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Orquestra de Beiradão do Amazonas é selecionada para tocar em festival no Paraná

O grupo, criado em março de 2013, apresentará duas canções no Festival Sesc de Música Cidade Canção (Femucic) em Maringá, no dia 24 de maio. Total de canções submetidas ao evento foi de 855

Orquestra faz uma releitura do beiradão

Orquestra faz uma releitura do beiradão (Chris Pellet)

A Orquesta de Beiradão do Amazonas (OBA) fará uma apresentação especial em Maringá (PR) durante o Festival Festival Sesc de Música Cidade Canção (Femucic) deste ano. O grupo amazonense, criado em março de 2013, apresentará duas das 52 canções que comporão o setlist do festival, que foram selecionadas de um total de 855. Eles tocarão no Teatro Calil Haddad no dia 24 de maio.

“Submetemos três canções pro festival de Maringá e duas foram selecionadas. Estamos muito felizes com isso porque é a chance de mostrarmos canções que representam o nosso estado, representam o nosso interior. Estar lá com duas músicas nos dá muito orgulho”, disse Ênio Prieto, compositor, saxofonista e flautista da banda.

O grupo se especializa em música instrumental inspirada no beiradão, estilo musical híbrido que se popularizou no Amazonas entre as décadas de 1970 e 1980. “A orquestra propõe um resgate e uma revaloração do beiradão, que ficou muito popular na capital e nos bailes que ocorriam nas cidades ribeirinhas devido ao trabalho de artistas como Teixeira de Manaus”.

A OBA, no entanto, procura uma releitura do estilo. “O formato orquestral, no entanto, nos permite explorar o que pode ser feito de novo com o gênero e nos dá muito liberdade de trabalhar com arranjos, o que é muito”, explica Ênio, que assina as composições que serão apresentadas em Maringá, “Rebojo” e “Na Beira da Velha Serpa”.

Todos os 12 integrantes do grupo, além de dois membros da equipe de apoio, irão ao festival. “Para esse show, temos o apoio do Sesc Amazonas, do Sesc Maringá e da Secretaria de Cultura do Estado do Amazonas (SEC). Somos um grupo grande, então ficamos satisfeitos com o fato de que todos estarão lá. Isso só nos dá mais chance de fazermos o que queremos, que é uma apresentação incrível. Também estamos tendo a chance de trabalhar com pessoas que já conhecemos”,  falou Ênio.

Pelos moldes do festival, o grupo só poderá apresentar as canções selecionadas, mas isso não significa que o show não terá novidades. “Devemos contar com a presença do guitarrista Emerson Figueiredo, amazonense que se encontra radicado em São Paulo, onde faz faculdade de música. Ele deve voar até Maringá e tocar com a gente. Vai ser ótimo!”, completa o compositor.

O futuro

A OBA certamente tem muito o que pensar depois da apresentação na cidade paranaense: eles foram aprovados em 1º lugar na 2ª fase do Programa de Apoio às Artes (Proarte) 2013, da SEC.

Com o incentivo, eles pretendem gravar o primeiro CD. “Queremos começar a gravar no início de julho e, se tudo der certo, finalizar o disco em quatro meses. Estúdio é uma coisa delicada, queremos ter nosso tempo para fazer as coisas”, falou Ênio, que mencionou do desejo de gravar o álbum em Manaus e mixá-lo em Recife. Segundo ele, o disco terá oito faixas e deverá incluir as canções apresentadas em Maringá.

Quando perguntado se a cena recifense poderá encontrar caminho para dentro do disco, Ênio não esconde o empolgação. “Recife está cheia de artistas sensacionais com quem gostaríamos de colaborar. Atualmente, o líder da SpokFrevo Orquestra, Inaldo Albuquerque, é alguém com quem certamente adoraríamos colaborar”.

O hibridismo dos estilos é o que mais lhe deixa curioso por uma colaboração. “Eles tocam frevo, que é um estilo que têm muito de choro, de maracatu e de vários outros estilos populares. O beiradão, por sua vez, também reuniu elementos de coisas como forró, cumbia, merengue, lambada... Seria ótimo fazer os estilos interagirem, adoramos fazer esse tipo de mistura”, enfatiza Ênio.