempre, mas não deixa de chamar a atenção para observarem o que estudaram. Mas ela não se queixa deles.

“São bons alunos e mais que isso, são pessoas generosas, solidárias e amigas”, argumentou ela, que costuma ouvir elogios ao modo de criá-los vindos de pessoas que conhecem os três. Para Jô, como é mais conhecida, isso é a confirmação de ter feito a opção certa: Ser mãe integral é uma tarefa para toda a vida.

Maternidade após os 35

Ser mãe depois dos 35 anos é sempre mais complicado, segundo os médicos, mas nem sempre isso desanima algumas mulheres, principalmente aquelas que optaram em ter filhos depois de uma vida financeira mais estabilizada, por exemplo. Mas há casos como o de Josely Farias, que teve um filho aos 38 anos, um ano antes de ser avó pela primeira vez.

“Quando meu filho mais novo completou um ano, meu neto nasceu. Eu nunca imaginei passar por essa situação. É uma experiência muito boa, mas que exige muita estrutura física e psicológica”, disse.

Aos 38 anos, Josely Farias, teve o filho caçula e foi surpreendida pelo nascimento do primeiro neto (Foto: Érica Melo)

Josely afirma que embora ambos a chamem de mãe, ela diz saber a responsabilidade que tem com cada um. “Com meu filho eu tenho a obrigação de criar, educar e proteger, já com meu neto eu tenho a liberdade de mimar, sem a preocupação de estar prejudicando a educação dele”, afirmou. A dona de casa acredita que o nascimento do filho mais novo foi a chance de ter novamente o carinho de uma criança, já que os dois filhos, um de 19 e outro de 14, já são mais independentes. “Com meu caçula eu tenho muito mais cuidado e mais medo que aconteça alguma coisa”.

O médico e consultor de ginecologia e obstetrícia Lourivaldo Rodrigues, explica que a idade ideal para uma mulher engravidar é de 20 a 35 anos, mas isso não pode desestimular mulheres acima dessa faixa etária a ter filhos. “Elas precisam ter mais cuidado para levar a gravidez adiante, mas fazendo um pré-natal de maneira consciente, todas as mulheres poderão realizar o sonho de serem mães”, assegurou.