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'Viver Melhor': população beneficiada reclama de problemas e irregularidades do residencial

Infiltração nas paredes e teto, mofo e rachaduras são apenas alguns dos problemas na estrutura dos abrigos. Moradores também denunciam que ruas do local servem de centro de treinamento para autoescolas

Simone Silva divide o dia dela entre a filha de oito meses e o teto da casa, que há um ano sofre com uma forte infiltração

Simone Silva divide o dia dela entre a filha de oito meses e o teto da casa, que há um ano sofre com uma forte infiltração (Clóvis Miranda)

Um ano e três meses após a entrega das primeiras 3.511 unidades habitacionais do residencial Viver Melhor, na Zona Norte, o sonho da casa própria longe de áreas de riscos e do aluguel se tornou um pesadelo para várias famílias. Desde o recebimento dos imóveis da primeira etapa, os moradores enfrentam uma via crúcis para resolver problemas que surgiram nas moradias, mas sem estimativa de solução. Entre eles: infiltração nas paredes e teto, seguido de mofo, transbordamento de cisternas, água que retorna do esgoto por pias, ralos e vasos sanitários, além de rachaduras.

Em alguns casos, considerados mais graves, os moradores só foram atendidos porque acionaram a Justiça do Estado que determinou que os respectivos reparos fossem feitos, como afirma a doméstica Alessandra Santos, 34. Pedaços do teto do apartamento em que ela mora estavam caindo com a água que não parava de pingar. A moradora, após várias tentativas, conseguiu, por meio da Justiça, que o problema em seu imóvel fosse solucionado.

Os moradores que continuam prejudicados alegam que procuraram a Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab), além do escritório da construtora responsável pela obra, mas não tiveram solução. Eles guardam, inclusive, os protocolos de reclamação realizados com a “ficha para identificação das ocorrências existentes”, documento disponibilizado pelo Estado para que informem os problemas para as devidas providências.

A doméstica Simone Imbiriba da Silva, 33, vive uma das situações mais graves e guarda o registro da reclamação que fez, mas que também ficou sem solução. Em dezembro de 2012 ela foi beneficiada com um apartamento no térreo do bloco 328, na quadra 24, junto com o marido e duas filhas. Porém, apenas 15 dias depois da mudança para o imóvel o teto começou apresentar infiltração severa. Há um ano e três meses o teto do quarto que deveria ser das filhas é um espaço inutilizável porque não para de pingar água. Ela estava grávida da terceira filha quando mudou para o apartamento e diz que procurou a construtora, bem como a Suhab, mas não foi atendida.

“Parecia um sonho quando mudei, mas se tornou um pesadelo que dura até hoje. Não sei mais o que fazer ou a quem recorrer. A construtora mandou dois funcionários no meu apartamento, mas quando viram o problema disseram que não era com eles e está assim até hoje”, desabafou.

Simone precisa cuidar da filha de oito meses enquanto limpa o quarto inúmeras vezes durante o dia. Ela perdeu as contas de quantos baldes e bacias cheias de água retirou do quarto. Ela dorme com a família de forma improvisada apenas em um quarto e quando acorda o outro quarto está “alagado”. A água que cai do teto invade a sala. O problema está cada vez pior porque passou para o banheiro e para o único cômodo onde pode dormir com a família. “Em breve não temos onde ficar no apartamento porque em todo lugar vai estar pingando’, disse.

Autoescolas promovem a ilegalidade

As ruas do residencial estão sendo usados como centro de treinamento para novos condutores por autoescolas, conforme denúncia dos moradores. O residencial concentra ruas largas e uma grande avenida que caíram na preferência de instrutores para ensinar alunos.

Porém, após a morte de uma criança de dois anos, vítima de atropelamento, no último sábado, os moradores alegam não aceitam mais imprudência e farão uma manifestação para cobrar sinalização e fiscalização dos órgãos responsáveis. A criança foi atropelada por um homem de 22 anos que não poderia estar dirigindo porque não tem Carteira Nacional de Habilitação.

Muitos moradores são os autores das inúmeras irregularidades, no trânsito, no residencial. É quase uma regra própria no local motociclista não usar capacete, andar em alta velocidade e não ser habilitado.

“Parece mentira, mas em área residencial tivemos vários acidentes. Ninguém respeita porque aqui impera o “samba do criolo doido” porque as leis só servem para fora do conjunto. Aqui não existe lei de trânsito, muito menos fiscalização e olha que fica bem perto da barreira”, disse o morador Afonso Pereira, 46.

 ‘Fomos jogados aqui’

Os moradores têm em comum o discurso de que foram “jogados no local e que se sentem abandonados pelo Estado”. Eles dizem que qualquer resposta que precisam, seja de concessionárias ou secretarias responsáveis, demora a chegar. A doméstica Adelaide Rodrigues da Silva, 40, por exemplo, está há seis meses esperando por uma resposta para o corte de uma árvore morta que está com risco iminente de tombar sobre a casa dela.

Adelaide procurou a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) que emitiu a autorização de corte e informou que não faz o procedimento, uma missão do Corpo de Bombeiros em caso de emergência.

“Está provado que a árvore está podre e se ninguém fizer nada, vai cair em cima da minha casa e isso não é emergência? A Semmas atendeu meu pedido e procurei tanto os bombeiros quanto a Defesa Civil, mas um me joga para o outro e nada é resolvido”, disse.

Particular

A comerciante Alessandra Santos, 34, reclama da espera para a limpeza das fossas sépticas, unidades de tratamento primário de esgoto doméstico.

“Todo mundo aqui paga taxa de esgoto de 100% para que a limpeza das fossas seja feita, mas elas enchem e ficam transbordando e mesmo ligando a concessionária demora vários dias para um técnico vir. Tive que pagar um serviço particular, caso contrário, não teria resolvido meu problema. Isso não pode ser sempre”, questionou Alessandra, reafirmando os demais problemas do residencial.