Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Vila Olímpica de Manaus tem bebedouros com água contaminada

 Laudos de três análises realizadas entre agosto de 2013 e janeiro de 2014 atestam que água da Vila Olímpica contém resíduos de fezes

Uma das exigências sanitárias após os laudos que atestaram contaminação na água da Vila Olímpica foi substituir bebedouros danificados ou com pontos de oxidação

Uma das exigências sanitárias após os laudos que atestaram contaminação na água da Vila Olímpica foi substituir bebedouros danificados ou com pontos de oxidação (Bruno Kelly)

A Fundação Vila Olímpica, que abriga nas suas dependências projetos do Governo do Estado como o Centro de Treinamento de Alto Rendimento da Amazônia (CTARA), está servindo água com coliformes fecais para atletas profissionais e amadores que treinam no local.

Três pareceres do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) apontam que desde agosto de 2013, pelo menos, a água servida nos bebedouros e torneiras da Vila Olímpica é imprópria para o consumo humano.

Na primeira análise, realizada em agosto (Parecer Técnico nº 095/2013), o resultado foi alarmante. Em todas as amostras foram encontradas bactérias do tipo Escherichia coli. O que indica contaminação da água por fezes.

A Escherichia coli é uma bactéria que vive habitualmente dentro dos intestinos dos mamíferos. E é eliminada nas fezes. Na análise de agosto, as coletas foram feitas no bebedouro do refeitório, na cozinha, nos bebedouros da quadra e do estacionamento da Vila Olímpica.

Outra falha que as análises apontaram foi a ausência de cloro na água, em todas as amostras. O normal é que a água tenha de 0,2 a 2,0 mg/L de cloro. A exigência consta na Portaria do Ministério da Saúde 2914, de 12 de dezembro de 2011, que estabelece padrões de aceitação da água para consumo humano.

Em novembro de 2013, três meses depois das primeiras análises, os resultados foram os mesmos. Três amostras foram acrescentadas às analisadas em agosto (bebedouros da pista de caminhada, da piscina e torneira da lanchonete). Todas tinham a presença de coliformes totais (diferentes tipos de bactérias) e de Escherichia coli.

Após o primeiro e o segundo parecer, a primeira medida que o setor de vigilância de água, solo e ar do departamento da Semsa foi pedir para a direção da Vila Olímpica suspender imediatamente o fornecimento de água destinada ao consumo humano. A medida não foi cumprida. O local é abastecido por água de poço.

A terceira análise da água servida na Vila Olímpica foi realizada este ano, no dia 16 de janeiro. E o resultado continuou preocupante. Foram encontrados coliformes totais e Escherichia coli nas amostras dos bebedouros das quadras e da pista de caminhada. E ausência de cloro em todas as sete amostras. O laudo dessa última análise foi concluído no dia 14 de fevereiro.

O setor de Vigilância de Água, Solo e Ar fez 11 exigências à direção da Vila Olímpica. Uma delas foi fazer imediatamente e a cada seis meses a limpeza dos poços, reservatórios, canos e torneiras. Outra exigência foi a limpeza e desinfecção de bebedouros e implantar um sistema de desinfecção (clorador) na saída do poço.

Na quarta-feira, a reportagem esteve na Vila Olímpica. E a maioria das pessoas, entre elas crianças, consumia a água do local desconhecendo os problemas identificados pela Semsa.


Água é de qualidade, diz diretor

O diretor-presidente da Vila Olímpica, Aldemar Amazonas, informou, na quinta-feira, que está tomando as medidas necessárias para melhorar a qualidade da água servida no local.


Uma das medidas foi realizar a limpeza dos dois poços, das cisternas e das caixas d’água. Até então, um dos poços era lavado uma vez por ano, informou o diretor-presidente.

Outra medida, segundo Aldemar, foi a substituição dos bebedouros. “Pediram para trocarmos os bebedouros com torneira por aqueles de jato”, disse o diretor-presidente.

Para Aldemar, a água servida no local é de qualidade. Apesar dos resultados das inspeções do setor de vigilância de Água, Solo e Ar da Semsa acusarem que não. “A água tem qualidade. A inspeção da Semsa apresentou irregularidades. Mas não quer dizer que hoje esteja. Todos nós que lá trabalhamos lá utilizamos a água dos bebedouros na comida. E não tem acontecido nada”, defendeu Aldemar Amazonas.

Segundo o diretor-presidente, a pedido dos técnicos da Semsa, torneiras para coleta de água estão sendo instaladas nas saídas dos poços, das cisternas e das caixas d’água. O procedimento permitirá identificar onde exatamente a água está sendo contaminada.


Exame e remédio para prevenir

Afirmando ter conhecimento da qualidade ruim da água na Vila Olímpica, o professor de Educação Física Valdeci Guedes disse que os atletas que ele treina fazem exames periódicos de sangue, fezes e urinas. “Porque a gente sabe que uma crise grave de ameba pode até matar. Então, oriento que eles façam exames e tomem algum vermífugo (remédio para verme)”, contou o professor.

Valdeci treina atletas de alto rendimento. Na quarta-feira, quando a reportagem esteve na Vila Olímpica, ele preparava Ana Paula Feitoza, de 17 anos. Ela vai representar o Amazonas no Sulamericano de Cross Country. A prova dela será realizada hoje, em Assunção, no Paraguai. 

A engenheira de pesca Lenize Araújo tem dois sobrinhos que fazem aulas de Judô e Ginástica Olímpica na Vila Olímpica. Um garoto de 6 anos e uma menina de 9. Ela lamentou saber que as crianças têm ingerido água contaminada.

“É um absurdo. Porque quando falamos em esporte, pensamos em saúde. E isso é totalmente o contrário. Um local onde as crianças vêm em busca de saúde colocá-las em risco”, comentou Lenize Araújo.


Em números

5 mil É a média mensal de pessoas , entre atletas e comunitários, que utilizam as instalações da Vila Olímpica. O local abriga ainda a sede da Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer.