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Feirantes e canoeiros duelam por venda de peixe em Manaus

Vendedores ambulantes que utilizam canoas oferecem melhores preços e conquistam freguesia. Feirantes do mercado municipal Adolpho Lisboa se sentem prejudicados

Com a subida das águas do rio Negro, as canoas chegam na rua Tabelião Lessa e ficam a um passo dos consumidores

Com a subida das águas do rio Negro, as canoas chegam na rua Tabelião Lessa e ficam a um passo dos consumidores (Luiz Vasconcelos)

Em um dos mais modernos e tradicionais cartões postais da cidade, o mercado municipal Adolpho Lisboa, os feirantes reclamam da concorrência desleal de vendedores ambulantes que utilizam canoas para comercializar o peixe ao lado do Mercadão.

Com o nível do rio Negro ultrapassando a cota de 28 metros, pescadores e vendedores ambulantes conseguem chegar mais perto do consumidor. Na travessa Tabelião Lessa, ao lado do mercado, o peixe está bem mais barato para o consumidor.

O feirante Orlandinaldo Costa Servalho, 34, morador do bairro Cidade de Deus, Zona Leste, diz que os peixes vendidos fora do mercado não tem qualidade. “Eles tratam o peixe com água suja que pegam da beira do rio. E são peixes de fundo de caixa, peixes velhos, por isso é barato”, afirmou o comerciante .

Evania Costa, 33, que morar no Japiim II, Zona Sul, que trabalha vendendo peixe ao lado do mercado, disse que não ganha muito com a venda de peixe mais barato. “O pessoal lá de dentro (do mercado) cobram muito caro. Aqui a gente ganha pouco, R$ 2 a R$ 3 por peixe, mas vende. É melhor vender que estragar”, afirma a vendedora Evania .

Mesmo com a falta de estrutura do local, muitos consumidores, como o autônomo Verdi Pereira , 77, que mora no bairro da Paz, Zona Centro-Oeste, são atraídos pelo baixo valor do pescado. “Aqui o preço é bem mais em conta, está bom. Lá dentro o preço é mais caro do que aqui fora”, atestou.

Os permissionários da feira da Manaus Moderna também são afetados e os feirantes afirmam que estão no prejuízo. De acordo com o feirante Edilson Alves, a venda nas canoas é irregular e predatória dos comerciantes legalizados. “Eles não tem gasto, aqui dentro a gente paga todos os direitos, e temos água limpa, pia e não jogamos resto do peixe no rio. Eles não, são irregulares e poluem tudo”, afirmou .

O feirante José Vanderlei, que mora no bairro Alvorada, Zona Oeste, disse que paga para oferecer qualidade. “Pagamos nossa taxa de manutenção, para limpeza mesmo, aqui todo dia há limpeza da feira, lá é uma bagunça”.

De acordo com os vendedores ambulantes instalados nas canoas à beira da rua, a Prefeitura de Manaus esteve no local ontem e retirou todos que estavam vendendo em canoas. Porém eles dizem que não irão sair. “Estamos trabalhando, gastamos com gelo, carregador, canoa. Vendemos 30 peixes por 10 R$ e lá dentro é 10 peixes por 20 R$, eles tem que ter concorrência e não adianta, que se sairmos, vamos voltar”, afirmou um vendedor Mauro Elizier, 47, morador do bairro Colônia Oliveira Machado, Zona Sul.

Sempab já ofereceu alternativas

A Secretaria Municipal de Feiras, Mercados, Produção e Abastecimento (Sembap) informou, por meio da Assessoria de Comunicação, que vêm realizando várias fiscalizações no entorno do Mercado Adolpho Lisboa. No entanto, os verdureiros e peixeiros que comercializam irregularmente na rua Tabelião Lessa, apesar de terem sidos notificados diversas vezes e ter seus materiais apreendidos, resistem em sair do local. Ainda segundo a assessoria, na primeira notificação a Sempab ofereceu espaços em feiras e mercados para que eles possam trabalhar regularmente, porém os mesmos não aceitaram. Disse também que para impedir que os ambulantes continuem no local, a Sempab elaborou um projeto, onde será colocado um portão de ferro entre o Mercado e a loja que fica ao lado. O acesso de pessoas ficará restrito no local, sob a responsabilidade de um administrador da secretaria.

O hábito de comprar nas canoas em tempos de enchente do rio Negro é antigo, causa concorrência desleal com os permissionários, mas tem a preferência de muitos consumidores, que compram de olho no preço.