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Sete homens arrombam casa e agridem mulheres com facões e pedras em reintegração ilegal

Todos os suspeitos são de uma mesma família e tentaram, à força e sem ordem judicial, tomar a posse de imóvel, em Manaus. A casa foi totalmente destruída e as vítimas sofreram escoriações por todo corpo. Dois deles já tinham “ficha suja”

O caso foi parar na delegacia

O caso foi parar na delegacia (Lucas Silva)

Sete homens de uma mesma família se armaram com terçados, pedras e possivelmente um revólver para reintegrarem, à força e sem ordem judicial, uma casa na rua Elisa Lispector (antiga Santa Helena), no conjunto Parque São Pedro, bairro Tarumã, na Zona Oeste da capital, na manhã desta sexta (2). Duas mulheres que moram na casa foram golpeadas com facões e tudo destruído. O caso foi parar na delegacia.

O patriarca da família, Jakson Gomes do Nascimento, mobilizou três filhos e mais quatro parentes para tomar de volta a casa que ele diz ser dele. “Meu pai comprou a casa já tem dois anos e ele adoeceu. Ele pediu para ela (vítima) sair da casa, mas ela disse que tinha comprado a casa. A ‘peia’ foi pouca. Sou sobrinha de uma desembargadora”, defendeu a filha de Jakson, Elisângela Nascimento, 38, na delegacia.

Os filhos de Jakson, Elijarde de Castro Rofe do Nascimento, 31, Elimar de Castro Rofe do Nascimento, e Jakson Gomes do Nascimento Filho, 26; e os parentes Alessandro Radames Pinheiro Mota, 30, Edson Pereira Lima, 40, Emerson Amaral de Castro, 33, e Juarez Pereira Guimarães, 43, foram levados por PMs da 20ª Companhia Interativa Comunitária ao 20º Distrito Integrado de Polícia para prestar esclarecimentos.


As vítimas, Sâmela Leão dos Santos, 22, e Yamines Freitas Monteiro, 32, sofreram escoriações pelos ombros, quadris, perna e cabeça. “Acordamos com um monte de homem invadindo a casa. Ele bateu com uma perna-manca na minha cabeça, quebraram minha porta. O que me revolta é que foram todos eles contra nós, mulheres. Eles destruíram o que eu levei anos para construir, e não foi a primeira vez que fizeram isso”, disse Sâmela.

A casa das vítimas já tinha sido invadida, mas pela primeira vez, em uma atitude ousada do grupo, as moradoras acabaram como vítimas de agressão física. A porta da residência, de ferro, foi arrombada e retorcida; a parede da casa, de alvenaria, foi parcialmente derrubada; e por todo o imóvel havia destruição, como vidros quebrados, destroços de tijolo e cimento, objetos pessoais espalhados.

“Lá é pequeno. Mora eu, ela e meu filho de cinco anos. Graças a Deus ele estava na casa da minha mãe quando isso aconteceu”, contou Sâmela. “Eles jogaram pedra. Fomos surpreendidas com eles armados entrando na casa. Tem testemunhas: os vizinhos viram tudo, filmaram e chamaram a polícia”. Os moradores da rua Santa Helena até fizeram um abaixo-assinado apoiando a permanência de Sâmela no local.

“Quando a polícia chegou, eles entraram no carro e fugiram. Um homem grande estava com a arma, mas eles não encontraram o revólver”, disse Yamines. A polícia revistou três veículos da família e encontraram apenas os três facões terçado usados no crime, mas não acharam arma de fogo. Na delegacia, o titular do 10º DIP, Paulo Benelli, ouviu todos os envolvidos.

“O Jackson disse que foi tentar reaver a casa, que era um box de uma feira improvisada. Ele diz que ali é dele e tentou fazer reintegração forçada com os sete homens. Ela fechou o box e transformou em casa”, contou Benelli. Segundo o delegado, uma audiência no 20º DIP estava marcada para o dia 30 de abril, mas Jakson não compareceu e, por isso, outro encontro estava marcado para o mês de maio. “Porém, ele resolveu agir assim antes da audiência”.


‘Ficha suja’

Todos os sete homens assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência e responderão, em liberdade, pelos crimes exercício arbitrário das próprias razões, dano e lesão corporal. O crime sofrido pelas vítimas também não pôde ser enquadrado como tentativa de homicídio, invasão domiciliar, nem formação de quadrilha.

“Não coube formação de quadrilha porque eles não tinham a intenção de realizar crimes (em grupo), e sim de cometer somente este ato”, disse Benelli. Porém, ao verificar a ficha de cada deles, o delegado constatou que os dois filhos de Jakson tinham “ficha suja”. Elimar estava foragido da Justiça pelo crime de tráfico de droga, de 2012, e Elijarde cumpre pena no regime semiaberto por roubo.

À Justiça

Além da filha de Jakson, Elisângela, nenhum dos sete suspeitos do crime concordaram falar com a reportagem, após serem orientados por um advogado. As duas vítimas, Sâmela e Yamines, disseram que compraram o imóvel de um homem chamado Raimundo Gomes da Silva pelo valor de R$ 5 mil. Elas têm documento de posse do local e comprovantes de água e outros impostos. A duas vão recorrer até à Justiça para resolver o problema.