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Família de catadores de resíduos recicláveis realiza sonho durante a Copa do Mundo em Manaus

Filho de catadores de resíduos recicláveis entra em campo, na Arena da Amazônia, e realiza o sonho dos pais, enquanto eles trabalham no entorno do estádio

Um dos adolescentes escolhidos para levar a bandeira de Portugal até o campo da Arena da Amazônia, no jogo entre a Seleção portuguesa e os Estados Unidos, neste domingo, Lucas (ajoelhado) contou ter realizado o sonho de toda a família

Um dos adolescentes escolhidos para levar a bandeira de Portugal até o campo da Arena da Amazônia, no jogo entre a Seleção portuguesa e os Estados Unidos, neste domingo, Lucas (ajoelhado) contou ter realizado o sonho de toda a família (Márcio Silva)

Amantes de futebol como todo bom brasileiro, uma família de catadores de resíduos recicláveis da Zona Leste vive a emoção de participar de um dos maiores eventos do mundo. Mãe de seis filhos, Alzenira da Silva Araújo, 41, há 15 anos trabalha como catadora e, junto com o marido e os filhos, foi uma das famílias escolhidas para trabalhar no entorno da Arena da Amazônia Vivaldo Lima.

Se participar da Copa do Mundo trabalhando é emocionante, imagine tendo a oportunidade de ver um dos filhos carregando a bandeira de uma das seleções, no caso a de Portugal, até o campo. Sorteado para ser um dos dois adolescentes manauenses que terão esse privilégio, o estudante Lucas da Silva Araújo, 15, diz que dormiu pouco desde que recebeu a notícia e que essa, com certeza, é uma das maiores emoções que já viveu.

A família, que ama futebol e que não dispensa uma boa partida na TV ou no campinho próximo de casa, estava trabalhando no momento em que Lucas entrou em campo, mas isso não diminuiu o orgulho da mãe, que comemorou muito a conquista do filho. “O que ele conseguiu muitas crianças gostariam de ter e vai ficar guardado em um lugar especial do coração dele”, declarou Alzenira, emocionada.

Ídolo

Antes do jogo entre Portugal e Estados Unidos, Lucas contou que tentaria chegar perto do melhor jogador do mundo, o ídolo Cristiano Ronaldo, para fazer uma foto, mas que não sabia se ia conseguir. “Não sei se vou conseguir a foto, mas só de ver o melhor jogador do mundo de perto já fico muito agradecido”, disse Lucas.

A família dele, que tem trabalhado até de madrugada nos dias de jogos na Arena e no Fifa Fan Fest, diz que a atividade de catador de resíduos ainda sofre muito e é pouco valorizada. Para eles, o preconceito ainda está muito presente no dia a dia, mas isso não desanima. “Sou uma privilegiada, pois nenhum dos meus filhos seguiu pelo caminho errado. Eles foram crescendo e fazendo do trabalho meu e do pai deles motivo de orgulho, porque nunca nos faltou nada”, disse.

Para Sarah da Silva Araújo, 17, o apelido de ‘lixeira’, que ela ganhou na escola, ficou no passado. O tempo fez com que todos reconhecessem a importância do trabalho da família. “Só tenho a agradecer pela família que tenho e por ser catadora, pois isso é importante para nós e para o meio ambiente. Cuidamos por nós e pelos outros”, acrescentou Sarah.

Paixão pelo futebol vai além dos laços de sangue


O amor pelo futebol na família do casal Alzenira e Elemir não está restrito a Lucas, que teve a oportunidade de ver de perto o ídolo Cristiano Ronaldo. O pequeno Gabriel segue os passos dos irmãos e não larga a bola de futebol. O principal sonho, como a maioria dos meninos de oito anos, é ser jogador de futebol. Para o pai do menino e os amigos, o pequeno leva jeito e tem tudo para lutar por um espaço nos gramados.

E, se depender do amor da família, Gabriel vai chegar longe, pois o menino é “lutador” desde que nasceu. Abandonado com quatro meses no ponto de coleta seletiva do bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste, Gabriel foi acolhido pela família da catadora Alzenira e virou o caçula.

Segundo Alzenira, a mãe biológica de Gabriel era usuária de drogas e costumava ficar nas proximidades do ponto de coleta e esse teria sido o motivo principal para ter abandonado o filho. Ainda segundo Alzenira a mãe nunca procurou o filho e o menino foi registrado como filho do casal. “O Gabriel chegou para completar a famÍlia e o amor que tenho por ele é o mesmo que tenho pelos outros”, disse a catadora.

Depois de Gabriel, a família aumentou um pouco mais e Alzenira adotou o primo do pequeno Gabriel, que de acordo com ela foi mais um “presente de Deus”.

Outra que não dispensa uma boa partida de futebol é a filha mais velha do casal, Shayda da Silva Araújo, 19, considerada pelos amigos, vizinhos e familiares ótima jogadora, que se destaca nos campeonatos que participa na escola e no bairro. Segundo Alzenira a filha já foi convidada para fazer testes em times profissionais, mas preferiu continuar trabalhando com os pais, na coleta de produtos recicláveis.