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Psicóloga da FMT revela como é contar que paciente tem o vírus

Cristina conta que o impacto na vida de quem recebe a confirmação da doença gera reações que vão do desespero, a choro, silêncio, medo, ansiedade, negação, raiva ao simples desejo de morrer logo

Psicóloga da Fundação de Medicina Tropical, Cristiane Benevides trabalha no departamento de DST/ AIDS

Psicóloga da Fundação de Medicina Tropical, Cristiane Benevides trabalha no departamento de DST/ AIDS (J. Renato Queiroz)

Mais de 35,3 milhões de pessoas no mundo vivem com o Vírus da Imunodeficiência Humana, o HIV, causador da Aids, conforme dados do Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS).

Só no Brasil são quase 700 mil soropositivos. Centenas de pessoas procuram unidades de saúde para fazer o teste de HIV/Aids e grande parte recebe resultado positivo. A responsabilidade de dar a notícia que transformará a vida de alguém é mais que uma tarefa, é missão para manter a vida.

Só a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT/HVD) recebe um média 60 pessoas todos os dias em busca do diagnóstico de HIV.

O impacto na vida de quem recebe a confirmação da doença gera reações que vão do desespero, a choro, silêncio, medo, ansiedade, negação, raiva ao simples desejo de morrer logo.

Nesse momento surge a figura do psicólogo para acolher e direcionar o paciente, uma vez que, na maioria dos casos a assistência psicológica se mostra mais urgente que a médica.

A psicóloga e responsável técnica pela Vigilância Epidemiológica da FMT/HVD, Cristiane Benevides, trabalha há nove anos somente com HIV/AIDS, em Manaus. Ela é uma das profissionais responsáveis por contar ao paciente sobre a soropositividade.

Em quase dez anos revelou centenas de resultados positivos de HIV/AIDS. Cristiane explica que a maneira de revelar o resultado ao paciente é decisiva porque influencia diretamente na vida que ele terá após saber do resultado positivo.

Nunca é fácil receber o resultado seja para quem o revela, e principalmente para quem o recebe porque todas sabem que a Aids mata. Segundo ela, as palavras utilizadas e a humanização empregada são fundamentais para orientar o paciente a ser seguir o caminho do tratamento e não abandonar a vida.

No entanto, há aqueles que temem os preconceitos da sociedade e as próprias consequências físicas da doença e saem da unidade de saúde com o HIV e retornam meses ou anos mais tarde, com a doença manifestada. Por isso, é fundamental segundo ela, receber o diagnóstico começar o tratamento imediato.

Caso a pessoa não queira fazer o tratamento, resta aos profissionais de saúde apenas esperar que volte porque há uma portaria do Ministério da Saúde que proíbe fazer busca ativa a pacientes de HIV e manter em sigilo o diagnóstico.

“Tem que incentivar o paciente a fazer o tratamento. Quando há recusa, temos que aguardar o retorno porque ele vai voltar um dia. O paciente que não faz o controle do HIV sempre retorno com a Aids, sendo que poderia tê-la evitado com o tratamento. Quem tem o vírus do HIV no organismo é uma pessoa assintomática, que não tem sintomas como queda de cabelo e perda de peso. Pode trabalhar, estudar e ter uma vida normal”, diz.

No encerramento da Semana Nacional de Combate a Aids, Cristiane se prepara, como faz há quase dez anos, para dar a notícia que vai mudar a vida da paciente

Em números

Municípios possuem o Serviço de Atendimento Especializado em DSTs. São eles: Manaus, Parintins, Coari, Tefé Benjamin Constant e Tabatinga. Na capital são cinco unidades: policlínicas Dr. Antônio Comte Telles; Raimundo Franco de Sá, PMO Monte das Oliveiras, Fundação Alfredo da Matta (Fuam) e na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT/HVD).

Pessoas procuram o FMT/HVD todos os dias para saber se têm HIV. Neste ano 914 novos casos foram diagnosticados no Amazonas. Em 2012 foram 784, um aumento de 16,5%. A maioria dos soropositivos (68%) são homens na faixa etária de 20 a 34 anos. 32% são mulheres. A descoberta do HIV no Brasil ocorreu em 1980 e o primeiro caso no Amazonas foi registrado em 1986.

Preparação Psicológica

Sou a que mais dá resultado positivo para HIV. A preparação é dizer para o paciente que deu positivo, que a Aids não tem cura, mas tem controle se ele for fiel ao tratamento, fizer esporte, não faltar consultas e se cuidar.

É importante mostrar naquele momento difícil que ele recebe o resultado que existe a possibilidade real de ser feliz, de controlar o vírus e ser feliz. Se controlar o vírus tomando a medicação e seguindo as orientações do infectologista, psicólogo e assistente social ele pode trabalhar e namorar, pode ter uma vida sexual ativa desde que segura e, principalmente, que tem o direito de viver e que a vida vai mudar, mas não acabou.

Toda população sexualmente ativa, inclusive profissionais de saúde, precisa realizar o teste para o HIV. Se der positivo terá como controlar o vírus, tratá-lo e assim ter uma vida com qualidade.

O HIV é muito sério porque apesar de ter tratamento não tem cura. Mas se tratada, a pessoa pode viver e ser feliz. Ela tem o direito de se feliz. Mas o diagnóstico tardio muitas vezes pode evoluir para o óbito.

A única forma de controlar o vírus do HIV é descobrir cedo e tratá-lo corretamente sem abandonar o tratamento”.

Paciente tem serviço de atenção integral

O Amazonas conta atualmente com uma rede de serviço dedicada ao atendimento de pessoas soropositivas que funciona nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA).

O trabalho é realizado por uma equipe multidisciplinar que inclui psicólogas, assistentes sociais, infectologistas e enfermeiras. A equipe é responsável pelo acolhimento do paciente desde a confirmação do resultado até o tratamento. No primeiro contato a pessoa que procura os CTAs passa por uma entrevista (anamnese) com a intenção de ser um ponto inicial no diagnóstico e saber por que ela quis fazer teste para HIV.

O paciente é encaminhado para realizar o teste e recebe o resultado das mãos de um psicólogo. Se der negativo, processo chamado de “Não reagente”, o profissional de saúde faz o processo chamado de “redução de danos” no qual sensibiliza o paciente a fazer uma mudança drástica de comportamento “sexual de vulnerabilidade” para “seguro”.

É como se a pessoa que procurou o serviço recebesse uma nova chance na vida. O cidadão é orientado sobre o uso de preservativo nas relações sexuais para proteção pessoal e dos parceiros.

Se o resultado for positivo, “Reagente”, ele é orientado e encaminhado para todos os serviços assistência ofertados no Serviço de Atendimento Especializado em DSTs (SAE). Ele passa a ser acompanhado também por infectologista e a família também recebe orientação psicológica.

O cidadão é preservado em todas as etapas sem sofrer nenhum tipo de exposição.

Equipe multidisciplinar de profissionais acolhe o paciente que é soropositivo