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Suspeito de aplicar anabolizantes e silicone industrial em clínica clandestina é preso em Manaus

Rui Klinger Lima disse manter a clínica há mais de 10 anos. Ele responderá por exercício irregular da medicina, curandeirismo e lesão corporal

Anabolizantes, hormônios e silicone industrial eram comercializados e aplicados pelo suspeito

Anabolizantes, hormônios e silicone industrial eram comercializados e aplicados pelo suspeito (Reprodução/TV A Crítica)

Foi preso nesta quinta-feira (8), Rui Klinger Lima, suspeito de manter uma clínica clandestina de anabolizantes na rua Valeta, bairro Nova Cidade, Zona Norte de Manaus. Nela, ele supostamente vendia e aplicava, sem nenhum tipo de autorização, doses de hormônios e até mesmo de silicone industrial, produto tóxico usado para dar polimento em cerâmicas e carros.

O suspeito, que teria a clínica há mais de dez anos, alegou ter vários clientes, como homens e mulheres, entre eles várias dançarinas de forró. Os produtos eram guardados dentro de uma gaveta e eram aplicados em um cômodo cheio de mofo.

Entre as substâncias comercializadas por Rui estão medicamentos de uso veterinário e até o Cytotec, um medicamento para aborto. Ele também aplica o decanato de landrolona, que ele chama de “deca” e diz que é um hormônio feminino, bem como um produto referido apenas como “protótipo”, que ele alega ser um protótipo de vitamina.

Em abril de 2013, esse “protótipo” foi aplicado em uma universitária que não quis se identificar Quatro meses depois, ao constatar reações sérias na pele, ela consultou um médico e descobriu que o produto não se tratava de vitamina, mas de silicone industrial.

“Eu perguntei se tinha algum risco, se já tinha acontecido algum problema, e ele disse que não, que ele já trabalhava com isso há dez anos. Se eu soubesse que era silicone industrial, jamais teria deixado ele aplicar”, disse a universitária em entrevista exibida com exclusividade pela TV A CRÍTICA.

Ela também explicou que parte do seu cabelo chegou a cair por causa do produto. Segundo ela, ela pagara R$ 120 pela sua aplicação, mas desde então, já gastou mais de R$ 10 mil tentando reverter os seus efeitos.

“O primeiro risco é, localmente, você ter hematomas. É uma consequência do extravazamento da saída de sangue de dentro dos vasos, da veias, das artérias, pra fora daqueles órgãos. Aí, o organismo vai entender [o silicone] como um material estranho e vai começar a desenvolver uma reação do tipo corpo estranho. A longo prazo, podem se formar verdadeiros tumores ao redor dessas substâncias, que a gente chama de oleomas”, explicou o dermatologista Leandro Neves.

O decanato de landrolona, por sua vez, pode ser encontrado nas farmácias com o nome de Deca Durabolim, mas só pode ser adquirido com prescrição médica e só pode ser injetado por farmacêuticos e enfermeiros. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ele é um hormônio masculino sintético.

“Há casos descritos de embolia. Se você injeta [substâncias oleosas] de forma inadvertida dentro de um vaso, de uma veia, de uma artéria, [...] aquela bolha de óleo pode entupir uma artéria importante de um órgão vital, como o pulmão, o coração ou o cérebro, causando realmente até a morte”, alertou Leandro.

A situação da clínica espantou os fiscais que foram ao local. “Você ter porte de substância anabolizante, hormônio ou medicamento sem registro em território nacional é crime previsto no Código Penal e as irregularidades [nesse caso] são bastante extensas porque trata-se de um crime à saúde pública”, disse Fábio Markendorf, farmacêutico e fiscal de saúde da Departamento de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde (Dvisa/Semsa).

O suspeito confessou aplicar as substâncias em pessoas e foi conduzido ao 15º Distrito Integrado de Polícia. Ele deverá responder por vários crimes, entre eles exercício irregular da medicina, curandeirismo e lesão corporal.