Tombamento do Centro Histórico de Manaus será votado nesta quinta-feira pelo Iphan

Para o Iphan, Manaus pode ser vista como um espaço urbano composto por monumentos, arquitetura corrente e áreas livres públicas

Rua Bernardo Ramos, no Centro de Manaus, considerada uma das áreas mais antigas da zona urbana da capital amazonense

Rua Bernardo Ramos, no Centro de Manaus, considerada uma das áreas mais antigas da zona urbana da capital amazonense (Antônio Lima)

O tombamento do Centro Histórico de Manaus está na pauta de discussão e votação do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que acontece nesta quinta-feira (26), na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília. A informação foi divulgada pelo Ministério da Cultura.

De acordo com o dossiê de tombamento elaborado pelo Iphan, a área a ser tombada representa um dos maiores testemunhos de uma fase econômica ímpar no Brasil: o período da borracha.

O tombamento do Centro Histórico de Manaus faz parte da política do Iphan de ampliar as áreas protegidas em todo o país, com ênfase nas regiões Norte e Centro-Oeste.

Na capital amazonense, a área compreendida entre a orla do Rio Negro e o entorno do Teatro Amazonas é a que ainda mantém os aspectos simbólicos e densos de realizações artístico-construtivas.

A preservação deste núcleo, que configura o coração urbano da cidade, garante a manutenção de seu patrimônio singular e integro, e inclui Manaus no rol das cidades históricas do Brasil.

De acordo com o parecer do Iphan, Manaus pode ser vista como um espaço urbano composto por monumentos, arquitetura corrente e áreas livres públicas, formando um conjunto que celebra e representa o ecletismo no norte do país, o que justifica o pedido de tombamento com a inscrição no Livro de Tombo Histórico e no Livro de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.

“Mesmo que fragmentada, Manaus ainda possui um vocabulário arquitetônico vasto e diversificado, com representação de todas as correntes ecléticas e a verticalização ainda não compromete a percepção do espaço criado na Belle Époque”, diz o parecer.

Desenvolvimento

Fundada em 1669 a partir do forte de São José da Barra do Rio Negro, a sede da Capitania, e a sede da Província, foi estabelecida na margem esquerda do rio Negro.

Com a proclamação da República, em 1889, Manaus passa a capital do Estado do Amazonas, época em que a borracha, matéria-prima da indústria mundial, era cada vez mais requisitada.

A partir de 1892, o governo de Eduardo Ribeiro elaborou um plano para coordenar o crescimento. Manaus ganhou o serviço de transporte coletivo de bondes elétricos, telefonia, eletricidade e água encanada, além de um porto flutuante, que passou a receber navios de diversas bandeiras.

Em 1910, Manaus ainda vivia a euforia dos preços altos da borracha, quando foi surpreendida pela fortíssima concorrência da borracha natural plantada e extraída dos seringais da Ásia, que invadiu os mercados internacionais.

Atualmente, os imóveis históricos, em sua maior parte, estão entre a Avenida Eduardo Ribeiro e a Rua Leonardo Malcher. Do núcleo colonial, resta apenas o traçado urbano, orgânico em contraponto ao traçado planejado, ainda no século 19.

Na arquitetura, uma boa quantidade de edifícios ecléticos ainda está preservada. O centro histórico de Manaus no século 21 apresenta uma porção urbana formada por edificações do período áureo mesclada a edifícios modernos.

Conselho

Também está na pauta da reunião do Conselho Consultivo em Brasília a proposta de tombamento dos centros históricos de Antonina, no Paraná, e das cidades piauienses de Oeiras e Piracuruca.

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, presidido pelo presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, é formado por 22 especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia.


 


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