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Família luta para conseguir atendimento na Fundação Cecon

Tratamento de Luiz Ferreira da Silva, de 73 anos, que luta contra um câncer no pulmão é adiado há seis meses por falta de equipamento e remédios; Fundação já anunciou providências

Fundação Cecon é o único centro gratuito para tratamento de câncer no estado

Fundação Cecon é o único centro gratuito para tratamento de câncer no estado (Antonio Lima)

A família do aposentado Luiz Ferreira da Silva, 73 anos (foto abaixo), há seis meses enfrenta um drama. Diagnosticado com câncer no pulmão, Luiz tenta iniciar o tratamento para a doença na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), localizada na capital amazonense, sem sucesso.

Único centro gratuito para tratamento de câncer no Estado, a FCecon atende dezenas de pacientes todos os dias, mas nos últimos meses - como já aconteceu diversas vezes antes - vem sendo denunciada por falta de remédios, equipamentos e até omissão no atendimento aos doentes. É o caso de Luiz, segundo seus os familiares: o descaso da instituição vem impedindo o tratamento adequado para a doença.

De acordo com a filha Lucileide Delfino, os problemas começaram logo após o diagnóstico de Luiz. Um dos exames pedidos pelos médicos, a broncoscopia (uma endoscopia feita no pulmão) não pôde ser feita na FCecon porque o equipamento estaria desmontado. “Como eles não souberam dizer quando ia dar pra fazer o exame, a gente teve que juntar dinheiro por conta própria e gastar R$ 2 mil num hospital particular”, conta. O problema foi registrado em dezembro do ano passado.

Em seguida, com o exame já feito, Luiz teve prescrito o início da quimioterapia mas, mais uma vez, não conseguiu realizar o procedimento pela FCecon. Alegando falta do medicamento Tarcson, os médicos da Fundação pediram que o tratamento fosse adiado. Segundo Lucileide, a orientação foi que ela e o irmão deveriam ligar todos os dias para a Fundação para saber se o remédio já havia chegado.

Quase um mês depois, já em janeiro deste ano, segundo conta o filho Luiz Júnior, o paciente voltou novamente ao hospital para começar o tratamento. “Ele já estava na maca, com a roupa do hospital, quando vieram dizer que estava faltando o medicamento Carboplatina e que sem ele não dava pra começar a quimioterapia. Ficamos sem saber o que fazer; meu pai, um senhor de 73 anos, se submeter a esse tipo de descaso. Mas, mais uma vez, foi pedido que nós ligássemos todos os dias para saber do remédio”, revela Luiz Júnior.

Manutenção

A assessoria de imprensa da FCecon informou que alguns equipamentos, de fato, estiveram sob manutenção nos últimos meses e que os procedimentos que foram desmarcados já vêm sendo reagendados junto aos pacientes.

Mas a família Ferreira da Silva teria decidido não esperar e fazer a broncoscopia por conta própria. Lucileide nega: “O meu pai está com câncer, não tem tempo a perder. Como a gente ia fazer se não sabia quando o equipamento ia ficar pronto de novo?”, questiona.

No caso do medicamento Carboplatina, a Fundação informou que houve um atraso na entrega dos medicamentos por parte do fornecedor. A unidade ressalta que providenciou a compra dos medicamentos com antecedência.

A instituição informou, ainda, que a sessão de Luiz Ferreira havia sido marcada para esta sexta-feira (14), mas que o paciente não poderá realizar o procedimento pois não se encontra em Manaus. Novamente, a família nega: “O meu pai reside em Manaus, mas tem um sítio em Careiro Castanho, onde costuma passar alguns dias. O que eles fizeram foi procurar a gente na quinta-feira, 13, e marcar a quimioterapia pra o dia seguinte ao meio-dia, mas a gente disse que talvez não conseguisse levá-lo a tempo, já que anda chovendo muito e ele poderia ter dificuldade em voltar a Manaus. Mas nós conseguimos trazer o meu pai. Agora vamos lá, pra ver se  ele consegue iniciar mesmo o tratamento”.

Fila de espera para atendimento chega a durar oito horas, denuncia paciente

Outra paciente, que preferiu não ter a identidade revelada, também reclama do descaso na Fundação Cecon. Enfrentando um câncer de mama, ela começou o tratamento pela instituição há três semanas mas, na última segunda-feira (10), no que deveria ser sua terceira sessão de quimioterapia, um dos medicamentos necessários, a doxorrubicina, estava em falta no estoque do hospital.

A situação desespera a paciente porque os remédios só permanecem no organismo até três semanas após a última sessão, quando o tratamento perde o efeito e precisa ser recomeçado do zero. “Pra se ter uma ideia, esse que está em falta, a doxorrubicina, custa mais de R$ 2 mil. Não tenho condições de pagar por ele e, se tiver que recomeçar tudo, os remédios vão ser ainda mais fortes”, queixa-se.

Ela também revelou que, nesse mesmo dia, teve de esperar oito horas pra saber se poderia realizar a sessão. “Cheguei às 7h da manhã. Só quando foi às 15h me disseram que não tinha o remédio e que não ia dar pra fazer. É um absurdo”, reclama.

A paciente e seu marido pretendem entrar com uma representação no Ministério Público Estadual (MPE) ainda nesta semana contra a FCecon.

*Colaborou a repórter Jaíze Alencar