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Suspeita de surto de hepatite em Benjamin Constant, interior do Amazonas, por causa de lixão

Cerca de 30 crianças apresentaram os sintomas de hepatite A, somente em uma escola do município. Lixão localizado numa ilha no território peruano poderia estar causando a doença.


Lixão da vila de Islândia no bem na fronteira com o Brasil, que está a poluir o Javarizinho, braço do Rio Javari em Benjamin Constant

Lixão da vila de Islândia no bem na fronteira com o Brasil, que está a poluir o Javarizinho, braço do Rio Javari em Benjamin Constant (J. Ferreira/Colaborador)

Uma provável epidemia de hepatite A está atingindo as crianças do município de Benjamin Constant (localizado a 1.116 quilômetros de Manaus, região do Alto Solimões). Somente nos últimos 30 dias a secretaria de saúde do município informou que mais de quarenta pessoas estavam com sintomas da doença, sendo trinta deles somente na Escola Estadual Professora Rosa Cruz. A secretaria não descarta que o surto da doença pode estar sendo causado por um lixão localizado numa ilha no território peruano.

Das quarenta pessoas com suspeitas de hepatite A, dois casos da doença já foram confirmados. As pessoas com suspeita da doença fizeram exames sorológicos, que foram encaminhados ao Laboratório de Fronteira, em Tabatinga (distante 1.116 quilômetros de Manaus) e esperam o resulta que deve estar disponível na próxima sexta-feira (16).  

As aulas na escola Rosa Cruz estão paralisadas por ordem da Prefeitura do Município. Um exame foi feito na cisterna que fornece água para a escola e foram detectados coliformes fecais, mas não foi encontrado o foco da hepatite. A água consumida pelos alunos é captada da chuva. Um engenheiro da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) está sendo aguardado no local a fim de fazer a verificação na tubulação da escola para poder descartar qualquer tipo de foco da doença.

A Secretaria Municipal de Saúde de Benjamin Constant, juntamente com a Fundação de Vigilância Saúde do Amazonas (FVS-AM), monitoram os casos e já começaram um programa de prevenção nas escolas, Unidades Básicas de Saúdes (UBS) e principais locais do município conscientizando a população sobre a doença. Principalmente com cuidados de higiene pessoal, como evitar ingerir ou tomar banho nas águas do rio Javarizinho, braço do rio Javari, que banha o município.

Sintomas e informações sobre a doença 

Os sintomas da hepatite A geralmente são: cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômito, dores abdominais, peles e olhos amarelados, urina escura, fezes claras e sérios danos causados no fígado. A transmissão da doença se dá, geralmente, pela má higiene das mãos antes de comer e pelo consumo de alimentos ou água contaminados. A doença leva cerca de 40 a 60 dias para ser curada e, em apenas, 1% dos casos, destrói o fígado em apenas dois meses, podendo levar até a morte. São registrados por ano menos de 1,50 milhão de casos, a maioria em países em desenvolvimento.

A secretaria municipal pede aos moradores que caso sintam alguns dos sintomas citados procurem algumas das seguintes Unidade Básicas de Saúde: UBS Enfermeira Leontina Lima da Silva, UBS Alcino de Almeida Castelo Branco, UBS Sebastião Cruz Plácido, UBS Prim Assis e a UBS Colônia.

Lixão localizado no território peruano pode estar causando a epidemia

Próximo ao município de Benjamin Constant existe um lixão pertencente à cidade peruana de Islândia. Toneladas de lixo doméstico e hospitalar são depositadas num igapó (trecho de floresta alagada) que poderia ser o causador da epidemia no município amazonense.

Após denúncia feita em rede social por um dos vereadores do município - que alertava sobre o descaso no descarte do lixo produzido pelos moradores da cidade peruana -, o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) enviou em fevereiro deste ano, um técnico ao local para avaliar o impacto ambiental que o lixão poderia causar. Foi constatada, então, a gravidade do problema. “Benjamin Constant pode sofrer consequências de poluição hídrica e de patologias como a hepatite, cólera e outras mais”, alertou o fiscal.

Santiago Fernando Vasquez, prefeito de Islândia, afirmou que o problema do lixão de sua cidade é o reflexo da falta de integração entre os países para resolver os problemas comuns nas fronteiras. Desde 2011, se discute a possibilidade do lixo produzido em Islândia ser levado para Benjamin Constant, mas nada foi resolvido.  “Parece que as autoridades de nossos países não se deram conta dos nossos problemas. As leis que somos obrigados a cumprir não nos serve, não nos ajuda em nada” afirmou o prefeito.