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População troca 'Mercadão' por Manaus Moderna

Revitalização do Mercado Adolpho Lisboa não atraiu clientes. Eles vão ao local para passear, mas preferem fazer compras na feira da Manaus Moderna

Segundo os compradores, o preço dos produtos é alto, fazendo do Mercado algo para turistas

Segundo os compradores, o preço dos produtos é alto, fazendo do Mercadão algo para turistas (J. Renato Queiroz)

Após sete anos fechado para reforma, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, no Centro, reabriu as portas no dia 24 de outubro do ano passado, durante um grande evento que marcou o aniversário de 344 anos da capital. A restauração, orçada em R$ 17 milhões, repaginou e modernizou o espaço e até ofereceu cursos aos feirantes, voltados à qualificação profissional. Todo esse trabalho, porém, parece ter agradado os frequentadores apenas no visual.

Atualmente, o mercado apresenta um movimento modesto,  de mais gente visitando do que fazendo compras, segundo relatam os vendedores que atuam lá. Enquanto isso, na feira da Manaus Moderna - situada quase ao lado - o movimento está mais intenso do que nunca, apesar da aparência bem menos atraente, com corredores apertados e lixo espalhado pelo chão.

O dia da reinauguração do Adolpho Lisboa foi, inclusive, o dia em que a vendedora de estivas da Manaus Moderna, Nely Ribeiro, mais vendeu durante todo o ano passado. “As pessoas vão conhecer e passear no Mercado e depois passam aqui para fazer compras. Desde a reinauguração, o número de vendas cresceu 30% aqui na feira”, contou a vendedora.

'Só olhando'

O guarda municipal Mário José Dematos, 64, faz parte desse grupo que só passeia pelo “Mercadão”. No domingo, ele acordou cedo para visitar o patrimônio histórico e depois fazer compras na feira da Manaus Moderna. “Já conheço os feirantes de lá. O Mercado ficou muito tempo parado e, mesmo estando muito bonito agora, prefiro só tomar café aqui e continuar fazendo minhas compras na Manaus Moderna mesmo”, confessou à reportagem, enquanto “só olhava” os peixes do Mercado  Municipal Adolpho Lisboa.

O vínculo entre feirante e cliente, citado por Dematos, é o maior problema que o vendedor de pirarucu seco do Mercado Municipal Wanderson Souza enfrenta. Segundo ele, fidelizar clientes locais tem sido um grande desafio. “Só não está pior porque meu produto não é perecível, então não sofro com perdas. Mas, até agora, a maioria dos nossos clientes são turistas”.

Preços e pouca oferta afastam clientes

Um dos motivos mais citados pelos entrevistados para justificar a preferência pela feira foi a diferença dos preços. Muitos nem chegam a comparar os valores nos dois mercados, apenas arriscam que no Mercado Municipal deva ser mais caro pela atual estrutura. A reportagem comparou os preços e constatou que a diferença não é tão grande na maioria dos produtos. O quilo da farinha uarini, por exemplo, custa R$ 10 nos dois locais. O pirarucu seco custa R$ 22 no Mercado e entre R$ 20 e R$ 18 na Manaus Moderna (veja mais comparações na tabela).

A diferença de R$ 2 ou R$ 4 poderia ser justificada pela comodidade e variedade na hora de comprar. No entanto, esse é outro ponto fraco do “mercadão” de acordo com os entrevistados. Dificuldade de estacionamento e falta de variedade de produtos - principalmente estivas, frutas e legumes - também levam os manauaras à Manaus Moderna.

“Só tem artesanato e carnes no Mercado. Falta variedade. O mais irônico é que, antes da reforma, a gente encontrava mais produtos. A tradição da feira, do mercado, foi toda embora e ele se tornou apenas um ponto para turistas, quando deveria ser os dois. Tiraram a essência. Não consigo mais fazer compras aqui”, afirmou o advogado Emmanuel Harraquiar.