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Retirada de camelôs do Centro de Manaus expõe cidade que há tempos não era vista

Prefeitura da capital amazonense marca o primeiro “gol de placa” deste ano com a ação que resultou nas calçadas liberadas das principais avenidas da região central da cidade

Sem os camelôs, pedestres puderam passear tranquilamente pelas calçadas e até apreciar a beleza das fachadas de lojas instaladas em prédios centenários

Sem os camelôs, pedestres puderam passear tranquilamente pelas calçadas e até apreciar a beleza das fachadas de lojas instaladas em prédios centenários (J. Renato Queiroz )

Mais 588 camelôs que trabalhavam na Praça da Matriz e nas avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro, no Centro, tiveram ontem suas barracas transferidas para três galerias provisórias instalados pela Prefeitura de Manaus.

O transporte foi feito por um aparato de nove caminhões e 150 homens, além dos proprietários que acompanharam o deslocamento para os novos locais de trabalho, a partir de hoje, na avenida Epaminondas, e ruas Floriano Peixoto e Miranda Leão.

Ontem, na Eduardo Ribeiro, ao mesmo tempo em que se podia vislumbrar, literalmente, as fachadas das lojas - antes encobertas por barracas - e o espaço livre das calçadas, era evidente o sentimento de despedida, tanto nos que se foram, quanto nos que ficaram.

Gerente de uma grande loja de eletroeletrônicos, Paulo Leandro, 27, desejou sorte aos camelôs e revelou que eles eram parceiros das lojas, transmitindo segurança, visto que ajudavam a identificar elementos suspeitos nas proximidades.

Socorro Freitas, que vai para o camelódromo da rua Epaminondas, viveu quase todos os seus 45 anos de vida na Eduardo Ribeiro. Ela herdou do pai o ponto onde deu os primeiros passos, e depois, até ontem, onde era seu primeiro e único trabalho. “Quando eu tinha dois anos, meus pais me traziam para cá. Estou sofrendo muito. É como se estivesse perdendo um parente. Foi dessa calçada que tirei o sustento e dei educação aos meus filhos”, recorda Socorro.

Ela relembra 1989 quando o mesmo prefeito Arthur Neto retirou, à força, os camelôs. “Naquela época eu passei a vender tucumã, porque era mais fácil fugir dos fiscais, e acabei ganhando muito dinheiro porque vendia, tipo por encomenda, aos donos das lojas, mas sempre escondido”, conclui.

“A saída está tranquila, só alguns colegas bastante nervosos porque, convenhamos, é toda uma história de vida nas calçadas. Toda mudança gera um transtorno, mas, cremos que tudo vai dar certo”, revelou Givanildo Marcos Maia, presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes do Comércio Informal (Avacin).

Fim da sujeira

Há mais de 40 anos proprietário da “Superbanca” de revistas, na esquina da vias Eduardo Ribeiro e Henrique Martins, Alberto Amaral, 62, tem motivos óbvios para aprovar a saída dos camelôs do Centro.

“Vai acabar aquela fedentina de urina que a gente enfrentava toda manhã. Espero que o Centro fique mais humanizado como nos tempos em que aqui era o ‘Canto do Fuxico’ e as pessoas importantes se reuniam para conversar e esperar os jornais que vinham do Rio e São Paulo”, relembra Amaral.

Relógio vai ficar mais exposto

Desde 1947 que a família de Fausto Sado, 57, é responsável pela manutenção do Relógio da Matriz que após a saída dos camelôs, ganhou mais visibilidade. “Agora, este patrimônio histórico, que estava meio escondido, vai chamar mais a atenção dos turistas, mas, torço para que os nossos amigos camelôs se saiam bem”, destaca Sado.

Nas calçadas das avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro e Praça da Matriz permanecem apenas as bancas de revistas, autorizadas. Porém, deverão ser adequadas ao modelo das existentes nas praças controladas pela Secretaria de Estado da Cultura (SEC).

De acordo com a Secretaria Municipal do Centro (Semc), os vendedores ambulantes receberão uma ajuda de custo de R$ 1 mil por mês até que os pontos de venda definitivos fiquem prontos.

O prefeito Arthur Neto visitou os três espaços provisórios e conversou com os camelôs que aproveitaram o domingo para organizar as bancas. Ele ouviu revindicações e disse que atenderia as que fossem possíveis.