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Pacientes sofrem com atendimento precário em hospital universitário de Manaus

Pacientes que buscam consulta no ambulatório Araújo Lima/Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), na Praça 14, Zona Sul, passam horas em filas sem a certeza de serem atendidos

Todos os dias o ambulatório do Hospital Universitário Getúlio Vargas libera 40 fichas de atendimento para diversas especialidades

Todos os dias o ambulatório do Hospital Universitário Getúlio Vargas libera 40 fichas de atendimento para diversas especialidades (Erica Melo)

Quatro pacientes numa mesma fila com mais de 40 pessoas para pegar ficha e, assim, tentar marcar consulta na rede pública de saúde. Quatro histórias distintas que mostram a precariedade e a falta de humanização do serviço que obriga pacientes a passarem mais de 15 horas aguardando a liberação das fichas, para voltarem no dia seguinte e, quem sabe, sair com data marcada da consulta. Assim é o caso do Ambulatório Araújo Lima/Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), na Praça 14, Zona Sul. Durante uma semana A CRÍTICA acompanhou a peregrinação de pacientes em busca de atendimento médico em várias unidades de saúde e mostra, nesta primeira matéria da série, a “saga” no HUGV.

Afastada do emprego desde setembro de 2013, devido a um acidente de trabalho, a cozinheira Cláudia Ribeiro da Silva, 38, chegou na última segunda-feira, às 4h no HUGV com o objetivo de marcar uma consulta com o ortopedista e conseguir um laudo médico para levar na perícia médica agendada para o dia 4 de agosto, entretanto, só conseguiu consulta com o médico para o dia 5 de agosto.

O esposo da Cláudia, o cozinheiro Francisco Euzébio de Araújo, 47, lamenta ter conseguido marcar a consulta para um dia após a perícia “É falta de vontade de ajudar as pessoas, vamos tentar a sorte. A minha esposa está quase perdendo o tato porque uma panela cheia de carne caiu no braço dela e precisa desse laudo para levar à perícia. Agora o médico vai dar alta já que não terá o laudo médico”, esclareceu Francisco ao acrescentar que a esposa foi a segunda pessoa a chegar na fila.

Precisando retornar ao cardiologista, a dona de casa Antônia Araújo da Costa, 27, veio do Município de Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus) e quase fica sem marcar o retorno. Ela chegou na fila por volta das 11h de segunda-feira e esperou até as 19h para receber a ficha de atendimento. No dia seguinte ela esperou a manhã inteira e por pouco não marcou a consulta. Tudo porque, além dos pacientes esperarem por horas, ainda têm que contar com a fé para que o sistema on line não trave ou fique lento.

“Cheguei às 6h30 para marcar a consulta e só consegui quase às 11h porque o sistema estava lento. Venho de Manacapuru e fico na casa de parentes em Manaus. Mesmo assim demoro mais de duas horas para sair do Terra Nova e chegar no Hospital Universitário porque pego dois ônibus”, ressaltou Antônia ao informar que a consulta ficou para o dia 5 de agosto.

A mesma sorte não teve o soldador Elamildo Carlos Silva, 26. Há duas semanas ele tenta marcar uma consulta com o oftalmologista e ortopedista mas sem sucesso. Necessitando de uma avaliação e laudo médico para dar entrada no benefício da previdência social, por mais de 10 dias, entre idas e vindas, tenta, desta vez por meio de terceiros, as consultas. “Tem uma parente da minha esposa que é médica que vai tentar marcar para mim as consultas na próxima semana”, adiantou.

Quem fez valer seu direito de consumidora foi a estudante Cleice da Costa, 26. Depois de enfrentar longas horas na fila e no dia seguinte receber a informação de que não havia mais vagas para o cardiologista, mesmo estando com a senha nº 15, ela foi reclamar na Ouvidoria da instituição e no dia 24 de julho recebeu uma ligação de que a consulta com o especialista está marcada para o mês que vem.