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Transplantes com órgãos de pessoas vivas provam que o amor ao próximo existe

Doações, como o caso dos rins, são uma alternativa importante ao tratamento convencional da insuficiência renal crônica. De 2002 até este ano, o Amazonas já realizou cerca de 235 procedimentos

No único hospital credenciado para realizar transplantes de rins no Amazonas, uma equipe médica atende o paciente doador e outra equipe trabalha no receptor em operações que acontecem paralelamente

No único hospital credenciado para realizar transplantes de rins no Amazonas, uma equipe médica atende o paciente doador e outra equipe trabalha no receptor em operações que acontecem paralelamente (Márcio Silva/AC)

A segunda quinzena do próximo mês de março deverá ser muito especial na vida de Natália Mêne, 43, especialista em turismo. Se os diversos exames realizados indicarem a possibilidade, ela doará um dos seus rins para o sobrinho Aluney Elferr Júnior, 17.

Desde os 10 anos de idade, o adolescente apresenta uma deficiência renal identificada como glomérulo esclerose, que provoca a falência dos órgãos. Em 2012, a medicação não estava mais sendo suficiente e passou a fazer hemodiálise, pois a medicação não estava mais garantindo o funcionamento dos órgãos vitais.

Irmã da mãe do garoto, Natália é a única entre quatro irmãos que, além de ter o mesmo tipo sanguíneo do jovem, não apresenta contra-indicações para o procedimento. Ao saber disso, não teve dúvidas. Mãe de um menino de sete anos, diz ter ficado feliz com a descoberta de poder salvar a vida do sobrinho, que passa quatro horas na máquina três vezes por semana fazendo hemodiálise. “Sei que essa doação poderá dar vida nova a ele e é isso que farei”, explica ela, que é diretora de eventos da Secretaria de Estado da Cultura (SEC).

Pré-natal

Quando acontecerem, as cirurgias em ambos serão paralelas e a expectativa da família e dos médicos é de que Aluney tenha assegurado o direito de viver recebendo um rim em plenas condições de funcionamento. No Hospital Samaritano, em São Paulo, onde faz os exames para doar o órgão para o transplante, juntamente com o sobrinho, Natália diz se preparar como se fosse um para um pré-natal.

“É uma sensação de muita emoção, de você poder pensar que vai ter outro filho, porque é como se estivesse fazendo um preparatório para isso”, afirmou ela, dizendo achar estranho algumas pessoas se assustarem com a “coragem” dela de fazer a doação. “Mais do que coragem, acredito no amor e acredito em Deus, que está no comando desse processo”, assegurou Natália, cuja decisão levou em conta também o fato de ter um filho saudável e bonito e de não pretender mais ser mãe.

Após exames que a investigaram dos pés à cabeça, Natália, que ainda espera alguns resultados para a cirurgia, conta que no hospital existem casos do Brasil inteiro, inclusive de bebês fazendo hemodiálise. A semana passada, por exemplo, foi de muita emoção, segundo contou, pois uma criança de Macapá foi transplantada e passou mal, fato que reuniu todos numa corrente de fé e oração para que o garoto sobrevivesse, o que acontece.

“Agora vou visitá-lo”, disse ela, para quem a retirada do rim será, na verdade, uma conta de reposição. “Quero ver a alegria dele, que está no último ano do ensino médio, continuar para fazer faculdade”, exemplificou.

Inesperado

Ao afirmar nunca ter pensado que na família fosse acontecer um caso desses, hoje, convivendo no Hospital Samaritano, Natália revela ser capaz até de doar para um estranho. Na mente dela, está a imagem de um garoto já transplantado que antes disso, ao vê-la, pediu que se rim dela se não servisse para o sobrinho, se o daria a ele. Com lágrimas nos olhos, Natália não teve dúvidas e respondeu da única forma que poderia: Sim. No único hospital credenciado para realizar transplantes de rins no Amazonas, uma equipe médica atende o paciente doador e outra equipe trabalha no receptor em operações que acontecem paralelamente.

Transplantes

O transplante renal intervivos é uma alternativa importante ao tratamento convencional da insuficiência renal crônica, por evitar a ida ao banco de espera de doador. E o Estado do Amazonas já realiza esse procedimento desde 2002. Desse ano até 16 de fevereiro de 2014, já foram 235 procedimentos realizados, revelou a coordenadora estadual de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), médica Leny Passos.

Segundo ela, embora seja um ato complexo, o transplante é capaz de prolongar a vida de um paciente renal e garantir ao doador, desde que acompanhado periodicamente por médico, uma vida normal. A expectativa quanto aos resultados após o procedimento cirúrgico é simples para o doador, que logo recebe alta. O receptor tem que passar por um acompanhamento intensivo visando evitar que o organismo rejeite o transplante, mas para evitar isso o paciente transplantado recebe medicação especial, com excelentes resultados.