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Tabloide diário inglês descreve Manaus como 'um dos lugares mais mortais da Terra'

Matéria publicada no site do The Daily Mirror descreve a capital amazonense como "um buraco de inferno controlada pelo crime", utilizando dados de homicídios para ilustrar seus argumentos. O isolamento e decadência da cidade também entram em foco

Apesar de mencionarem que Manaus foi um dia uma das mais ricas cidades do Brasil, por causa da extração da borracha, fala que atualmente é um dos lugares mais perigosos e brutais do País, onde “barões da cocaína assumiram controle”

Apesar de mencionarem que Manaus foi um dia uma das mais ricas cidades do Brasil, por causa da extração da borracha, fala que atualmente é um dos lugares mais perigosos e brutais do País, onde “barões da cocaína assumiram controle” (Reprodução/Internet)

Com o título “Manaus homicida: Torcedores ingleses enfrentam jogo da Copa do Mundo em um dos lugares mais mortais da Terra”, o site do tabloide diário britânico The Daily Mirror – que tem uma circulação diária de mais de 1 milhão de exemplares - lançou uma matéria neste domingo (8) alertando ingleses que pretendem assistir à estreia de sua Seleção na Copa do Mundo de 2014 sobre a capital amazonense, descrita no texto como um “buraco de inferno controlada pelo crime” e listada como a 11ª cidade mais perigosa do planeta.

Como argumentos, o repórter Patrick Hill usou o dado de que, em 2012, 945 homicídios aconteceram em Manaus, sendo que 70% deles estariam ligados ao tráfico de drogas. Mas o crime e a decadência da cidade não são os únicos pontos negativos da matéria, que passa a focar nos preços “absurdamente caros” cobrados aos turistas que visitam a cidade.

A reportagem diz que, na noite de sábado, apenas poucos quartos ainda estavam disponíveis na “cidade isolada”, onde “chefes de hotéis estão lucrando descaradamente ao cobrarem até £ 500 (cerca de R$ 1,9 mil) para uma noite num quarto básico” para uma data perto do jogo contra a Itália, no dia 14 de junho do próximo ano, além do vôo mais barato saindo de Londres, via Lisboa, sair a £ 1,200 (R$ 4,5 mil, aproximadamente).

Para ilustrar o isolamento de Manaus, a distância entre a capital e o Rio de Janeiro é enfatizada – onde demora-se quatro horas de avião ou dez dias, por estradas e rios, e ilustra Manaus com imagens de palafitas e favelas sobre os igarapés.

O texto volta a falar das favelas que comandam os “distritos sem lei” locais, dizendo que os casebres são pintados de cores diferentes para indicar à população que tipo de drogas eles vendem.

Apesar de mencionarem que Manaus foi um dia uma das mais ricas cidades do Brasil, por causa da extração da borracha, fala que atualmente é um dos lugares mais perigosos e brutais do País, onde “barões da cocaína assumiram controle”. “Eles são tão temidos que juízes são escoltados 24 horas por dia por uma equipe de elite da polícia”, escreve Hill.

Clima local inflamou debates

A matéria veio embalada pela discussão iniciada por Roy Hodgson, treinador da Seleção inglesa, e inflamada com a resposta do Prefeito de Manaus, Artur Neto. Assunto que, aliás, o tabloide britânico vem explorando bem nos últimos dias.

A matéria também cita a rusga entre o técnico e o político, dizendo que o Prefeito respondeu indignadamente à declaração de Roy, que por sua vez provocou fúria em Manaus. “Mas ontem (sábado, 7), ele (Artur Neto) parabenizou a Inglaterra por ‘ter o privilégio de jogar em Manaus’”, encerra a matéria.

Daily Mail também dispara contra

Em outra matéria também publicada neste domingo, desta vez no site do jornal Daily Mail, o jornalista Chris Pleasance, que assina a matéria, começa seu texto alertando aos torcedores britanicos o que eles devem encontrar em Manaus: tarântulas, escorpiões, cobras e insetos venenosos seriam presença no "estádio da selva brasileira".

Pegar raiva de cachorros de rua e o clima quente - junto com as doenças tropicais transmitidas por mosquitos, como febre amarela e dengue - também são preocupações expostas na reportagem. Juntos, números alarmantes de infecções e mortes ao redor do mundo ilustram o perigo de acompanhar os jogos da Seleção inglesa na Amazônia.

Finalizando a matéria estão o alarmante índice de crimes e homicídios e o alto valor cobrado para turistas.

Cônsul não dá crédito ao tábloide

O cônsul da Grã-Bretanha em Manaus, Vincent Brown, minimiza a situação. “De forma geral a imprensa inglesa é escandalosa, gosta de exagerar, e o Daily Mirror não é um dos mais confiáveis veículos”, afirma.

Brown cita que neste domingo, inclusive, estava lendo um artigo no site do The Telegraph - este sim um dos mais respeitados jornais britânicos -, que alertava para turistas tomarem cuidado com a malária quando estivessem em Manaus.

“De forma geral, não é um problema tão grave da cidade. O que está havendo é toda uma reação à resposta do Prefeito e da mudança de horários dos jogos, essas coisas Mas há muito desconhecimento quanto a Manaus, (a imprensa inglesa) não entende bem a situação e vende em função deste tipo de coisa”, acrescenta o cônsul, que mora há 23 anos na capital amazonense e ocupa o cargo desde 1994.

Ele, porém, afirma ser verdadeiro o valor exorbitante cobrado nos hotéis locais depois do Sorteio Final da Fifa. Um amigo pessoal seu pediu ajuda para encontrar quarto disponível para a semana da disputa entre Inglaterra e Itália e a busca surpreendeu Brown. “O St. Paul, na avenida Ramos Ferreira, já está cobrando R$ 1 mil por noite. Obvio que tem muita coisa acontecendo, mas está inacreditável”, completa.