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Tijolo está 20% mais barato no AM

Com a conexão da ponte consumidores podem adquirir produto direto das olarias de Iranduba (AM)

Olaria no município do Cacau Pirera

Olaria no município do Cacau Pirera (Ney Mendes)

A ponte Rio Negro não reduziu o preço do tijolo nas lojas de material de construção em Manaus, mas criou alternativas para o consumidor adquirir o produto até 20% mais barato, comprando diretamente das olarias.

Com o aquecimento da construção civil, algumas fábricas passaram a vender na própria cerâmica para o consumidor e outras a entregar na capital, “diminuindo a figura do atravessador”.

De acordo com a presidente da Associação dos Ceramistas do Amazonas (Aceram), Fabiana Vieira, o milheiro do tijolo é vendido de R$ 380 a 410, dependo da cerâmica, da qualidade do produto e da quantidade adquirida.

Para entregar em Manaus, o preço sobe para R$ 440 a R$ 450, mas ainda assim fica mais em conta que o preço médio no comércio de Manaus, que varia de R$ 480 a R$ 490. Todos os valores considerando preços à vista.

A olaria Rio Negro, que fica praticamente na “biqueira” da ponte, foi uma delas que encontrou um novo nicho de mercado para a produção de aproximadamente 620 milheiros de tijolo por mês. Além de vender para as lojas de material de construção, também comercializa agora para os consumidores.  

O produto é embalado e a partir de um palete - 500 unidades - o interessado pode levar o produto para casa. O milheiro custa R$ 405.

“A ponte mal abriu e os clientes que compram diretamente na fábrica já representam uns 15% das minhas vendas e a tendência é aumentar”, disse o proprietário da olaria Antônio da Mata, 48, conhecido como Toinho.

Ao contrário da Rio Negro, a cerâmica Nova Veneza possui transporte próprio e passou a fazer entrega na capital, a partir de quatro milheiros, com o valor de cada um variando de R$ 440 a R$ 450, conforme o endereço do cliente.

A olaria Montemar, que já entregava a partir de um milheiro antes da ponte, vende por R$ 450. “Se o consumidor tiver veículo próprio para buscar o tijolo aqui sai mais barato, caso contrário não vale a pena pagar frete”, avaliou a presidente da Aceram Fabiana Vieira.

O movimento lá do outro lado, no polo oleiro de Iranduba e Manacapuru, deve influenciar futuramente nos preços  em Manaus, inclusive nas lojas. Apesar do ganho logístico - ficou consideravelmente mais rápido e não paga os R$ 50 de frete do caminhão na balsa, por enquanto, os preços permanecem os mesmos.

“Existe uma perspectiva de baixar de 5% a 10% no ano que vem. Acho que é apenas uma questão de encaixar as coisas”, disse o conselheiro da Associação dos Comerciantes de Material de Construção (Acomac), Jorzeti Fernandes, da Casa da Telha.

A presidente da Aceram discorda da situação. Ela acredita em alta, tendo em vista o antigo problema com o material de queima. Além de escassos, estão mais caros.

A carrada do cavaco que custava até R$ 1.200 agora não saí por menos de R$ 1.400. A carrada do palete que custava até R$ 350 está R$ 50 mais cara.

Alta demanda esgota produto
Com a abertura da ponte, caminhoneiros passaram a pegar tijolos do outro e vender em Manaus e outros intensificaram a prática. O problema, é que como a maioria das olarias trabalha em cima de uma programação para atender a demanda da clientela fixa - lojas, depósitos, construtoras, e com o início das chuvas diminui a produção, às vezes falta tijolo para vender no varejo.

O caminhoneiro Juracir José da Siva, 64, costuma trocar as madeiras de resíduos de construção de Manaus por tijolo nas olarias, que posteriormente é revendido às lojas de material de construção e ao consumidor final.

Mas na manhã desta quinta-feira (24), nem tentando comprar a dinheiro ele conseguiu o produto. Na capital, ele entrega a partir de dois milheiros ao preço que varia de R$ 450 a R$ 470.

“Rodei três olarias aqui no Cacau Pirera e não consegui nada. Com a ponte tem mais gente procurando e com a chuva a produção diminui aí fica mais difícil a compra avulsa”, disse Juracir.

O caminhoneiro Marcelo Teles, 38, faz entregas da Olaria Rondônia e tem as suas vendas próprias. Ele vende a partir de dois milheiros e cada um custa de R$ 430 a R$ 440. Antes da ponte, Marcelo fazia uma entrega própria, um caminhão com dez milheiros, e agora são duas - boa parte para consumidores e lojistas das zonas Norte e Leste de Manaus.

“Depois da ponte melhorou muito o acesso: ficou mais rápido e mais barato a travessia pois não tem frete. Mas não dá para vender mais barato agora porque nos últimos meses o tijolo aumentou. Há quatro meses eu vendia por R$ 410, R$ 420”, contou.
    
Produtores apostam em Janauari
Os lojistas querem aproveitar  o término do aquecimento de fim de ano e ver como o mercado se comporta. “O que vai resolver definitivamente o nosso problema é o polo ceramista no Janauari (comunidade por onde passa o duto do gás)”, disse Toinho.